|
PONTO
DE VISTA
|
Nš 25
|
|
|
|
|
Segue, para seu conhecimento, relato de parte do que ocorreu na reunião com o secretário de Fazenda Simão Cirineu, realizada hoje (09/10) à tarde na sede da Superintendência Regional de Valadares, em texto do auditor fiscal Glauco Peixoto. Coloquem o plus na poupança Glauco
Peixoto “Tem coisa que a gente pensa que não vai escutar nunca, mas acaba escutando. Prestem bastante atenção, o sr. secretário de Fazenda esteve hoje aqui em Governador Valadares com o gabinete itinerante. Reunimo-nos todos na sede da Associação Comercial para ouvir as exposições de praxe. Como sempre, os números estão mais verdes que a Floresta Amazônica e abundam aqueles elogios à Fiscalização. Depois, foi aberto espaço para o debate. Eu fui o primeiro a falar e, aproveitando uma afirmação do secretário de que devemos nos empenhar ao máximo para atender as demandas da sociedade, afirmei que na atual administração, na anterior, no governo que antecedeu a esse e no anterior àquele, e até onde eu tinha conhecimento, essa sempre foi a ética da Fiscalização: dar o máximo de si para atender as demandas da sociedade. Disse que nos entristecia a visão do secretário, segundo a qual é necessária uma parte variável do salário para evitar excesso de licenças médicas; que nós, fiscais, não nos encaixamos nessa medida. E pedi uma resposta quanto à reivindicação salarial apresentada pelo SINDIFISCO-MG. Na questão das licenças médicas, ele disse que não se referira aos fiscais diretamente, mas ao funcionalismo de modo geral e que, pelo grande conhecimento que tinha do assunto, o excesso de licenças médicas era um problema no Estado. Quanto à reivindicação do SINDIFISCO-MG, não vou me estender muito, a resposta pode ser resumida em duas palavras: nem pensar!!!! Agora, o melhor estava por vir. Outro colega se levantou e se queixou da forma como a Fiscalização tem sido tratada por esse governo, a falta de estímulo dos fiscais novatos, a evasão de fiscais. O sr. secretário contra-argumentou, afirmando que nosso salário é bom, que a evasão é normal e a discussão (no bom sentido) continuou mais um pouco nessa direção. Até que nosso colega citou o caso da morte recente de um fiscal, e o problema que representa para a viúva a perda da parte variável da remuneração. Aí o secretário se virou e disse: “Ora, não vai receber porque ele não colocou na poupança!!!!!!!!!!!!!!!” É isso aí colegas, hoje nós vamos dormir com essa. O assunto dizia respeito a um colega falecido e a importante questão da perda salarial em uma situação de morte, de perda de um chefe de família. Todos nós estamos nessa, todos os fiscais que se preocupam com o futuro e precisam de segurança para cumprir sua função de Estado. Agora, para o sr. secretário, azar do cara, que não foi previdente e não colocou o plus na poupança. Na hora eu fiquei chocado. Mas depois pensei, vá lá, já era esperado, nós sabemos o que o sr. secretário representa. Acontece é que, pasmem, teve gente que riu da piadinha infame. Os risos partiram de dois tipos de pessoas: daqueles que sucumbem à imagem da autoridade, e da claque. Quanto aos primeiros, colegas, perdoem-nos, eles não sabem o que fazem. Mas, e a claque? O que fazer daqueles que, com certeza, sentiram a agulhada, pois são funcionários públicos também e sabem da gravidade daquela afirmação, mas pensam que está incluída na remuneração dos seus cargos bater palmas para qualquer coisa que venha de cima? Acreditem, aquele momento foi confuso e irritante. Primeiro não dava pra acreditar no que eu tinha ouvido, depois ficou claro o que nos espera no futuro próximo. Agora,
enquanto escrevo esse texto, com a cabeça mais fria, estou
pensando naquele ditado que diz que conselho e canja de galinha
não fazem mal a ninguém. Caso o orçamento
permita, o que é raro, talvez seja o caso de economizarmos
o plus. É isso aí! Colegas, pelo que ouvimos do sr.
secretário, passo a recomendar a todos (e não me
interpretem mal): coloquem o plus na poupança.” |