Progepi:
Ameaça real com
data marcada.
Ricardo
Araújo
AFRE
(desde 2008 na DF3-BH depois
de 11 anos em Postos Fiscais)
O
proGepi chega como uma ferramenta
gerencial que se pretende
objetiva e técnica,
uma materialização
dos avanços cibernéticos
que num processo contínuo
de feedback auto se corrige,
realimentando-se dos “acertos” passados. Ele
parte do pressuposto de que
um sábio núcleo
tem o dever de direcionar
o trabalho fiscal visando
uma máxima eficiência
e objetividade, sem se entrar
no mérito do que seja
eficiência e objetividade,
mas apenas quantificá-las. Para
que alguns possam receber
a Gepi integral é necessário
provar para terceiros que
existem metas perfeitamente
descritas com “valoração
de cada atividade conforme
sua complexidade relativa” e
uma “avaliação
analítica conforme
parâmetros claramente
definidos.”
Pelas
razões que o proGepi
foi criado, fica claro que
o que se busca é que
deixemos de receber mensalmente
a gepi integral e que passemos
a ser controlados por números,
através de um programa
de computador, viabilizados
pela parametrização
das atividades fiscais.
A
conseqüência da
implantação
do proGepi vai além
dos seus objetivos. Ele enfraquece
o fisco, pois coíbe
o exercício pleno
das prerrogativas da carreira.
Aliado a isto, para sua implantação
a chefia imediata abdica
de seu legítimo e
intrínseco papel de
gestão e orientação
do trabalho fiscal pelo “papel
de acompanhar e observar
a conformidade do AT com
o AGT e o AEM, a execução
tempestiva dos processos,
o equilíbrio e a padronização
mínima da carga de
trabalho, conforme meta referencial
e a pertinência dos
ajustes efetuados e a coerência
das respectivas justificativas”.
Agindo
como meros tarefeiros,
distanciamo-nos da razão de ser de
nossa função
como carreira típica
de estado. Perdemos a condição
de sermos um agente promotor
da justiça tributária.
Deixamos de exercer nosso
poder de polícia.
Perdemos nossa importância
e por que não dizer,
perdemos a razão de
existir como carreira essencial
ao funcionamento do Estado.
Assim, estaremos construindo
a extinção
de nossa carreira. Como dizia
Maiakóvski “na
primeira noite eles aproximam-se
e colhem uma Flor do nosso
jardim e .....”
Para
quem crer que seja exagero
pensar nessa linha de raciocínio,
vale lembrar o que está acontecendo
nos Postos Fiscais. Primeiro
foi imposto a parametrização
das atividades fiscais. De
imediato não ocorreram
perdas salariais. Houve a
submissão. Os RDA
- Relatórios Diários
de Atividades eram preenchidos
e tudo parecia ajeitado e
acomodado. E então
surge a pergunta: Para que
Fiscais nos Postos? E depois:
Para que Postos Fiscais?
Como resposta temos o fechamento
dos Postos Fiscais da região
metropolitana de BH. As AF
já perderam a presença
dos fiscais em 2003 e ficamos
calados.
O
proGepi está posto.
O decreto publicado. Dentro
de poucos dias já estará em
plena vigência. Precisamos
nos conscientizar do tamanho
da ameaça. Precisamos
nos mobilizar. Precisamos
agir enquanto é tempo.
As DF e DFT serão
o próximo alvo, pois
a DEFIS está aí sendo
montada a pleno vapor para
assumir as suas (nossas?)
funções.
Não
esperemos o dia que não
poderemos dizer nada. 