PONTO DE VISTA
Nš 31
5 de novembro de 2009
 
 
DEFENDER NOSSA PROFISSÃO É PRECISO!

Carlos Roriz Silva
AFRE – PF Extrema

Colegas,

Muitas pessoas utilizam o sindicato para promoção pessoal, sempre apresentando os resultados como eu fiz, eu consegui, o que fiz foi o melhor ou ótimo. E uma pena! Qualquer resultado obtido é consequência de como o adversário vê a disposição de luta ou qual será o prejuízo que tomará se não atender às reivindicações. Para o servidor público é mais complicado, pois, o governo sempre colocará as implicações políticas para decidir qualquer coisa. As implicações econômicas virão depois. Assim, ficamos muito pequenos! Pior ainda, quando muitos colegas só participam das lutas quando são lideradas pelo grupo a que pertencem, torcendo, no íntimo, para que não dêem certo as lutas que não liderem.

A história da Fiscalização de Minas é assim desde que entrei há 15 anos, e dizem os colegas antigos que a melhor época foi muito antes disso. O que vejo hoje é cada um defendendo o seu lado: comissão, cursos, fazendo as contas em cada tostão...

Quase 20 anos de minha vida trabalhei em empresas e, quando insatisfeito, procurava outra e dava um cheque-mate. Fui professor e não tinha medo que alguém se intitulasse professor sem ser. Trabalhei como engenheiro e não tinha medo de que alguém se intitulasse engenheiro. Como servidor não pode ser assim, pois temos que defender as nossas atribuições.

Aqui, também, quanto mais preguiçoso intelectual, mais disposição para participar de um trem (os famosos “trens da alegria”). Querer se transformar em fiscal sem concurso é o que temos de impedir.

Nunca tinha sentido medo devido à possibilidade de perda de titularidade. Nunca tinha sentido que um dirigente irresponsável poderia com uma penada passar a titularidade para outro grupo de forma ilegal e tivéssemos que ficar discutindo a questão no Poder Judiciário. Tudo começa com a visão de que o servidor público é dispensável como tal. Daí, a remuneração é tratada como salário tipo CLT, com produtividade, salários extremamente diferenciados, tudo defendido por pessoas privilegiadas naquele momento.

Sinto que os governantes querem também quebrar a estabilidade. O resto está quebrado: segurança profissional, remuneração, aposentadoria. A solidariedade depende do que vai ocorrer com o bolso de forma imediata.

Colegas deixam de ser colegas! Outros se encostam ao topo para pegarem sua “boquinha”, mas querendo ter uma perna na base tentando mostrar serviço. O dicionário chama isso de servilidade.

Quanto a mim, deixei o IPTU de São Paulo para ser fiscal de Minas. Posso me aposentar e não faço, pela precariedade da profissão, da remuneração e da união.
Na vida, temos que ter eternamente uma pergunta em nossa mente, que é o que representamos em cada situação, o que somos diante de nós e dos outros (AA, Governantes). Os outros se aproveitam do que pensamos de nós próprios. Não havendo reação, eles vão sempre adiante. A subserviência sempre foi fundamental para a dominação. O Materialismo Dialético chama a classe média de pequeno-burguesa por causa disto. O desejo de parecer com quem forma o Poder burguês. Se não puder parecer em relação ao Poder, tenta parecer no consumo. Afinal de contas, deixamos a linhagem dos primatas, que só comem bananas por algum motivo. Não deixem que só comamos bananas, que estão no mercado a preço de bananas. Daqui a pouco vão escolher as bananas que devemos comer. Vejam a decisão sobre volantes.

Precisamos defender nossa profissão. Defender nossa profissão não é apenas defender nossa remuneração, nossos interesses pessoais. Precisamos aplicar uma teoria de tudo, incluindo nós próprios nas mobilizações, mídia, publicidade, política, outros servidores. Simples assim... Agora estamos em processo de eleição sindical. O ano que vem teremos nacionais e precisamos cuidar delas com carinho. Precisamos exigir de nosso Sindicato o máximo! Participar dele com vigor!

Saudações Sindicais.