O
FISCO COMO "CARREIRA TÍPICA" DE
ESTADO
Utopia ou realidade, nasceu uma flor no deserto
Inocêncio
Duarte de Oliveira Rocha
AFRE, DFT BH
Há mais de vinte e um anos, dando azos à “santa
inocência”, pregava-se nos “desertos” do
País (Partidos Políticos, Sindicatos e Federações)
a importância de unirem-se as carreiras típicas de
Estado como Banco Central, Defensorias, Advocacias Públicas,
Fiscos e agentes fiscais, e as neo-pensadas reguladoras de diversas
estirpes, para que os servidores de tais carreiras, como órgãos
e com uma lei complementar orgânica e própria, estivessem
seguros e autônomos na Federação recém
instalada em 1988, pois esta só garantira efetivamente tais
condições imediatas aos magistrados, barco no qual
entraram os Ministérios Públicos, deixando tudo mais
a construir.
Eu pensava que o Estado ainda teria uma chance perante os governinhos
nacionais tradicionais.
Na verdade, tanto a Europa, Japão, Coréia do Sul,
Estados Unidos ou as recentes capitalistas Rússia e China,
apesar do forte abraço que deram ao neoliberalismo, reconheciam
a importância de preservar um “núcleo mínimo
de Estado” nas ações de governo.
Quanto a isto pude observar pessoalmente, ainda no final do Governo
Sarney, em 1989, ocasião em que estava presidente da Associação
Comercial do Suaçuí e tive a ventura de oferecer
um almoço “rural”, ao lado de uma mina de pedras
coradas, em Pederneiras (entre Teófilo Otoni e Governador
Valadares), ao ministro das Minas e Energia da China, membro da
comissão do futuro primeiro-ministro chinês Jiang
Zemin, e discutia com ele uma pergunta que o intrigava sobre o
Brasil: “- como o Fisco era tão fraco e sem autonomia
e a Federação conseguiria sobreviver ao sabor dos
governos politiqueiros?”
Naquela época, por incrível que nos pareça,
apenas no PL fui ouvido e encontrei vários expoentes nacionais
dispostos ao debate dentro da discussão do “imposto único” (mesmo
sendo eu, reconhecidamente, filiado à legenda diversa).
Tantos foram os debates, que tal tema chegou a ser ventilado na
campanha do candidato à Presidência, Afif Domingos,
1990, como uma utopia a ser construída.
Mas o tema veio a ser sepultado por vários meses e anos,
só voltando à tona em 1993, quando o próprio
Jiang Zemin, já primeiro-ministro de Deng Xiaoping, aqui
veio e falou com o nosso FHC, ressurgindo o debate com o professor
Bresser Pereira, a molde do antigo discurso de 1977, em cima do
nosso Decreto Lei 200, de 1967 (sobre as “funções
típicas de Estado”), mas agora sob a ótica
das “carreiras típicas de Estado”, cujo anteprojeto
chegou em 1998 ao nosso Congresso Nacional, onde dormiu em “berço
esplêndido” por década, até ser praticamente
encoberto pelas areias do tempo.
Mesmo assim, novamente tentamos “acordar” tal questão
dentro das propostas de Lei Orgânica e subsídio para
o Fisco Estadual, entre 2006 e 2009, com intensa troca de informações
com a Fenafisco, que até produziu um projeto de lei orgânica
dos Fiscos Estaduais que foi levado ao Congresso Nacional. Em conjunto
com vários colegas também fizemos algumas minutas
de projetos para o nosso Sindicato nos últimos anos, mas
as areias foram implacáveis outra vez, prevalecendo o "deserto".
Entretanto, estes dias, alguém balançou o berço,
soprou as areias e nasceu uma flor no meio do deserto: formou-se
em Brasília um fórum, congregando várias entidades:
Anfip, Sindifisco Nacional, Unafisco Associação,
Sinait, Anesp, Febrafite, Assecor, Unacon, Adepol, Conamp, Unafe,
AACE, ANMP, Fenafim, Fenafisco, Febrafite, Auditar, ADPF, ANPR,
Anffa Sindical, Aner, Sinal e Sindilegis, formando o Fórum
Nacional Permanente das Carreiras Típicas de Estado – Fonacate,
com intenção se de tornar uma confederação
nacional de entidades e propondo a discussão conjunta do
suporte mínimo das “carreiras típicas de Estado”.
Conclamo todos a colocarem um copinho de água no pé da
flor e apreciá-la bem, pois ela poderá produzir o
fruto donde virão as sementes de nossa Lei Orgânica
e remuneração por subsídio. 