PONTO DE VISTA
Nš 01
4 de janeiro de 2010
 
 

O QUE EU GOSTARIA DE FALAR NAQUELES TRÊS MINUTOS E NÃO FALEI!

Dermeval Franco Frossard
AFRE

Primeiro quero esclarecer o que falei. Quando contei a história do Marinheiro que deixou de dar um beijo na morena, eu quis dizer que, se não aceitássemos esta proposta neste momento, o dinheiro economizado pelo governo seria utilizado em outras finalidades, e nunca mais iríamos vê-lo.

Considerações matemáticas:

Quando falei da base de cálculo para reajuste, o que quis dizer é que o NÃO ou o SIM teria por consequência duas situações futuras de negociação, conforme demonstramos: (usando números fictícios para exemplificar).

Se um novato recebe hoje R$ 10.000,00/mês, para atingir um piso de R$ 15.000,00, o governo teria que dar um reajuste de 50%. Não aceitando esta proposta, na próxima negociação o governo teria que dar os mesmos 50% de reajuste. Aceitando a proposta, em julho este novato estaria recebendo:

R$ 10.000,00 x 0,70/0,63 (reajuste do ponto) + 1000,0 x 0,70 = 11.111,11 + 700,00 =
= R$ 11.711,00,
Que, para atingir os R$15.000,00, teríamos que ter um índice de reajuste conforme demonstrado = 15.000,00/ 11.711,00 = 1,2808 ou seja 28,08 %

Não precisamos ser matemáticos nem negociadores para percebermos que será mais viável esta segunda opção de negociação, não é? Um reajuste de 28,08 % ao invés de 50%, além de recebermos esta diferença, conforme demonstrado abaixo:

Considerando o reajuste de ponto e os 500 pontos em março e julho:

 
j
f
m
a
m
j
j
a
s
o
n
d
13
total
Não 10000 10000 10000 10000 10000 10000 10000 10000 10000 10000 10000 10000 10000 130000
Sim 11111 11111 11461 11461 11461 11461 11811 11811 11811 11811 11811 11811 11811 150743

Então, a título de exemplo, se ocorresse a recusa da proposta, um fiscal que ganhava R$ R$10.000,00 estaria perdendo para todo o sempre R$ 20.043,00 reais brutos em 1 (um) ano, ou seja, 14º e 15º salários. Seria razoável esta recusa?

Quanto estaria um fiscal antigo com 5 quinquênios cheios perdendo?
Suponhamos que ele recebesse bruto R$ 15.000,00/mês, cada quinquênio era 10% sobre o inicial.

 
j
f
m
a
m
j
j
a
s
o
n
d
13
total
Não 15000 15000 15000 15000 15000 15000 15000 15000 15000 15000 15000 15000 15000 195000
Sim 16667 16667 17017 17017 17017 17017 17017 17367 17367 17367 17367 17367 17367 222971

R$ 15.000 x 0,70/0,63 = 16.667,00 p/ jan, fev (reajuste do ponto)
R$ 16.667,00 + 350,00 = 17.017,00 p/ mar, abr, mai, jun (500 pontos a partir de março)
R$ 17.017,00 + 350,00 = 17.367,00 daí para frente (+ 500 pontos a partir de julho)

O fiscal antigo com 5 qüinqüênios cheios estaria perdendo R$ 27.971,00 bruto, não chega a ser dois salários como o novato.

Antes do SIM, a relação salário novato e fim de carreira é : 10.000/15.000 = 0,6667

Depois do SIM = 11.711/ 17.367 = 0,6743 , foi de 66,67 para 67,43

Ou seja, o salário do novato depois do SIM teve um crescimento em relação aos antigos de menos 1%, pequeno, é verdade, mas não houve aumento do fosso, como foi dito na Assembléia.

Outras Considerações:

- Aos que falam na Assembléia: qualquer consideração pejorativa à direção atual ou à anterior deve ser evitada, pois o sucesso ou o fracasso delas é 100% nosso. O presidente e respectivos diretores apenas verbalizam e canalizam os nossos anseios. Não se esqueçam “O Sindicato Somos Nós”, qualquer que seja a Diretoria.

- Movimento reivindicatório com os atuais instrumentos de pressão como: AI zero, DAF zero, desligar o computador, ou não atender ao telefone, desculpe-me os coordenadores do movimento, já perderam a eficácia.

- Há oito anos propus à Assembléia, e foi aprovado, que deveríamos, por meio de uma seleção interna, escolher um ou dois colegas para apoiarmos sua candidatura a cargos de deputados estaduais e federais. Entendo que o caminho é por aí. Foi época áurea da fiscalização, quando tínhamos dois colegas na Assembléia Legislativa Estadual.
Ao chegar à Associação Médica, fui interpelado por uma colega avisando-me que era candidata a deputada estadual. Vou votar nela, pois sei o quanto é combativa, assim como votei outrora em outros colegas, mas não vou pedir votos se esta escolha interna não ocorrer. E desaconselho qualquer aventura sem apoio da categoria, pois só vota em fiscal o colega e seus familiares e amigos. Se a classe não se transformar em cabo eleitoral e não apoiar financeiramente, não passará de 3.000 votos.

- Alternativo é o apoio a deputados com potencial eleitoral, para que no futuro nos representem em nossas reivindicações, pois é na casa deles que são gestadas as leis que dirigem as nossas vidas. No momento em que precisamos de apoio e os procuramos, com certeza se perguntam: o que esse povo me ajudou na campanha?

Então é isso. Que 2010 seja pior do que... 2011, mas muito melhor do que 2009.