PONTO DE VISTA
Nš 10
27 de abril de 2009
 
  
O nosso momento é agora e sempre!

Carlos Roriz Silva
AFRE – PF Extrema


Faço este documento para apresentar algumas reflexões sobre o momento de luta em que vivemos. Quando estamos lutando por algum objetivo, quer seja remuneratório ou por melhores condições de trabalho, nós estamos sempre aprendendo uns com os outros, com as atitudes de nossos dirigentes e com o ambiente que nos cerca. Neste aprendizado mútuo, nosso e do outro lado da linha, se observarmos esta linha, quantas surpresas nós presenciamos! Surpresas para uns, confirmação para outros.

Alguns parâmetros que caracterizam a linha que nos separa daqueles que deveriam atender as nossas reivindicações são os seguintes:
– O primeiro é que para nós isto não é uma guerra, no sentido de considerar que o outro lado é constituído de inimigos;
– O segundo é que o outro lado nos trata como inimigos, ao não considerar de forma séria nossas reivindicações, protelando-as, com o intuito prático de recusa, em reuniões intermináveis e tratando de forma desproporcional qualquer movimentação reivindicatória;
– O terceiro é o seu uso do poder remuneratório discricionário, com a criação de cargos, o que reduz o poder fiscalizador ao reduzir o contingente fiscal na base, com a finalidade de obter um contingente de controle desta base;
– O quarto é que nosso poder não está no econômico, apesar de necessário, mas em nossa coesão, em relação a justeza de nossas reivindicações e formas de mobilização;
– O quinto é que o outro lado é mais rápido em suas atitudes, em suas arregimentações, em fortalecer e engordar o seu lado da linha divisória, esclarecendo os neófitos de que não aceita indecisão. Um fator indicado por Sun Tzu, em "A Arte da Guerra", é exigido que seja seguido: as leis morais, que significam seguir o guia, o comandante, de forma incontinente. O outro lado tem o comandante fora da Categoria. O nosso guia são nossas próprias decisões;
– O sexto é que a base é sempre indecisa, quando se trata de pressionar aqueles que passam a linha divisória e vão trabalhar contra ela e a favor de quem deveria atender as suas reivindicações. Muitos trabalham pelo outro lado sem nenhum acréscimo remuneratório, por medo, por discordâncias ideológicas, por não ter absorvido a importância fundamental do poder do conjunto, único poder que uma categoria possui para seus enfrentamentos. Ora, as reivindicações conjuntas são para todos sem exceções, logo, pelo princípio da justiça, todos devem saber quem está lucrando com a luta alheia.

Devemos levar em conta a balança nunca estar equilibrada, pois sempre corremos atrás de prejuízo em relação à remuneração, às condições de trabalho, a escolha do tempo melhor. Como também, levar em conta que nunca recebemos nada de graça, como uma benesse de quem nos deve remunerar. Por eles, nossos salários seriam congelados, rebaixados e nossas condições de trabalho seriam mantidas por nós mesmos.

Acrescente-se ainda o uso de uma mídia subserviente ao poder político, compondo um arremedo de democracia, palavra esta, que não me sinto a vontade para escrever com letra maiúscula. Subserviente por que? Por dependência de limitações econômicas? Não: por não terem pulado a linha que separa a visão aristocrática, concentradora, de bem estar para uns; da visão pública, de bem estar para todos. Se enganar é preciso, que seja feito, eis o lema.

Na verdade, constituímos uma Carreira de Estado que lida com o erário, não podemos servir como peças de xadrez para que hierarquias superiores apareçam diante dos políticos, nem como trunfos de políticos diante do público. Enfim, nós existimos, aumentar o nosso poder fiscal não é bom para muitos, daí surge o descaso às nossas condições de trabalho e a nossa remuneração. O nosso momento é este e sempre!