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PONTO
DE VISTA
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Nš 24
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CARTA AOS FISCAIS Erich
Schmidt Caros Colegas, Estive em Belo Horizonte na AGE de 27/08/09 e por lá vivenciei experiências ricas, e na viagem de volta de nove horas tive tempo de meditar sobre nossos problemas que gostaria de externar com os senhores. Nessa reunião me chamou a atenção um senhor aposentado que trajava terno e gravata, portava uma bengala e por nenhuma vez deixou a sala. Ao reparar naquela figura e nas suas vestimentas me indaguei do porquê daquela formalidade, mas logo me veio que aquele senhor assim se trajava e ali se encontrava porque tinha orgulho de ter sido Auditor Fiscal do Estado de Minas Gerais. Este sentimento dele não se refletia no semblante dos colegas que o cercavam e que lotavam aquela sala. O que se percebia neles era um sentimento exatamente oposto. Não via neles orgulho em exercerem seus cargos, em serem o que são. Percebo naqueles que convivem comigo a falta de brio que esta condição nos causa. Então comecei a refletir sobre o movimento, no porquê chegamos a este ponto e lembrei que o fórum dos novatos criticava os comissionados, chamando-os de prostituídos. Então verifiquei que até o momento criticamos comissionados, criticamos a alta administração (A.A.), o governo, a crise, a diretoria do sindicato, mas não refletimos sobre nosso papel individual neste processo reivindicatório. Então vejamos, todos tivemos perdas salariais este ano e por maioria decidimos por lutar por melhoras em nossas condições, e ao analisarmos ao nosso redor os colegas no trabalho, em conversas e os relatos de colegas de todo o estado percebo que cada um possui uma forma diferente de justificar a sua não participação no movimento. Posso enumerar algumas: participações em O.S. que os propiciam trabalhar naquilo em que desejam ou viver onde querem, ter dependentes e por isso não poderem ter perdas salariais, terem participado do movimento de 1993, não gostarem da atual diretoria do sindicato, estarem fartos de lutar, não quererem se indispor com seus superiores, não colocar em risco uma almejada posição, a manutenção temporária em posto de fiscalização ou até mesmo o olho grosso que seu superior faz para suas ausências em horário de trabalho. Enfim uma infinidade de argumentos que cada um pode se dar, mas que no fundo só fazem justificar para si próprios o porque não lutam contra a condição indesejada onde se encontram. Antes de criticarmos os superiores que cumprem as ordens recebidas, e não é por estes meandros que desejo permear, temos que realizar uma autocrítica como membros de uma carreira e como indivíduos que a constituem. Se estes portadores de cargos em comissão se vendem, colegas à nossa volta o fazem por muito menos!!! Vendem sua dignidade, orgulho e amor próprios por horas a menos de trabalho, pela não redução do ponto, pelo não desconto de dois dias de trabalho em folha, por suas pretensões pessoais, pela chantagem do plus, pela ilusão da chegada de uma nova administração, entre muitas outras justificativas. Convoco a todos a fazerem uma autocrítica e se posicionarem. Não deixarem o colega se indispor sozinho. A situação está neste patamar por este comportamento individual. Todos reconhecem isso, mas não saem de suas zonas de conforto. A força está na união e coesão! Clamo a todos os colegas que se posicionem a favor do movimento, não a favor do sindicato x ou y, mas a favor de sua dignidade, de seu amor próprio, do seu orgulho, do seu valor!!! Clamo que se tornem senhores de si! Que tenham orgulho em dizer aos outros que é Auditor Fiscal do Estado de Minas Gerais! Que conquistem a admiração de seus filhos, esposos, pais, parentes e mesmo da sociedade! E tenham vontade e satisfação de sair de seus lares, realizar dignamente seu trabalho e defender esta casa que tanto orgulho já causou em tantos colegas de outros tempos. A administração não trabalha sozinha, realizou uma série de erros que nos colocou neste impasse, como, por exemplo, não ter revisto as regras do plus quando sabidamente enfrentaríamos uma crise, e agora, se recusando a assumir suas atitudes errôneas, transferem para a classe sua responsabilidade. Enfrentamos perdas salariais de proporção por estas atitudes inconseqüentes e ainda maiores poderão vir. Assim como nenhum governante governa sem governados, nenhum administrador exerce seu poder sem ter comando sob seus subalternos. Não permitamos que o povo mineiro pague as conseqüências geradas pelas vaidades desta administração. Nós não somos responsáveis por esta crise, mas somos responsáveis pela situação em que nos encontramos. Sem lutar por nossos objetivos não os alcançaremos. Respeito não se pede, se conquista! Não permitamos que sejamos reduzidos ao que pretendem. Assim como foram liberadas verbas extraordinárias de R$ 196 milhões para pagamento de aumentos em folha do TJMG, nós podemos conquistar nosso plano de carreira, um salário condizente e tratamento digno. Isso só depende de cada um de nós. Sem risco não há ganhos, sem luta não há conquista e sem trabalho não há movimento! Quanto vale seu orgulho e dignidade? Cabe agora a cada um refletir, pesar e tomar a atitude em prol daquilo que julga merecer. Para finalizar deixo uma reflexão de Albert Einstein a respeito das crises: “Não
podemos querer que as coisas mudem
se sempre fazemos o mesmo. A crise é a
maior benção que
pode acontecer as pessoas e aos
países, porque a crise traz
progressos. A criatividade nasce
da angústia assim como o
dia nasce da noite escura. É na
crise que nascem os inventos, os
descobrimentos e grandes estratégias.
Quem supera a crise se supera a
si mesmo sem ter sido superado. |