|
PONTO
DE VISTA
|
Nš 09
|
|
|
|
|
A
escolha de cada um
Danilo
Vilela Prado Escolhemos individualmente em muitos casos. Ouvimos solitariamente aquela voz interior que muitas vezes nos empurra a decidir. Essa solidão do ser é providencial. É o momento que temos para nos encontrar com a divindade que vive em nós, a qual é referida na bíblia e em tantas outras bibliografias religiosas. Mas raramente nos damos conta de que escolhemos com o nosso íntimo, pois no ritmo acelerado da vida moderna, as escolhas muitas vezes são feitas para atender às pressões sociais, aos costumes e para conviver melhor com as pessoas. Escolhemos desde criança se queremos manipular o meio em que vivemos ou se vamos ser manipulados. Escolhemos normalmente o que é mais fácil e dá maior prazer. Buscamos o que dá realização em detrimento de uma vida mais modesta e desprendida. Escolhemos nos apegar a bens materiais, a ter orgulho de nós mesmos, a viver no “efeito manada”, por medo de enfrentar dores nesta vida. Optamos a todo instante por enxergar só aquilo que queremos, optamos por lutas que nos deem satisfação pessoal e por nos omitir ou desconhecer aquelas situações de aflição alheia. Enfim, por quantas vezes a escolha é pelo comodismo de viver. Não que exista o certo ou o errado nas escolhas. Por quantas delas nos arrependemos amargamente e por quantas delas nos sentimos orgulhosos, realizados, integrado em determinado meio? Porém, inexoravelmente, somos afetados de alguma maneira por viver assim, tendo que fazer opções que muitas vezes não sabemos se serão as mais acertadas. E quanta dor às vezes causamos nas pessoas, em virtude de escolhas erradas? Quantas vezes decididos por voltar atrás, para tentar consertar um erro? O encanto das escolhas está no desfazer delas se assim nos interessa. Nada é definitivo, fica tudo de acordo com os interesses do momento ou dos planos de vida. Até que chega um tempo em que paramos, ou somos parados para refletir, por algum motivo alheio às nossas escolhas. Especialistas recomendam escolhas saudáveis de vida, desde a prática de exercícios físicos, alimentação adequada, meditação, sono na medida certa, controle do estresse, mas, principalmente, e aí está o grande desafio: levar uma vida sem rancor, ressentimento ou amargura. Todas essas escolhas se revelam corretas, mas a mais acertada e difícil é a de “limpar a alma” de sentimentos pequenos, egoístas, de competição, vaidade e orgulho. Após esse esforço, a própria vida recompensa as pessoas. Muitas
escolhas não compensam, mas só tomamos
essa consciência mais adiante, porque
no afã de resolver de imediato aquilo
que nos aflige, perdemos um pouco de nossa
capacidade de análise. As escolhas serão
tão mais acertadas quanto maior for
o nosso tempo de reflexão. E o melhor é que
sempre poderemos escolher, seja continuar nossas
empreitadas, desistir, modificar ou abandonar
os planos. Essa é a grande dádiva
do livre arbítrio. |