PONTO DE VISTA
Nš 31
16 de dezembro de 2008
 
   

Com a palavra: A SEF
Edson Ferreira
PF Igarapé

As Instituições privadas sabem que o seu maior bem é o elemento humano. Grandes empresas investem na qualificação, na qualidade do ambiente de trabalho, no reconhecimento, na valorização e, até mesmo, na qualidade de vida de seus empregados (parceiros), pois, entendem que a satisfação de seus empregados (parceiros) é o elemento propulsor para um melhor desempenho dentro das Organizações.

Vários estudos foram realizados, bem como, muito se escreveu a respeito de como motivar as pessoas dentro de um ambiente de trabalho.

Na SEF, esta análise passa longe de ser entendida.

Lembro-me de uma reunião ocorrida há mais ou menos uns 4 (quatro) anos, realizada pela SRH, na qual estavam presentes vários comissionados e outros tantos colegas Fiscais, integrantes das Comissões de Avaliação, para ouvirmos uma palestra sobre as mudanças que, a partir daquele momento, seriam implantadas na SEF. A apresentação teve início com um filme no qual a “apresentadora” proferiu a seguinte frase: “... temos que implantar uma nova concepção, com a mudança de mentalidade ....” após o encerramento do “filme” e das palavras dos representantes da SRH, iniciou-se um ciclo de discussões, quando teci várias críticas/sugestões (mais sugestões do que críticas) à (falta de) política de Recursos Humanos da SEF dada a falta de transparência, de planejamento, de valorização do corpo fiscal, de critérios para promoção (inclusive pela falta das promoções), de critérios e cursos específicos para ocupação dos cargos em comissão, da implantação da Escola Fazendária, dentre outros assuntos. Até o presente momento, sequer houve a implantação de quaisquer daquelas sugestões. Inclusive, sequer houve a mudança da tal mentalidade, uma vez que esta deveria ter iniciada pela própria SRH e pela Administração.

A carreira fiscal é diferenciada em vários aspectos das demais carreiras que compõe o funcionalismo público mineiro, destaco, talvez a principal, a não existência de um curso de graduação específico que prepare o candidato para o exercício do cargo de Fiscal. Sendo assim, seus integrantes possuem as mais variadas formações acadêmicas. Após a aprovação em concurso o novo integrante se depara com a necessidade de, para um melhor aproveitamento no exercício de suas funções, realizar outro curso de graduação, como direito, contabilidade, administração e outros, cada qual, com média de duração de 04 (quatro) a 05 (cinco) anos e de presença obrigatória.

É num momento de crise que as empresas valorizam o potencial de seus funcionários e procuram motivá-los, ainda mais, dada a percepção da importância destes para atravessar um período tão difícil.

Entretanto, na SEF, não existe esta percepção. Não restam dúvidas de que, no próximo ano, nós iremos sentir os efeitos da crise que assola a maioria das Nações e da qual o Brasil não estará isento.
É fato que o Governo vem, sistematicamente, tentando nos fazer acreditar que nós não temos importância na “alavancagem” e na recuperação da receita, mas ao contrário do que fala o Governo, o corpo fiscal mineiro não precisa provar a sua importância. Basta lembrarmos no Governo Itamar, quando correspondemos às expectativas e às demandas do Governo, bem como, em relação ao empenho e objetivos alcançados no “projeto combustíveis”, para ficarmos só nesses dois exemplos.

É fato que a Administração vem ao longo do tempo adotando medidas que tem afetado o desempenho de colegas, desestimulando-os, só para ilustrar, tomemos como exemplo o plus, onde os comissionados chegam a ter um ganho de até 40% a mais de quem está na Pasta.

É fato que a última mobilização foi traumática e ali tivemos um marco, pois a Administração não teve a competência necessária para encerrar o movimento (por sinal, justo) sem se utilizar da implantação da OS punitiva e do corte do ponto, tais fatos só vieram acelerar o processo de desestímulo para com a SEF, bem como, inclusive, de questionamento da legitimidade dos comissionados no comando da SEF.

É fato que o Governo irá precisar da Fiscalização para manter os seus compromissos.

Achávamos que o Governo e a Administração tinham chegado no limite para encerrar o movimento e que, a partir de então, haveria a introdução de mecanismos que viessem restaurar a confiança e o ambiente de trabalho para que pudéssemos, então, retornar às nossas atividades com a mesma satisfação de outrora.

Mas, Administração superou-se. Realizou o que nem o Sindicato conseguira em várias mobilizações, ou seja, fazer com que pessoas que possuíam algum tipo de “resistência” para participar de quaisquer movimentos, se indignassem. Isto, por si só, já seria uma proeza. Mas, não só conseguiram indigná-las, como também, revoltá-las, (falta-me uma outra palavra que a descreva) em razão da forma como conduziram a questão do adicional de escolaridade.

A falta de política de Recursos Humanos da SEF ficou demonstrada, pois, não valorizou, não reconheceu a dedicação de vários colegas à instituição SEF. Conseguiu excluir, inclusive, colegas que, a princípio, estariam incluídos no adicional de escolaridade.

É fato e ficou demonstrado que não será com coerção, com OS PUNITIVA, com CORTE DO PONTO e outras medidas desta natureza, que a Administração irá estimular os colegas ou fazer com que eles venham a colaborar para que se possa atender às expectativas e às demandas do Governo, num momento de crise.

A indagação que faço, ou melhor, que a classe deve fazer à Administração é: que medidas serão adotadas para (re)motivar os colegas, depois da imposição da OS punitiva, do corte do ponto e, agora, com a implantação (exclusão) do adicional de escolaridade.