PONTO DE VISTA
Nš 19
25 de agosto
 
  

REFLEXÕES SOBRE O MOVIMENTO

Alípio Pereira
AFRE, PF Extrema
alipio.pereira@gmail.com


Segurança jurídica talvez seja o conceito jurídico mais forte com que eu tive contato até hoje. É aquela história da ratoeira:
Chegou um pacote ao sítio e o rato, muito curioso foi verificar do que se tratava e era uma ratoeira.
O rato correu assustado e foi conversar com a vaca, que lhe respondeu: Ora, Sr. rato eu não vejo como a ratoeira possa me afetar.
Então o rato foi conversar com o porco que lhe respondeu: Veja, Sr rato, o sr. me desculpe, mas não vejo como tal assunto possa me interessar.
O rato então procurou a galinha, que lhe disse: Nunca vi uma galinha ser atingida por uma ratoeira.
O rato ficou cabisbaixo e, naquela noite ouviu-se um estalo dentro da casa. Era a ratoeira que havia desarmado.
A dona da casa foi verificar o que tinha ocorrido e era uma cobra que tinha caído na ratoeira e picou a dona da casa.
Bem como a dona de casa adoeceu, e canja é bom para doente, lá se foi a galinha pra panela.
Como a dona de casa demorava a se recuperar e começou a receber muitas visitas, e era de costume oferecer alguma coisa aos visitantes, nada melhor do que uma costelinha de porco, um torresminho, e lá se foi o porco.
Mas a saúde da dona da casa piorou e esta veio a falecer e, como viriam a parentada de longínquos lugares e muita gente ao enterro, lá se foi a vaca pro brejo para atender tal demanda de alimentação.

Disse isso porque primeiro a administração fechou Unaí e aguardou qual seria nossa capacidade de reação, depois fechou alguns outros postos sob o pretexto de que precisavam de reformas e aguardou nossa capacidade de reação e, mais à frente fechou o Posto de Iturama, desta vez, agravando a situação dos colegas que foram removidos de súbito para Uberaba, a mais de 200 quilômetros de distância, num ensaio para ver o que nós conseguiríamos fazer.
Tendo dado certo e nós não tendo tido capacidade de reação, ou nossa reação não os amedrontou, partiram para as mudanças nos demais postos fiscais, paulatinamente.
Assim também está ocorrendo agora com a mudança da escala. Mudou num Posto Fiscal sob pretexto de que lá trabalha um sindicalista e o posto fiscal está muito aguerrido ao movimento.
Depois implantaram em Uberaba que não estava tão engajado assim.
Uma vez implantada mudança com sucesso nesses postos pilotos, a coisa vem para todo mundo, sindicalista, não sindicalista, lacrador, não lacrador, etc.
E aí eu questiono o seguinte:
Logo que ingressei no fisco, estava lotado no PF de Extrema, depois estava lotado na AF Pouso Alegre e classificado no PF de Extrema, pois caso contrário teria direito a receber diária. Depois estava lotado na DF Pouso Alegre e agora estou lotado da DFT de Extrema e a classificação ficou em aberto, podendo o Delegado Fiscal me enviar para qualquer dos postos da DF, segundo o entendimento da Administração, bem externado pela moreninha petulante em Varginha, quando fomos fazer a "opção".
O que garante que amanhã não haverá uma fusão entre a DFT de Extrema e a de Poços de Caldas e, num segundo momento haja uma fusão da DFT Sul com a DFT de Divinópolis e assim por diante, culminando com nossa lotação em BH com amplitude para todo o Estado?
A ideia vai muito além do movimento. A coisa começou quando o Fuad esteve em Extrema e disse: Com o Toninho do sindicato não dá para conversar, então eu decidi conversar diretamente com a categoria.
Foi então que o Fuad mudou unilateralmente a regra de reajuste automático do ponto e na época alguns colegas disseram que o diálogo, o olho no olho é que era mais produtivo.
Resultado: Quando chegou a época do reajuste, já com as regras unilaterais do Fuad, este disse que o ponto estava congelado, também unilateralmente. Qual foi o resultado prático do diálogo.
Então, não me engano. O que existe desde o tempo do Fuad é uma tentativa de cooptação do sindicato (toda a chapa anterior está comissionada) ou o atropelamento do sindicato, a fim unilateralmente impor as mudanças conveniente ao neoliberalismo, no sentido de promover uma promiscuidade entre o poder público e o interesse privado de grupos.
O pano de fundo é o sindicato, mas antes da rivalidade entre o sindicato e a administração, existe a tentativa de venda interestadual de um modelo de subjugação do fisco, por parte da administração da SEF, no bojo da venda de um modelo de boa administração estadual.
Os colegas da DF devem refletir. A instabilidade que hoje paira sobre os Postos Fiscais, amanhã poderá dar margem a um modelo de uma DF abranger vários municípios, talvez uma única DF em Belo Horizonte com abrangência em Sub DFs espalhadas pelo Estado e, como nós hoje não estamos tendo estabilidade na classificação, também na DF amanhã, inexistirá estabilidade na classificação, salvo se as mãos estiverem permanentemente com talco e creme amaciante posicionado em partes específicas do TODO PODEROSO DELEGADO.
O que está ocorrendo é a subjugação do fisco, transformando uma carreira típica de Estado, numa carreira operacional de linha de produção.
A reação tem que ser rápida e efetiva.
Afinal, de que me adiantará aposentar-me numa carreira medíocre? Uma carreira medíocre vai conseguir me assegurar um nível mínimo de renda na aposentadoria?
Uma carreira medíocre conseguirá obter alguma coisa do governo?