PONTO DE VISTA
Nš 07
23 de março de 2009
 
  
DA 15ª ESTAÇÃO EM DIANTE

Inocêncio Duarte de Oliveira Rocha
AFRE – DFT BH
inocenciodaft@yahoo.com.br

Colegas,

Apenas oito parágrafos. É tempo de sermos convidados a meditar: sobre nós mesmos, os colegas e a realidade na qual vivemos como Auditores Fiscais no Brasil, talvez na construção de uma Lei Orgânica, que a nós é necessária, entre tantas lutas.

Para ajudar a subsidiar a reflexão sobre nossa atual luta por campanha salarial, Lei Orgânica e melhorias da carreira, nada melhor que um paralelo da Via Dolorosa a servir-nos de base. Daí o nome do texto: “da 15ª Estação em diante”, um ponto de reflexão e ressurreição para todos nós.

Segundo o teólogo D. Estevão Bettencourt, osb, em publicação da Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”, Nº 368, Ano 1993, Pág. 2, discorrendo sobre o relato do peregrino Inglês, Willian Wey, que esteve na Terra Santa em 1458 e 1462, o exercício da Via Crucis teve origem nas Cruzadas, é uma antiga prática franciscana em 14 [ou 15] Estações conjugadas aos Evangelhos dos cristãos e consiste em que se percorra mentalmente o sacrifício cruel a que foi submetido um homem judeu, possivelmente um rabino, após ser traído, preso, flagelado, condenado, obrigado a carregar um madeiro nos ombros, desde o pretório do governador Pilatos, até o monte Calvário, sobre o qual, pregado por centuriões, fora morto, muito embora as Estações vistas por Wey fossem bem diferentes das atuais divulgadas nas igrejas, em várias partes do mundo. Quem não a conhece, é só procurar na internet. É uma rica tradição.

Este relato atravessou os séculos e milênios e serve, como relato filosófico, de ponto de partida para nosso breve exercício mental, pois nosso momento não é muito diferente daquele “condenado”: todos temos um “lenho” nos ombros, somos traídos pela falta de transparência em todas as atitudes que nos são cobradas – e até por colegas fiscais! – esbofeteados, presos, flagelados e condenados, e ainda somos obrigados a sustentar todos os funcionários do Estado, desde o Palácio do Governo, até os Postos e Delegacias Fiscais, além das nossas famílias. Pois os fiscais arrecadam para quê?

Vamos refletindo e comparando aquelas Estações em nossa história. Não é cronologia perfeita, mas momento de rever nosso posicionamento e dizer o nosso “basta”, antes de sermos definitivamente enterrados. Tentemos raciocinar. Façamo-lo em assembleia.
Na sua reflexão poderá colocar o conteúdo que quiser. Cheguei até a fazer uma sugestão escrita de reflexão, mas como ficou longa, tento poupar os amigos de ser enfadonho. No futuro a disponibilizarei aos interessados pelo e-mail. Por agora, boa imaginação ao contemplar as Estações.

 
OS FATOS HISTÓRICOS
PARA NOSSA REFLEXÃO
 
Sexta feira, 03 de abril de 0033 D.C.
Quinta feira, 19 de março de 2009.
Jesus é condenado à morte Neoliberalismo, Choque de Gestão ...
Jesus carrega a sua cruz AVPS, O.S. punitiva, fiscal não-órgão ...
Jesus cai pela primeira vez SUPER-SEPLAG, cheque especial ...
Jesus encontra sua mãe Perdemos calados: mãe, esposa e família.
Simão Cirineu ajudou-o com a cruz “- Não! Não! Não!”
Verônica dribla os centuriões e enxuga sua face Como será que colegas gerentes usarão seus véus? Temerão os centuriões?
Jesus cai pela segunda vez O “plus” – saudade deste engodo?
Jesus consola mulheres de Jerusalém Deixem de lamentos! Unamo-nos.
Jesus cai pela terceira vez Formamos classes distintas de fiscais? Por que tanta divisão entre nós?
10ª
Jesus é despojado de suas vestes Comeram o meu queijo: Gepi, carreira, promoção, letrinha, lotação, classificação ... Quantas dedadas ainda levaremos?
11ª
Jesus é pregado na cruz “ - Quero os milhões perdidos na crise mundial; chegue a ‘chibata’ neles, obriguem a controle de evasão ...”
12ª
Jesus morre na cruz, mas é traspassado pela lança do centurião Colegas morrendo doentes no trabalho ou fazendo papel de centuriões?
13ª
Jesus é descido da cruz Cadáveres não precisam de equiparação; confiscaram minha aposentadoria.
14ª
Jesus é colocado no sepulcro Será que estamos mortos e enterrados, cordeiramente adestrados, centuriões?
15ª
A Ressurreição Nossa UNIÃO na ASSEMBLEIA.
...
O Espírito Resgate do nosso espírito de luta ...

Depois desta cruzadinha de reflexão das 15 Estações, nossa união representará a última Estação, para podermos seguir em frente. Então, aí, saberemos do caminho. Quer morramos, quer vivamos, tudo depende só de nós.