REFLEXÕES
SOBRE O MOVIMENTO
Alípio
Pereira
AFRE, PF Extrema
alipio.pereira@gmail.com
Segurança jurídica talvez seja o conceito jurídico mais
forte com que eu tive contato até hoje. É aquela história
da ratoeira:
Chegou um pacote ao sítio e o rato, muito curioso foi verificar do que
se tratava e era uma ratoeira.
O rato correu assustado e foi conversar com a vaca, que lhe respondeu: Ora,
Sr. rato eu não vejo como a ratoeira possa me afetar.
Então o rato foi conversar com o porco que lhe respondeu: Veja, Sr rato,
o sr. me desculpe, mas não vejo como tal assunto possa me interessar.
O rato então procurou a galinha, que lhe disse: Nunca vi uma galinha
ser atingida por uma ratoeira.
O rato ficou cabisbaixo e, naquela noite ouviu-se um estalo dentro da casa.
Era a ratoeira que havia desarmado.
A dona da casa foi verificar o que tinha ocorrido e era uma cobra que tinha
caído na ratoeira e picou a dona da casa.
Bem como a dona de casa adoeceu, e canja é bom para doente, lá se
foi a galinha pra panela.
Como a dona de casa demorava a se recuperar e começou a receber muitas
visitas, e era de costume oferecer alguma coisa aos visitantes, nada melhor
do que uma costelinha de porco, um torresminho, e lá se foi o porco.
Mas a saúde da dona da casa piorou e esta veio a falecer e, como viriam
a parentada de longínquos lugares e muita gente ao enterro, lá se
foi a vaca pro brejo para atender tal demanda de alimentação.
Disse isso porque primeiro a administração fechou Unaí e
aguardou qual seria nossa capacidade de reação, depois fechou
alguns outros postos sob o pretexto de que precisavam de reformas e aguardou
nossa capacidade de reação e, mais à frente fechou o Posto
de Iturama, desta vez, agravando a situação dos colegas que foram
removidos de súbito para Uberaba, a mais de 200 quilômetros de
distância, num ensaio para ver o que nós conseguiríamos
fazer.
Tendo dado certo e nós não tendo tido capacidade de reação,
ou nossa reação não os amedrontou, partiram para as mudanças
nos demais postos fiscais, paulatinamente.
Assim também está ocorrendo agora com a mudança da escala.
Mudou num Posto Fiscal sob pretexto de que lá trabalha um sindicalista
e o posto fiscal está muito aguerrido ao movimento.
Depois implantaram em Uberaba que não estava tão engajado assim.
Uma vez implantada mudança com sucesso nesses postos pilotos, a coisa
vem para todo mundo, sindicalista, não sindicalista, lacrador, não
lacrador, etc.
E aí eu questiono o seguinte:
Logo que ingressei no fisco, estava lotado no PF de Extrema, depois estava
lotado na AF Pouso Alegre e classificado no PF de Extrema, pois caso contrário
teria direito a receber diária. Depois estava lotado na DF Pouso Alegre
e agora estou lotado da DFT de Extrema e a classificação ficou
em aberto, podendo o Delegado Fiscal me enviar para qualquer dos postos da
DF, segundo o entendimento da Administração, bem externado pela
moreninha petulante em Varginha, quando fomos fazer a "opção".
O que garante que amanhã não haverá uma fusão entre
a DFT de Extrema e a de Poços de Caldas e, num segundo momento haja
uma fusão da DFT Sul com a DFT de Divinópolis e assim por diante,
culminando com nossa lotação em BH com amplitude para todo o
Estado?
A ideia vai muito além do movimento. A coisa começou quando o
Fuad esteve em Extrema e disse: Com o Toninho do sindicato não dá para
conversar, então eu decidi conversar diretamente com a categoria.
Foi então que o Fuad mudou unilateralmente a regra de reajuste automático
do ponto e na época alguns colegas disseram que o diálogo, o
olho no olho é que era mais produtivo.
Resultado: Quando chegou a época do reajuste, já com as regras
unilaterais do Fuad, este disse que o ponto estava congelado, também
unilateralmente. Qual foi o resultado prático do diálogo.
Então, não me engano. O que existe desde o tempo do Fuad é uma
tentativa de cooptação do sindicato (toda a chapa anterior está comissionada)
ou o atropelamento do sindicato, a fim unilateralmente impor as mudanças
conveniente ao neoliberalismo, no sentido de promover uma promiscuidade entre
o poder público e o interesse privado de grupos.
O pano de fundo é o sindicato, mas antes da rivalidade entre o sindicato
e a administração, existe a tentativa de venda interestadual
de um modelo de subjugação do fisco, por parte da administração
da SEF, no bojo da venda de um modelo de boa administração estadual.
Os colegas da DF devem refletir. A instabilidade que hoje paira sobre os Postos
Fiscais, amanhã poderá dar margem a um modelo de uma DF abranger
vários municípios, talvez uma única DF em Belo Horizonte
com abrangência em Sub DFs espalhadas pelo Estado e, como nós
hoje não estamos tendo estabilidade na classificação,
também na DF amanhã, inexistirá estabilidade na classificação,
salvo se as mãos estiverem permanentemente com talco e creme amaciante
posicionado em partes específicas do TODO PODEROSO DELEGADO.
O que está ocorrendo é a subjugação do fisco, transformando
uma carreira típica de Estado, numa carreira operacional de linha de
produção.
A reação tem que ser rápida e efetiva.
Afinal, de que me adiantará aposentar-me numa carreira medíocre?
Uma carreira medíocre vai conseguir me assegurar um nível mínimo
de renda na aposentadoria?
Uma carreira medíocre conseguirá obter alguma coisa do governo? 