PONTO DE VISTA
Nš 11
29 de junho de 2010
 
 

DA ESSÊNCIA QUASE MILITAR DO PROGEPI

Fábio de Paula
AFRE – AF Pirapora
phdepaula@ig.com.br

O grande irmão está observando você.
1984 (1949) George Orwell

O primeiro compromisso do Progepi não é com a liberdade. Seria com o domínio, com a vigilância? “Se não ‘marchar’ direito”, perde-se salário.

Teria o Progepi a pretensão de uniformizar o aleatório, controlar o inusitado, padronizar a diversidade, ou ser apenas mecanismo de disciplina? Modernização do “chicote” para punir o recalcitrante de forma virtual e silenciosamente. Uma espécie de grilhão cibernético ponderado pela gerência média que ganharia um falso poder e perderia importância.

Sob o emblema da produtividade, não estaria mais para instrumento antimovimento, anti-insubmissão? O Progepi dá mostras de ser um tratamento de massa para atividades intelectuais... A industrialização da fazenda.

Tivesse Minas cem mil auditores, vá lá; somos menos de dois mil, com coordenadores, delegados e superintendentes espalhados por todo o território das Gerais.

Enquanto o Estado e a Lei conferem ao auditor poder de Polícia, fé pública e poder-dever de agir diante do ilícito, o Progepi cria um filtro que restringe e direciona a atividade fiscal.

O certo é que estamos diante de uma ideia que engendrou um sistema fortemente repelido e antipatizado pela categoria, considerado tacitamente inviável, talvez até mesmo pela parte não resignada da gerência.

Caso o Progepi seja implantado efetivamente, nos moldes (im)postos, será uma grande vitória da Administração. Vitória de Pirro.