PONTO DE VISTA
Nš 34
18 de dezembro de 2009
 
 

A SEMANA

Marcus Rogério Ribeiro
DF/Varginha

Quarta-feira, 16/12/2009, 21:10. A semana ainda não acabou, mas mostra-se de um matiz inesperado. Desde que cheguei à SEF, em 1994, talvez seja uma das semanas de maior relevância para a categoria fiscal. A recém-empossada direção do Sindifisco conseguiu, de forma louvável, a reabertura de negociação com o Governo. E, mais significativo ainda, foi a imediata apresentação de duas propostas por parte da Administração em apenas dois dias. Nada é por acaso.

Nosso movimento reinvindicatório, ainda que não tenha se transformado numa onda avassaladora, existe. Porém, esse movimento não é novo, não nasceu há um ano, nem há dois ou três. Trata-se, de fato, de um crescente e indiscutível estado de desânimo e desapego ao desenvolvimento das atividades fiscais regulares. Ninguém nega isso, porém pouco se discute a respeito. Os grandes trabalhos fiscais, resultantes de profundos estudos e investigações, fazem parte do passado. Hoje, “joga-se para cumprir a tabela”, e pronto. Com tantas disparidades e injustiças salariais reinando dentro de uma única categoria, o resultado não poderia ser outro. O Governo sabe disso, e inventa modos de injetar ânimos na classe fiscal de forma artificial e ardilosa, como o último decreto da Gepi, agindo como se fosse possível transferir vontades de um ser para outro. Esse estado de coisas incomoda muito mais a Administração do que nossa categoria, que segue, aos solavancos, esperando a tempestade passar. Se assim não o fosse, não haveria essas duas propostas em apenas dois dias. Ou alguém discorda?

O fato é que, de hoje até a assembléia convocada pelo Sindicato, na próxima segunda-feira, dia 21/12, teremos a ímpar oportunidade de recuperarmos nossa dignidade como profissionais de carreira típica de Estado. Temos de exigir mais. A proposta do governo ainda está fraca. A hora é agora. Chega de migalhas. Outras categorias de igual quilate (auditores federais, procuradores etc) conseguem aumentos substanciais a cada negociação. E nós estamos debatendo se aceitaremos, ou não, pouco mais de R$ 500,00 por mês. Se a crise financeira internacional houvesse, de fato, atingido as finanças mineiras, a construção da Cidade Administrativa teria sido interrompida. E não o foi. Logo, há “gordura” para se queimar. Além disso, se não agirmos agora, exigindo o que merecemos, enfrentaremos um cenário adverso nos próximos anos. Senão, vejamos.

O próximo ano que se avizinha será de transição. Em situações como essa, de forma inexplicável, não se faz nada em termos de administração pública no país. Logo, será difícil obtermos ganhos salariais em tal conjuntura. Assim, vamos para 2011. A frase a seguir, até as crianças já sabem: “Não posso fazer nada agora, estou arrumando a casa”. É o que ouviremos do futuro mandatário. Vamos para 2012: agora, sim, o horizonte está limpo para traçarmos nossos vôos. Apenas um detalhe: em janeiro, férias; fevereiro, carnaval. Logo, em março de 2012 daremos o pontapé no jogo de negociação com o futuro Governo. Mantidas as tradições, considerando que o jogo é lento, amarrado, com muitas “faltas” e prorrogação, no fim de 2012 receberemos uma proposta que será aprovada em assembléia do sindicato. De hoje até lá, serão três anos!

Nesse ínterim, as outras categorias (de igual quilate) já conseguiram a vinculação de seus subsídios aos dos ministros do STF. Subsídio? Bem que merecemos isso também, não acham?

Para finalizar, vou ousar apresentar minha proposta: janeiro/2010: ponto a R$ 0,75 + 500 pontos. Em junho/2010: ponto a R$ 0,80 + 500 pontos. Detalhe: estamos há mais de dois anos sem aumento. É o que penso. E feliz 2012 para todos nós!