Arrecadação de ICMS de Minas Gerais
Sindifisco-MG divulga acumulado de janeiro a novembro de 2010

A receita de ICMS principal, sem juros e multa, totalizou, no acumulado de janeiro a novembro de 2010, R$ 23,97 bilhões, contra R$ 19,93 bilhões no mesmo período em 2009, representando aumento nominal de 20,29% e aumento real de 15%.

O aumento médio nesses percentuais se manteve até setembro de 2010. Nos meses de outubro e novembro houve redução no ritmo de crescimento em virtude da desaceleração do crescimento econômico, bem como da utilização do crédito, decorrente da anistia, que teve o seu auge em agosto de 2010. O ICMS é um imposto não cumulativo; uma empresa quando compra tem o crédito e quando vende tem o débido, sendo que o valor que ela recolhe é a diferença entre o crédito e o débito. Dessa forma, o maior crescimento do ICMS foi registrado em agosto de 2010 e motivado pela anistia fiscal.

Outro fator que contribuiu para a redução em outubro e novembro foi a base de comparação de 2009, uma vez que no quarto trimestre daquele ano, a economia já mostrava sinais de recuperação da crise financeira do final de 2008 e, portanto a arrecadação daquele trimestre foi maior.

Mês
2009
2010
Variação real Variação nominal
Valor corrente Valor Constante1
Janeiro
  1.723.293.167,78 1.802.431.959,92 2.022.865.479,21 12% 17%
Fevereiro
1.623.938.053,66 1.702.398.620,72 1.870.478.360,71 10% 15%
Março
  1.604.197.336,51 1.687.076.587,70 1.903.174.713,63 13% 19%
Abril
  1.719.444.099,34        1.809.897.175,63        2.130.915.924,05 18% 24%
Maio
  1.721.850.542,46 1.811.708.756,72 2.099.879.266,08 16% 22%
Junho
  1.780.171.924,10 1.866.353.607,29 2.118.826.352,42 13% 19%
Julho
  1.788.682.742,77 1.870.974.669,72 2.229.972.331,51 19% 25%
Agosto
  1.889.391.018,61 1.974.145.320,92 2.835.532.090,65 43% 50%
Setembro
  1.953.055.103,11 2.044.938.533,49 2.264.518.452,10 11% 16%
Outubro
  2.042.171.947,83 2.148.270.949,21 2.228.896.142,25 4% 9%
Novembro
  2.084.073.805,56 2.201.519.700,80 2.269.000.000,00 3% 9%
Subtotal
19.930.269.741,73 20.919.715.882,13 23.974.059.112,61 15% 20%
1 Corrigido pelo IPCA/IBGE

Mineração

Em relação à arrecadação por setor, o setor de minerais, embora tenham uma participação pequena na composição da receita de 0,55% em 2009 e 1,22% em 2010, foi o setor que mais aumentou a arrecadação, com variação de 170,58% em relação ao mesmo período do ano anterior (janeiro a outubro). Esse setor foi um dos que mais sofreram redução em decorrência da crise.

Entretanto, em Minas Gerais, o índice de recolhimento em relação ao faturamento do setor de indústria de extração mineral de apenas 0,01%, enquanto o de setores essências, pagos pelos trabalhadores, como a energia elétrica é de 19,41% (alíquota média). Enquanto os trabalhadores pagam 30% sobre o valor da conta de luz, as mineradoras só pagam 0,01% de seu faturamento.

A tributação deveria ser mais pesada sobre o setor mineral (extração e transformação), que explora um recurso natural não renovável, agride o meio ambiente e não recolhe quase nada de ICMS. Além disso, esse setor tem grande peso na economia de Minas, o que também justificaria um aumento na tributação. As exportações de produtos do setor mineral representam mais de 45% dos produtos da pauta de exportação mineira. Essas operações não são tributadas, em decorrência inicialmente da Lei 87/1996 (Lei Kandir) e, posteriormente, com base na EC 42/2003.

É necessário que o Estado discuta e reverta o quadro imposto pela Lei Kandir e pela EC 42/2003, pois Minas Gerais deixa de receber bilhões em tributos das mineradoras. Em um exemplo hipotético, se houvesse uma alteração na legislação com uma tributação média de 12%, o Estado poderia receber em torno de R$ 2 bilhões.

Veja os setores que tiveram aumento da arrecadação acima da média, que foi de 20,19%.
Setor
Porcentual de aumento

Aves

81%

Gado/ Carne bovina e suína

206%

Bebidas

24%

Transportes

25%

Comércio –  outros

36%

ICMS Outros – Notificações

261%

Já os três principais setores – energia elétrica, comunicação, e combustíveis e lubrifiocantes – que representavam 51% da arrecadação em 2003, com o amento da arrecadação ao longo dos anos seguintes, vem reduzindo sua participação no total da receita de ICMS; em 2010, esses tributos somados até outubro representam 38,25% da receita de ICMS.

Acompanhe o comparativo da participação desses setores na receita de ICMS em 2009 e 2010:

Setor

2010
2009

Energia elétrica

10,47%
11,64%

Combustíveis e lubrificantes

18,42%
19,54%

Comunicação

9,36%
10,32%

Soma dos três setores

38,25%
41,50%

Vários fatores contribuem para o crescimento da receita, como crescimento econômico, combate à sonegação, aumento da carga tributária, política tributária, aumento de preços e outros. Benefícios fiscais

A arrecadação poderia ser, ainda, maior, não fosse a concessão de benefícios fiscais, legais ou ilegais, sem nenhum retorno social. Os ilegais são aqueles concedidos na guerra fiscal entre os Estados.

Grandes empresas tentam intimidar o governo, insinuando que podem se instalar em outros estados, fazendo leilão da receita tributária com os estados e, fazem a guerra fiscal e conseguem obter benefícios.

Em médio e longo prazo, todos perdem com essa situação, é um processo autofágico em que todos os Estados acabam perdendo receitas, muitas empresas quebram e os trabalhadores acabam sofrendo com a tributação elevada de setores de bens essenciais, pois como o Estado perde receita com a concessão de benefícios, tenta recuperá-la onerando a população. Além disso, o dinheiro que o Estado abre mão dos benefícios concedidos é dinheiro público que deveria estar sendo aplicado na melhoria de serviços como educação, saúde, segurança e outros.

16.12.2010  – Assessoria de Comunicação: Valéria Mercadante / Marcela Souza/ Lilian Souza
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