PONTO DE VISTA
Nš 22
10 de setembro de 2009
 
  

Novas Formas de Luta

Cláudio Alves
AFRE, DF Pouso Alegre

Colegas auditores, meu nome é Cláudio, do concurso de 1985, DF/Pouso Alegre. Não escrevo bem como os colegas que costumam manifestar seus pontos de vista neste espaço, mas o que está em jogo aqui é algo bem maior que o meu ego ou o receio de críticas: trata-se do futuro da carreira a qual nós todos pertencemos e da necessidade de reação contra a tentativa de destruição da mesma. Todos nós, de delegacias ou de postos fiscais, estamos sob ataque e precisamos reagir juntos.

Estive no CDA do dia 03/09 e apresentei as ideias que foram fruto de discussão na nossa unidade. Cinco minutos é um tempo incrivelmente longo para quem está se afogando, mas incrivelmente curto para se apresentar ideias de novas formas de luta no nosso movimento reivindicatório. Tentarei explicar melhor aqui.

Inicialmente devo esclarecer que participei ativamente de todos os movimentos reivindicatórios que ocorreram nesses últimos 24 anos (e foram vários...). Não estou, portanto, atacando ou defendendo essa ou aquela Diretoria. Reconheço a garra e o empenho do Matias, do Lindolfo e dos demais presidentes. Tenho grande respeito por eles, embora não concorde com todas as suas ideias, o que é normal e saudável numa democracia.

O que eu e a maioria dos auditores aqui da DF propomos é um sindicalismo mais adaptado ao século XXI e a nossa carreira, típica de Estado, que exerce poder de polícia sobre a sociedade. Não consideramos produtivos os atos públicos da forma como vem sendo conduzidos. Somos poucos em número, não causamos impacto quando reunimos 200 pessoas em praça pública (seria um bom número, sim, para ocupar uma repartição e fazer um ato público voltado para o público interno). Corremos, ainda, o risco de nos mostrarmos fracos e sem prestígio junto a sociedade sobre a qual devemos exercer nosso papel de polícia. O mesmo auditor que panfletou pessoalmente junto a um comerciante e, de certa forma, buscou seu apoio, pode ter que fiscalizá-lo no futuro. Também acreditamos em atos públicos como forma de atacar a imagem do governo, porém imaginamos atos MASSIVOS, em conjunto com outros servidores com os quais a população se identifica, como os servidores da educação, da saúde, etc, e ITINERANTES, perseguindo o governador e seus candidatos nas principais cidades do Estado. Nesses atos poderíamos participar com faixas de apoio à luta dos servidores em geral e teríamos o dever moral de continuar participando deles mesmo quando nossas reivindicações forem atendidas. Usaríamos, assim, nossas habilidades de liderança e articulação, sem expor nossas fraquezas junto a sociedade. Cremos que o efeito sobre o governador “perfeito” seria muito maior e eficaz.

Concordamos e estimulamos outdoors, panfletagem (eletrônica e em papel) e todas as formas de mídia que ataquem as falhas deste governo, porém com uma ressalva: mídia certa para o público certo. O que for dirigido ao cidadão comum precisa falar sobre contas caras, IPVA caro, gastos com propaganda excessivos, etc. O que for dirigido a comerciantes e contadores deve mencionar, por exemplo, a ST como forma de suprimir o tratamento diferenciado nas pequenas empresas, o fim do incentivo para compra de ECF, etc. Mensagens curtas e objetivas e, se possível, com a logomarca de outros sindicatos também, para mostrar que a insatisfação não existe só na SEF. O governador “perfeito” tem telhado de vidro, afinal.

Na linha da coesão interna, além das medidas já colocadas desde o início do movimento, propusemos a divulgação de um manifesto, em nome dos auditores não comissionados, pedindo a troca do comando da SEF (secretário, sub, Sufis, Sutri, etc) caso a situação não se normalize até uma data determinada. O Sindifisco-MG deveria, a nosso ver, pedir a manifestação ESCRITA dos auditores não comissionados que gostariam de ser excluídos do manifesto . A seguir, cópias do referido manifesto seriam entregues a todos os deputados estaduais e federais mineiros (quem sabe de outros Estados também?) e releases para os principais jornais de SP,RJ,BA e outros Estados de grande densidade eleitoral. Objetivo: expor a situação crítica da falta de credibilidade do atual comando (qualquer semelhança com o caso Lina Vieira é mera coincidência). Ainda nessa linha propusemos a ativação de uma senha especial para votação de temas relevantes, no nosso site, a fim de dar agilidade e confiabilidade às consultas feitas à classe.

Na linha de receita propusemos que cada unidade opte por seguir a linha AI/DAF mínimos ou a linha das operações dirigidas, nunca com o mesmo objetivo que o governo, obviamente. O objetivo dessa flexibilidade é o de diminuir divisões internas quanto ao melhor método de batalha. Na nossa opinião isso só faz aumentar a coesão do movimento. Também propusemos questionar junto ao Ministério Público o descumprimento de alguns termos de protocolo de intenções, bem como elaborar e divulgar dados sobre a quantidade de receita que o Estado abre mão ao conceder regimes especiais (na área da nossa DF o número deles é altíssimo). Por fim, sugerimos verificar irregularidades (em especial o valor correto) em notas fiscais destinadas a Prefeituras mineiras, o que por certo criaria constrangimentos políticos generalizados.

Tudo isso, enfim, e tantas outras boas sugestões que nossos colegas divulgam, deve ser encarado como contribuição ao movimento, no sentido de novas formas de luta surgirem no horizonte. Apesar da contundência com que talvez elas tenham sido apresentadas no CDA não houve a intenção de desmerecer ninguém, nem de desqualificar outras formas de sindicalismo. Tudo na vida tem seu tempo, e o tempo do sindicalismo de rua, que ainda funciona para diversas categorias profissionais, precisa ser repensado, à luz dos nossos dias, e modernizado. Prova disso é que já temos utilizado diversas formas de enfrentamento durante esta campanha salarial, e com risco mínimo. Todas boas ideias, que vem perturbando o governo. O que apresentamos foi fruto de debate interno e sempre com carinho pela categoria.

É oportuno lembrar que risco mínimo não significa covardia. Significa dificultar e incomodar o inimigo, que não pode simplesmente cortar o dia do grevista. Significa dificultar o trabalho dos feitores que temos ao nosso redor. Significa gerar uma adesão muito maior ao movimento do que a greve pura e simples (afinal 1993 ainda está na memória; foi uma bela luta, mas fomos derrotados na época).

Alonguei-me demais. A situação que a SEF vem enfrentando realmente tem me perturbado bastante. Aos colegas, peço que reflitam com carinho sobre nossas sugestões. Aperfeiçoem-nas. Se não as utilizarmos agora, já ficam aqui registradas como sugestões para a próxima campanha salarial. Sim, porque se não tivermos breve nossa Lei Orgânica, com um plano de carreira justo e à altura de uma carreira como a nossa, haverá ainda muitas delas... Muitos CDAs, muitas AGEs, mais feridas abertas... Deus nos livre!!!...

“A suprema definição de insanidade é continuar a fazer as coisas da mesma maneira e esperar obter resultados diferentes” (John Kenneth Galbraith)