REPERCUSSÕES
DO SONORO “NÃO” NA
NOSSA ASSEMBLEIA: EVITAREMOS
A MORTE DO ESTADO?
Inocêncio
Duarte de Oliveira Rocha
AFRE, DFT BH
inocenciodaft@yahoo.com.br
Ouvi
algo parecido com a frase a seguir
num programa National Geographic
de abril de 2009: “- além
das interpretações,
nada poderemos fazer para mudar
a história passada, mas,
a partir da realidade, poderemos
mudar a história do futuro.”
Falava aquela reportagem sobre dizimação de chimpanzés
e outros bichos mundo afora, mas poderia ser sobre a nossa extinção
como AFRE ou a extinção do Estado pela morte das Secretarias
de Fazenda (o fenômeno não é só nosso).
A primeira oração pareceu-me um eco da frase pronunciada por
nosso secretário de Fazenda há pouco tempo em mesa de negociação,
quando dizia tudo da política salarial na SEF já estar definido
no acordo de 2007; que às reivindicações atuais dizia: “não,
não e não!”, e “a autonomia da fiscalização é impossível”,
ou seja, nossa dizimação como classe pensante era definitiva,
revertendo-nos, de carreira típica de Estado constitucionalmente estabelecida
(como bem nos disse o Ponto de Vista nº 21), a reles funcionários
públicos, às ordens dos comissionados e teleguiados por interesses
econômicos, políticos e privados dos governos, ao estilo da velha
mania prussiana de rasgar a Constituição a baionetas.
Naquele momento, apesar dos esforços do Sindifisco-MG ao expor a iminente
condição depreciativa dos AFRE’s, os graves efeitos sobre
a carreira, na arrecadação, a total perda de identidade e com
submissão da SEF, todas orquestradas pela política de tratamento
do funcionalismo gerenciada pela Seplag (já que a SEF e seus antigerentes
comissionados, agora despersonalizados, só cumprem ordens), fez-se moucos
ouvidos.
Nossos rogos nos levaram à Assembleia, mobilização e enfrentamento.
Ou seja, quanto à segunda oração, a adversativa, cabe
a nós não acreditar nas palavras negativas e definir o tamanho
daquilo tido como “impossível cirênico”.
E o movimento, um “batista” de 2.000 anos, com alguns vendo de
longe, outros rindo das nossas ações, alguns contestando, alguns
acreditando, outros tirando acesso ao site do Sindifisco-MG, etc. e um grupo
sinédrico e farisaico comissionado contribuindo para estratégias
de humilhação dos colegas fiscais, culminando com as OS punitivas
e repressão. Quantos herodianos neste império, quantas salomés!
Seriam Hipócritas cirinocos, vazados?
Na procura da Justiça (maiúscula) a AGE deu um sonoro “não” que
suplantou a tríade negativa acima. E agora a SEF, pelos seus porta-vozes
vem repisar que “tudo ficou impossível para os servidores de pasta”,
mesmo correndo a bocas moucas nos corredores da SEF um aumento entre 17 e 23
% na gratificação de comissionados (homenageando o belo gerenciamento
e a Semana da Pátria). Seria sim para eles e não para nós.
Me desculpem, colegas: para mim, impossível é apenas uma palavra
escudo, usada por gente fraca e que prefere viver no mundo como está,
em vez de usar o poder que tem para torná-lo melhor. Impossível
não é um fato definido e acabado, não passando de uma
infeliz opinião manifesta naquele pretérito mesquinhário,
da qual os bons homens tem condão de retratar-se, demonstrando ser também
altivos e não reles vermes (como vêm subservientes nossos comissionados).
Impossível não chega a ser nem uma declaração,
porque esta necessita de consistência, conteúdo, inexistente neste “impossível”,
tanto em valores financeiros, quanto jurídicos.
Impossível não passa de hipótese temporária que
derrubaremos com nossos esforços. Impossível soou-me mesmo como
um desafio ao qual um lutador não dá as costas e só vigorará até o
dia que quisermos dar-lhe um basta, passando a ser menos hipócritas,
menos covardes ou submissos.
Eis o valor do nosso sonoro “não”: não aceitar a
condição presente e tentar mudá-la para o futuro. O “não” na
AGE foi de indignação perante a realidade, demonstrando ser possível
a coerência e matar a sede por Justiça a pequenos goles.
Exercite-se e prepare-se para a luta, pois a nossa Lei Orgânica exigirá mais
que sua indignação, para o AFRE não chegar à extinção,
senão será a implosão do próprio
Estado. 