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PONTO
DE VISTA
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Nš 16
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| Saudades de Graciliano FLÁVIUS
JUVÊNCIO Ao ouvir alguns comentários, a favor ou contra o dito Decreto dos pós-graduados, me lembrei de uma história que li na internet, escrita pelo nobre jornalista Sebastião Nery. O texto intitulado “O cangaceiro da literatura”, foi publicado pelo Jornal Pequeno (edição 21.448), em 30/01/07, e narra história que aconteceu com um ilustre conterrâneo alagoano, assim contada: “Em 1926, Lampião cercou e ameaçou saquear a querida Palmeira dos Índios, no alto sertão de Alagoas. Lampião mandava bilhetes ameaçadores à Prefeitura exigindo dinheiro e espalhou mais de cem homens nas proximidades da cidade. Um comerciante e seus amigos mobilizaram os moradores e se prepararam para resistir. Quando Lampião viu que a briga ia ser para valer, desistiu. Esse comerciante contou o “exibicionismo” dos cangaceiros assim:
O valente comerciante de Palmeira dos Índios, que ajudou a escorraçar Lampião e zombou de seus Cabras com seu estilo seco, preciso, enxuto, estalando como cipó, era Graciliano Ramos, que ainda não tinha sido prefeito daqui nem se revelado o iluminado e magnífico cangaceiro das palavras e do estilo, dos maiores e raros clássicos da literatura”. Oh! Graciliano, como foi corajosa e bela essa atitude que, em nome do amor a um povo e a uma cidade resolveu, mesmo sabendo que a chance de sobreviver seria mínima, pois o adversário nada mais nada menos era o Cabra da Peste em Pessoa, o temido Lampião. Oh! Graciliano como tu honraste os alagoanos de bem (obrigado, Meu Deus! por permitir que esse grande Homem nascesse em território alagoano, como sou feliz por ter nascido na tua terra e por chamá-lo de conterrâneo), não tenho dúvida que tu tens, também, admiradores fora das fronteiras alagoanas. Oh! Graciliano, como gostaria de ter estado com você naquele dia e olhar nos seus olhos e ver a sua bela alma, mesmo sabendo que também seria quase certo o meu último dia na terra, pois afinal do outro lado das trincheiras estava o próprio Rei do Cangaço, o respeitado Lampião. Oh! Graciliano gostaria de ter sido seu amigo desde menino, ouvido suas histórias, suas alegrias, também lhe dado meu apoio e afeto, principalmente, nos seus dias difíceis. Oh! Graciliano gostaria que você estivesse ainda no meio dos Viventes (que falta tu fazes nesse mundo de hoje) para mostrar como faz bem a alma não abandonar seus pares, fazer o bem, gostar das coisas certas e, principalmente, nunca ceder ao mal. Oh! Graciliano como tu descrevias tão bem a alma do povo
alagoano, que Deus, nosso pai querido, o tenha nos seus braços.
Meu querido alagoano, Saudades... |