PONTO DE VISTA
Nš 23
14 de julho de 2008
 
  

Espírito de Crítica

Marcelo Lyra de Almeida
Auditor Fiscal da Receita Estadual
PF Joaquim Lage Filho - Nova União/MG.

Na SEF, chegou-se à conclusão de que o corpo fiscal é mesmo muito crítico, devido à própria atividade do cargo, que é sempre de buscar o erro, evidenciar as falhas e encontrar a possível fraude escondida por detrás das aparências.

Para não fugir à regra, pretendo criticar esta postura, dizendo que a conclusão supracitada produz dois efeitos perigosos. Primeiro porque banaliza as opiniões contrárias, não se dando atenção a observações importantes e, em segundo lugar, fica-se complacente com os exageros cometidos, o que acaba por diminuir o comprometimento de todos para com os objetivos a serem alcançados.

A crítica é filha primogênita da arrogância e irmã gêmea de toda sorte de sentimento faccioso. Arrogam-se no direito de criticar a tudo e a todos, por tudo e por nada como se, ao simplesmente criticar, estariam construindo ou contribuindo com alguma coisa. O espírito de crítica se apodera de todos sutilmente, até mesmo dos mais sóbrios e cultos.

É uma tendência humana medir os outros pela própria régua. Os mais fingidos são os que mais criticam, para justificar as próprias falhas, colocando a culpa pelo seu comportamento falho e mentiroso sempre no outro, de uma maneira impiedosa e agressiva.

O crítico sempre se coloca como se fosse melhor, ou superior. Aos seus olhos, até Deus é injusto com ele. Precisamos parar, definitivamente, com essa mania de colocar a culpa nos outros e assumir, de uma vez por todas, que colhemos hoje o que plantamos ontem e iremos colher amanhã o que plantarmos hoje e nada além, ou aquém disto.

Tanto a culpa quanto a solução dos nossos problemas, sejam quais forem, estão do lado de dentro e não do lado de fora, seja no nosso aspecto íntimo, ou corporativo.

O melhor termômetro, para apontar quando estamos no caminho certo ou errado, é quando não precisamos dar nenhuma desculpa por tê-lo escolhido.

Não construímos nada apenas e tão-somente criticando os outros, mas sim, fazendo a nossa parte da melhor maneira possível, dando o exemplo sem esperar reconhecimento ou aplausos de quem quer que seja. Devemos trabalhar para satisfação da nossa própria consciência, esperando única e exclusivamente o conforto da sensação única do dever cumprido.

Uma boa política sindical não se contenta em ser só um palco para críticas, mas antes um berço acalentador de idéias avançadas e um poderoso agente formador de opinião, bem fundamentado em argumentos inteligentes, capazes de alavancar bandeiras transformadoras de uma realidade, que pode vir a ser bem mais favorável.