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O FISCAL
COMO FERRAMENTA DE POLÍTICA
TRIBUTÁRIA
"Sem a loucura que é o homem Mais que a besta sadia, Cadáver
adiado que procria?"
(Fernando Pessoa).
Carlos Peixoto
AFRE – DF
Ipatinga
Colegas, no dia 14 de
abril de 2010, fomos
convidados para mais
uma reunião
com a Superintendência de Ipatinga, onde muito se falou sobre o PROGEPI,
mas pouco nos foi revelado. Os
nossos colegas da Administração
continuam batendo na mesma
tecla de tentar nos convencer
pela tônica do "aprimoramento" do
Sistema, que o modelo é bom
para a fiscalização,
que o modelo não
será um mero instrumento
de controle e outros etcéteras
que não nos convencem
de sua real intenção. No
tempo da horizontalização
da comunicação,
das redes, quando o Mundo
está se planificando,
a Secretaria de Fazenda
está voltando na
pré-história
da Internet, criando um
Feitor Eletrônico,
centralizado, hierarquizado,
robotizante. Na
gestão estratégica
que se tem desenhada, os
nossos colegas da Alta
Gerência sabem muito
bem aonde se quer chegar
com tal sistema, quais
são as táticas
para fazer do fiscal uma
ferramenta: - são
capazes até de desvincular
o Programa PROGEPI da apuração
da GEPI, contanto que o
Sistema seja implantado
na linha de produção
fiscal, para evitar surpresas
(surpresas para quem? -
se a Lei Tributária
nasce na Casa do Povo,
pobre povo?), ou dissabores,
com o fim de fazer do fiscal
um instrumento, parafuso
que se aperta ou afrouxa-se,
de acordo com a política
tributária e fiscal
pretendida pelo Governo,
matando nossa identidade
originária. O
que está em jogo é o
nosso último bastião
de autonomia: a cultura
interna do Fisco de Minas,
que não nasceu com
o Governo em 2003; cultura
que chegou até aqui,
repassada por nossos colegas
antigos, na lida dura e árdua,
hoje aposentados, cultura
de zelo, de lealdade para
com o Estado e não
de subserviência
a governos, cultura de
estima pelo valor intrínseco
de nossa função;
cultura que não
se encaixa em modelo vindo
de cima, imposta por ocupantes
passageiros, cultura que
não se repete em
nenhum lugar da federação,
não existe receita
para fazer um corpo fiscal
comprometido, qualificado, íntegro
e honesto, como o corpo
fiscal de Minas. Nada
disto importa para os tecnocratas
de plantão. Não
foi o Governo de Minas
quem incutiu na fiscalização
este sentimento de “mais
valia”, de estima
pelo valor nobre de nossa
função. Quando
este sentimento estiver
morto, podem colocar quem
quer que seja para fazer
o lançamento, para
atuar nos Postos Fiscais
hoje fechados e que mais
cedo ou mais tarde serão
reabertos: _ terá sido
a VITÓRIA DA FERRAMENTA
sobre o homem, no que Adorno
chamou de razão
instrumental. O
PROGEPI é a pá de
cal para matar de vez o
pouco de sentimento de
valor que nos resta, de
que com o nosso trabalho
construímos não
UM GOVERNO que promove
um Partido, ou um candidato
a Presidente, mas a nós
mesmos, transformando-nos
e sendo transformados pelo
exercício pleno
de nosso ofício,
e não como quer
meia dúzia de cabeças
coroadas que desenharam
todos os caminhos e atalhos
do Planejamento Estratégico,
onde seremos encaixados
como meras ferramentas
de gestão: Estando
todas as atividades traçadas,
seremos manipulados como
INSTRUMENTOS DE POLÍTICA
TRIBUTÁRIA: quem
manda fiscalizar também
manda cancelar, também
manda conceder um benefício.
Um Regime Especial, um
benefício tributário,
por mais que seu escopo
seja cercado, redigindo-se
todos os argumentos lógico-legais,
sempre poderá aparecer
o espírito de porco
de um fiscal que levantará alguma
lebre: “Ah, o contribuinte
tinha diferimento para
as saídas por ele
mesmo industrializadas,
mas não no caso
de produtos adquiridos
e comercializados sem nenhuma
industrialização".
Conhecendo-se previamente os botões a serem apertados, mapeado o que
se quer, e até onde poderemos apalpar, com os tempos e movimentos a
pleno vapor, a cultura centenária do Fisco de Minas estará morta
e enterrada. Parafraseando
Fernando Pessoa: sem uma
cultura interna, surgida
de dentro para fora, forjada
por nós mesmos,
trabalhadores do Fisco
Mineiro, o que seremos,
senão múmias
ambulantes perdidas pela
repartição,
tomando cafezinho, cadáveres
que procriam? Com
a filosofia do Segredo
capitaneada pelo Serviço
Central de Informação
Fazendária, comunicação
vazia, formal, recheada
de chavões do Marketing
Enlatado, não sabemos
sequer o que o colega do
lado está fazendo.
Com o PROGEPI não
saberemos o que somos,
para onde estamos indo,
muito menos por que nos
contrataram para o cargo
de Auditores Fiscais da
Receita Estadual. Perguntem
por aí: com esta
cultura organizacional
que a Alta Gerência
almeja IMPLANTAR no Fisco
de Minas, neste Estado
Atual de Coisas, teríamos
ESPÍRITO COLETIVO
para criar uma Associação
de Fiscais, para fundar
um Sindicato que defendesse
um Fisco Forte e Autônomo?
Eliminados os últimos traços de mínima identidade entre
nós, fragmentados, acuados, isolados, estaremos fadados a brigar no
VAREJÃO para combater as mais diversas injustiças, corrigir mil
e uma distorções, capitalizar resultados imediatos do terceiro
degrau, enquanto NO ATACADO seremos tratorados por um governo que sabe muito
bem em que posição pretende colocar o Auditor Fiscal do Estado
de Minas Gerais. Saudações,

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