PONTO DE VISTA
Nš 14
24 de abril de 2008
 
   

MUDANÇAS

MARCELO LYRA DE ALMEIDA
Auditor Fiscal da Receita Estadual
PF Joaquim Lage Filho - Nova União/MG

Conforme está escrito em 2 Coríntios 3:6 "...a letra mata, mas o espírito vivifica".

A humanidade adentrou o terceiro milênio, tão ou mais perdida quanto inaugurou o primeiro. Não conseguimos virar uma página sequer do opróbio ou da vergonha da natureza humana. Não se conseguiu virar a página do egoísmo, sob o ponto de vista imaterial, ou da guerra, fome, doença, miséria, violência, entre outras, sob o prisma material.

Quantas mudanças foram vividas, especialmente na área tecnológica, proporcionadas pelo espetacular avanço da ciência. Entretanto, fica uma pergunta. Qual mudança, realmente, representou um avanço?

Somos arrastados pela onda globalizada do teorismo descambado, em que a forma prevalece sobre a finalidade, quando os intérpretes do mundo se entregam a teorias estratosféricas, esquecendo-se dos conceitos fundamentais que fundamentam os pilares básicos de todo o conhecimento. Faz-se extremamente necessário, neste momento, rememorar aquilo que é óbvio, mas que causa impacto devido ao seu esquecimento.

A prosopopéia ou falatório dos discursos criam um turbilhão de idéias, dando concretude a desejos, que por sua vez, transformam-se em falsas necessidades.

É uma tendência humana privilegiar a forma em detrimento do objetivo. Fica-se escravo da forma, que se torna um fim em si mesmo e que possui a capacidade de tornar a realidade etérea, criando um enorme abismo entre o discurso e a prática. Aprimoramos a letra, mas perdemos o espírito. Vivemos da aparência e esquecemos da essência.

Antes de mudar, é preciso responder: Por quê? Para que? E, somente após entendermos os conceitos básicos e elementares das coisas, pensarmos numa mudança que não vilipendiem o espírito com o qual elas foram criadas.

Quem dera pudéssemos nos despir de nós mesmos, para descermos de nosso "eu" e juntos alcançarmos o cume da verdade de que todos necessitamos.

Tudo isso, apenas para dizer que, após anos de descaso, a fiscalização do trânsito de mercadorias tem merecido algum reconhecimento. Entretanto, apesar da boa intenção dos discursos, ainda não se conseguiu enfrentar os problemas inerentes ao trânsito de mercadorias, com a energia que os problemas exigem.

Considerando os aspectos culturais brasileiros, não há como fiscalizar o imposto sobre o consumo, não importando o apelido que ele venha a ter, sem uma presença coercitiva, efetiva e eficaz no setor de distribuição da economia, ou seja, controlando as rodovias como sendo o principal meio de transporte da produção nacional.

Após a consumação de todos os sistemas possíveis, o cúmulo do avanço será uma volta ao passado, com uma busca do controle do tráfego de mercadorias, inibindo ao máximo a chamada "evasão de barreira".

Apenas para frisar, gostaríamos de lembrar que a "verticalizada" sem o trânsito carece de efetividade e o trânsito sem a "verticalizada" carece de continuidade.