PONTO DE VISTA
Nš 05
18 de março de 2009
 
  

Respeito do Início ao Fim da Carreira

Edna Lúcia Ferreira Dias
AFRE – DF Contagem

Quando ingressamos no serviço público, no “pacote” estava incluído o direito à PARIDADE entre o funcionário ativo e o inativo. Estabilidade, aposentadoria integral e pensão integral para a família em caso de morte, que traduzindo podemos chamar de SEGURANÇA. Em razão disso, dentre outras coisas, decidimos “gastar” a nossa fase mais produtiva dentro da instituição, na expectativa de uma VALORIZAÇÃO do ser humano até o fim da vida, direito que a iniciativa privada negava, e ainda nega, à maioria.

As gerações de fiscais passadas conseguiram manter esse direito, que o governo Lula, quem diria, acabou retirando dos trabalhadores em geral, restando apenas para os que ingressaram antes de 2003. Mas mesmo para estes, vem sendo SONEGADO, por meio de artifícios ILEGAIS criados com intuito de se eximir de pagar a quem quer que seja.

A leitura que se faz é: “Você só é importante enquanto está com vigor. Você só recebe enquanto estiver ‘dando o sangue’. Depois? Não nos interessa, você é que se vire. Doente não traz resultados.” Espera aí? NÃO SOMOS DESCARTÁVEIS. FALTA RESPEITO: respeito ao ser humano, à fragilidade e falibilidade inerentes ao ser humano, respeito ao ciclo de vida.

Se agora o “novo pacote” retira a aposentadoria integral, a inatividade por doença ou outros afastamentos como a LICENÇA MATERNIDADE, e em caso de morte, a pensão integral, temos que rever o “preço”. Temos que incluir no orçamento uma aposentadoria privada, um seguro saúde... Se só temos VALOR na ativa, temos que “COBRAR MAIS CARO” enquanto em atividade. Muitos têm tempo para se aposentar e não se aposentam por causa das perdas, os aposentados têm sofrido as perdas, e os que estão na ativa têm que se prevenir, pois a qualquer momento podem ser surpreendidos por uma situação consequente à fragilidade humana. E aí? Como é que fica?

Quando estamos longe da aposentadoria, não nos preocupamos com ela. Mas É UM GRANDE ERRO. É um direito que temos que defender. SE NÃO VALORIZAMOS O DIREITO QUE TEMOS, A QUALQUER MOMENTO ESTAREMOS ABRINDO MÃO DELE. Mesmo que não estejamos usufruindo dela ainda, precisamos refletir que SE NÃO LUTARMOS HOJE PARA MANTER UM DIREITO, AMANHÃ CHORAREMOS SUA PERDA.

Em conversas com muitos colegas, percebe-se que um pensamento tem contaminado parte da fiscalização da SEF: “a paridade compromete o orçamento; a folha aumenta demais”. Passa-se a justificar a atitude do governo em razão do orçamento. MAS ISSO NÃO É ARGUMENTO NOSSO. TEMOS QUE NOS VALORIZAR. EXIGIR RESPEITO. LUTAR POR TODOS. E LEVAR A SÉRIO ESSE MOMENTO DE LUTA. NOSSA LUTA É SÉRIA. É IMPORTANTE. É VITAL. É por nós. Por nosso DIREITO DE VIVER bem hoje e sempre. Direito/dever de exercermos bem nosso trabalho. Direito de descansar e repor as forças. É por nosso DIREITO DE ADOECER, de nos afastarmos se adoecemos ou tratamos nossa saúde. DIREITO DE AFASTARMOS DEFINITIVAMENTE do trabalho após deixarmos NOSSA CONTRIBUIÇÃO.

Precisamos de nos engajar na luta. TODOS. A HORA AGORA É DE AGIR. Lamentar não resolve. AGIR EM DEFESA PRÓPRIA: pelos colegas ATIVOS de todas as “espécies”, pelos INATIVOS de todas as “espécies” (HOJE ELES, AMANHÃ NÓS) e pelos que morreram e deixaram família (HOJE ELES, AMANHÃ NÓS).

É LUTANDO QUE ESTAREMOS HONRANDO A MEMÓRIA DOS AMIGOS QUE SE FORAM E QUE, INFELIZMENTE, NÃO BASTASSE O SOFRIMENTO GERADO PELA ENFERMIDADE, SOFRERAM EM SEUS ÚLTIMOS DIAS DE VIDA O CONSTRANGIMENTO E A HUMILHAÇÃO DE TEREM QUE TRABALHAR DOENTES, NUM ÚLTIMO ESFORÇO DE PROPORCIONAR ÀS SUAS FAMÍLIAS OS RECURSOS FINANCEIROS NECESSÁRIOS AO SEU DIGNO SUSTENTO.

É LUTANDO QUE ESTAREMOS DEMONSTRANDO SOLIDARIEDADE AOS QUE FICARAM: EXERCENDO O PODER DE MUDAR A REALIDADE ATUAL E O PODER DE EVITAR QUE OUTRAS HISTÓRIAS LAMENTÁVEIS VENHAM A OCORRER EM NOSSO MEIO.

É LUTANDO QUE ESTAREMOS DANDO UM BASTA NESTA FALTA DE RESPEITO!