PONTO DE VISTA
Nš 35
18 de dezembro de 2009
 
 

ACEITAR A MIGALHA

Danilo Vilela Prado
AFRE – DFBH-1/SRF-II

Se os cálculos estiverem corretos, a migalha a nós oferecida pelo governo a título de aumento salarial será de R$1.330,00 mensais. Multiplicado o valor por treze, incluído o 13º salário, a migalha totalizará R$17.290,00 anuais, sem incluir o quinquênio que cada um carrega.

Pensando bem, se a migalha não satisfaz, será, ainda assim, suficiente para custear quase todo o estudo em escola particular por um ano ou trocar o carro por outro melhor, viajar e outros fins. Certo é que a migalha fará diferença no bolso.

Demonstrar a recusa pela oferta do governo não foi boa tática. Esperar receber a refeição completa é quase utopia. Os governos raramente concedem reajustes substanciais, preferem dar migalhas aos poucos, até mesmo porque creem que não agradará a todos. A melhor estratégia, então, é receber a oferta e continuar a luta por outras conquistas.

De acordo com psicólogos e especialistas de recursos humanos, o salário é condição higiênica, ou seja, é parte da satisfação profissional. Tais especialistas dizem que mais importante que um bom salário é a perspectiva de ascensão no emprego, ter um plano de carreira que valorize os méritos dos trabalhadores, trabalhar em ambiente de cooperação e solidariedade e gostar da profissão pelo que ela oferece de motivação, além dos ganhos em dinheiro.

Talvez os especialistas estejam errados, pois há relatividade e subjetividade nos conceitos de satisfação pessoal. Porém, mais ameaçador que o baixo salário, é provável que a grande insatisfação e indignação de nossa categoria se concentre na desunião, no clima de competição, nos radicalismos, no sectarismo, na insegurança jurídica sobre os rumos da carreira, haja vista as ameaças internas e externas à categoria.

É desmotivador, também, o comportamento de parte dos gerentes, que cada vez mais agem como se não fizessem parte da classe. Isso tudo, sem falar na maior ameaça, materializada na quebra de paradigmas institucionais, como o fechamento de postos fiscais. O momento, portanto, é de crise, e das graves, porque possivelmente está é uma das fases de maior apreensão da categoria na história do fisco mineiro.

Se o quadro não é dos mais alentadores, há motivos de sobra para comemorar, com orgulho, o profissionalismo dos auditores fiscais mineiros. Engrandece a categoria a qualidade dos trabalhos fiscais, reconhecidamente entre os melhores do país. São muitas e muitas as peças fiscais elaboradas com primor e competência inigualáveis, elogiadas pelo Poder Judiciário. Não são poucas as boas referências de manifestações fiscais citadas por juízes e em acórdãos do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Há menções honrosas para o fisco mineiro em vários setores da sociedade, dentro e fora do nosso estado. Tudo isso é fruto de trabalho árduo, meticuloso, elaborado com responsabilidade e respeito ao interesse público, de maneira a retribuir ao bom contribuinte cada centavo recolhido de tributo. Por conseguinte, as nossas qualidades se sobrepõem às mazelas que por aí se encontram.

Cada gestão de colegas do Sindifisco acrescenta algo de bom para a nossa classe. As qualidades de todos que por lá passam, vão se sobrepondo umas às outras, e somadas, demonstram que a categoria evolui. É preciso crer que as disputas e divergências fazem parte da luta e todos, sem exceção, desejam o melhor para a categoria. O momento agora é de reconhecer o mérito de cada um e apostar na união, deixando de lado os ressentimentos. A migalha pode ser aceita sem ferir, sem arranhar nossos brios.

Por motivos de força maior não poderei comparecer à AGE, mas aproveito o momento para desejar aos amigos e colegas auditores fiscais, por quem tenho o maior respeito e gratidão, o melhor natal de todos os tempos e um ano novo repleto de realizações, com a concretização daqueles sonhos que antes pareciam distantes. Tudo é possível nessa vida. As mudanças começam interiormente em cada um de nós, silenciosa e solitariamente e tornam-se nossas maiores aliadas quando temos fé num futuro melhor.