Novas
Formas de Luta
Cláudio
Alves
AFRE, DF Pouso Alegre
Colegas
auditores, meu nome é Cláudio, do concurso de 1985, DF/Pouso
Alegre. Não escrevo bem como os colegas que costumam manifestar seus
pontos de vista neste espaço, mas o que está em jogo aqui é algo
bem maior que o meu ego ou o receio de críticas: trata-se do futuro
da carreira a qual nós todos pertencemos e da necessidade de reação
contra a tentativa de destruição da mesma. Todos nós,
de delegacias ou de postos fiscais, estamos sob ataque e precisamos reagir
juntos.
Estive no CDA do dia 03/09 e apresentei as ideias que foram fruto de discussão
na nossa unidade. Cinco minutos é um tempo incrivelmente longo para
quem está se afogando, mas incrivelmente curto para se apresentar ideias
de novas formas de luta no nosso movimento reivindicatório. Tentarei
explicar melhor aqui.
Inicialmente devo esclarecer que participei ativamente de todos os movimentos
reivindicatórios que ocorreram nesses últimos 24 anos (e foram
vários...). Não estou, portanto, atacando ou defendendo essa
ou aquela Diretoria. Reconheço a garra e o empenho do Matias, do Lindolfo
e dos demais presidentes. Tenho grande respeito por eles, embora não
concorde com todas as suas ideias, o que é normal e saudável
numa democracia.
O que eu e a maioria dos auditores aqui da DF propomos é um sindicalismo
mais adaptado ao século XXI e a nossa carreira, típica de Estado,
que exerce poder de polícia sobre a sociedade. Não consideramos
produtivos os atos públicos da forma como vem sendo conduzidos. Somos
poucos em número, não causamos impacto quando reunimos 200 pessoas
em praça pública (seria um bom número, sim, para ocupar
uma repartição e fazer um ato público voltado para o público
interno). Corremos, ainda, o risco de nos mostrarmos fracos e sem prestígio
junto a sociedade sobre a qual devemos exercer nosso papel de polícia.
O mesmo auditor que panfletou pessoalmente junto a um comerciante e, de certa
forma, buscou seu apoio, pode ter que fiscalizá-lo no futuro. Também
acreditamos em atos públicos como forma de atacar a imagem do governo,
porém imaginamos atos MASSIVOS, em conjunto com outros servidores com
os quais a população se identifica, como os servidores da educação,
da saúde, etc, e ITINERANTES, perseguindo o governador e seus candidatos
nas principais cidades do Estado. Nesses atos poderíamos participar
com faixas de apoio à luta dos servidores em geral e teríamos
o dever moral de continuar participando deles mesmo quando nossas reivindicações
forem atendidas. Usaríamos, assim, nossas habilidades de liderança
e articulação, sem expor nossas fraquezas junto a sociedade.
Cremos que o efeito sobre o governador “perfeito” seria muito maior
e eficaz.
Concordamos e estimulamos outdoors, panfletagem (eletrônica e em papel)
e todas as formas de mídia que ataquem as falhas deste governo, porém
com uma ressalva: mídia certa para o público certo. O que for
dirigido ao cidadão comum precisa falar sobre contas caras, IPVA caro,
gastos com propaganda excessivos, etc. O que for dirigido a comerciantes e
contadores deve mencionar, por exemplo, a ST como forma de suprimir o tratamento
diferenciado nas pequenas empresas, o fim do incentivo para compra de ECF,
etc. Mensagens curtas e objetivas e, se possível, com a logomarca de
outros sindicatos também, para mostrar que a insatisfação
não existe só na SEF. O governador “perfeito” tem
telhado de vidro, afinal.
Na linha da coesão interna, além das medidas já colocadas
desde o início do movimento, propusemos a divulgação de
um manifesto, em nome dos auditores não comissionados, pedindo a troca
do comando da SEF (secretário, sub, Sufis, Sutri, etc) caso a situação
não se normalize até uma data determinada. O Sindifisco-MG deveria,
a nosso ver, pedir a manifestação ESCRITA dos auditores não
comissionados que gostariam de ser excluídos do manifesto . A seguir,
cópias do referido manifesto seriam entregues a todos os deputados estaduais
e federais mineiros (quem sabe de outros Estados também?) e releases
para os principais jornais de SP,RJ,BA e outros Estados de grande densidade
eleitoral. Objetivo: expor a situação crítica da falta
de credibilidade do atual comando (qualquer semelhança com o caso Lina
Vieira é mera coincidência). Ainda nessa linha propusemos a ativação
de uma senha especial para votação de temas relevantes, no nosso
site, a fim de dar agilidade e confiabilidade às consultas feitas à classe.
Na linha de receita propusemos que cada unidade opte por seguir a linha AI/DAF
mínimos ou a linha das operações dirigidas, nunca com
o mesmo objetivo que o governo, obviamente. O objetivo dessa flexibilidade é o
de diminuir divisões internas quanto ao melhor método de batalha.
Na nossa opinião isso só faz aumentar a coesão do movimento.
Também propusemos questionar junto ao Ministério Público
o descumprimento de alguns termos de protocolo de intenções,
bem como elaborar e divulgar dados sobre a quantidade de receita que o Estado
abre mão ao conceder regimes especiais (na área da nossa DF o
número deles é altíssimo). Por fim, sugerimos verificar
irregularidades (em especial o valor correto) em notas fiscais destinadas a
Prefeituras mineiras, o que por certo criaria constrangimentos políticos
generalizados.
Tudo isso, enfim, e tantas outras boas sugestões que nossos colegas
divulgam, deve ser encarado como contribuição ao movimento, no
sentido de novas formas de luta surgirem no horizonte. Apesar da contundência
com que talvez elas tenham sido apresentadas no CDA não houve a intenção
de desmerecer ninguém, nem de desqualificar outras formas de sindicalismo.
Tudo na vida tem seu tempo, e o tempo do sindicalismo de rua, que ainda funciona
para diversas categorias profissionais, precisa ser repensado, à luz
dos nossos dias, e modernizado. Prova disso é que já temos utilizado
diversas formas de enfrentamento durante esta campanha salarial, e com risco
mínimo. Todas boas ideias, que vem perturbando o governo. O que apresentamos
foi fruto de debate interno e sempre com carinho pela categoria.
É oportuno lembrar que risco mínimo não significa covardia.
Significa dificultar e incomodar o inimigo, que não pode simplesmente
cortar o dia do grevista. Significa dificultar o trabalho dos feitores que temos
ao nosso redor. Significa gerar uma adesão muito maior ao movimento do
que a greve pura e simples (afinal 1993 ainda está na memória;
foi uma bela luta, mas fomos derrotados na época).
Alonguei-me demais. A situação que a SEF vem enfrentando realmente
tem me perturbado bastante. Aos colegas, peço que reflitam com carinho
sobre nossas sugestões. Aperfeiçoem-nas. Se não as utilizarmos
agora, já ficam aqui registradas como sugestões para a próxima
campanha salarial. Sim, porque se não tivermos breve nossa Lei Orgânica,
com um plano de carreira justo e à altura de uma carreira como a nossa,
haverá ainda muitas delas... Muitos CDAs, muitas AGEs, mais feridas
abertas... Deus nos livre!!!...
“A
suprema definição
de insanidade é continuar
a fazer as coisas da mesma
maneira e esperar obter resultados
diferentes” (John Kenneth
Galbraith)