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O
TRABALHO EM PLANTÃO |
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a Constituição de 1988 admite-se oficialmente
no Brasil o que cientistas sabiam há muito tempo: o trabalho em
turnos de revezamento é prejudicial à saúde e bem estar dos trabalhadores.
Tanto é que Ela diz que a jornada de quem trabalha em turnos ininterruptos
de revezamento deve ser de seis horas, isto é, inferior à jornada
de oito horas dos que trabalham em horários normais. Esta diminuição
de duas horas seria uma espécie de compensação para o desgaste
do trabalho. A constituição estabelece a "jornada de seis horas
para o trabalho realizado em turnos initerruptos de revezamento,
salvo negociação coletiva". Os problemas de adaptação dos ritmos circadianos são a principal causa da intolerância ao trabalho em turnos e os efeitos negativos sobre a saúde manifestam-se como uma sensação de mal-estar generalizado e de cansaço, alterações no sono, insônia, dispepsia, diminuição da atenção e da performance, e um aumento na incidência de patologias dos aparelhos digestivos, neuropsíquico, cardiovascular e sobre a função reprodutiva feminina. A principal função alterada é o sono. Em longo prazo, tal condição pode levar a graves e persistentes distúrbios do sono e favorecer a manifestação de síndromes neuropsíquicas, como cansaço crônico, atitudes de comportamento negativo, ânsia e depressão, que muitas vezes requerem a ingestão de medicamentos psicotropicos ou soníferos. Graças a estudos, atualmente se conhece razoavelmente a estrutura do sono. Sabe-se que o sono apresenta estrutura complexa composta de pelo menos 5 fase distintas, segundo a atividade elétrica cerebral, determinadas por mecanismos neurofisiológicos distintos e têm funções biológicas também distintas: os estados 1, 2, 3 e 4, também chamados de sono de ondas lentas (SOL), e o sono paradoxal(SP). O SOL é considerado um sono de recuperação física, é um período no qual a motilidade é reduzida, mas ainda há a permanência de algum tônus muscular, os movimentos oculares são reduzidos e muito lentos, as freqüências cardíaca e respiratória são regulares e a temperatura central do organismo diminui. É uma fase em que se sonha pouco e os sonhos são difíceis de recordar. O SP é o sono de recuperação psíquica. Durante esta fase o indivíduo apresenta movimentos rápidos e bilaterais dos globos oculares, as extremidades dos membros e face apresentam contrações musculares, as freqüências cardíaca e respiratória são irregulares, a atividade metabólica é mais elevada do que no SOL devido à atividade cerebral mais intensa e há uma depressão do tônus muscular. Nesta fase os sonhos são mais freqüentes, mais precisos e ricos de detalhes e sensações. Em uma noite normal de sono, o SOL é interrompido ciclicamente pelo SP em intervalos de 90 a 100 minutos, cerca de 5 a 6 vezes no decorrer do sono. A duração do SP vai de poucos minutos a cerca de 20 minutos, aumentando progressivamente à medida em que aproxima o final da madrugada. O despertar, geralmente, ocorre no período SP. Todas as características do sono são circadianas e quando há alterações nos horários de dormir e trabalhar, ou seja, quando há uma mudança de sincronizadores, modifica-se a estrutura interna do sono. Temos alterações na duração do sono e na relação entre a duração dos diferentes estados, em geral, com diminuição importante na quantidade de SP. A qualidade e a quantidade do sono são dependentes da hora do dia em que ele ocorre, do ambiente onde ocorre, sendo que o sono diurno é significativamente de menor duração se comparado com o seu sono noturno. Dormir pouco ou dormir mal se traduz por dificuldades em realizar tarefas, principalmente aquelas que exigem atenção intensa, que são monótonas e nas quais os trabalhadores não podem regular seu próprio ritmo de trabalho. Assim, pode-se considerar o plantonista um indivíduo com privação crônica de sono. Ele vai tentar recuperar este déficit nos seus dias de folga. É correto supor que o trabalho em plantões possa ter maiores ou mais específicos efeitos negativos sobre a saúde das mulheres, não só pela sua peculiar atividade hormonal e função reprodutiva, mas também em relação a condições de vida mais estressantes relacionadas com a pressão do tempo, de ter de combinar os horários de trabalho irregulares com as adicionais incumbências domésticas, em particular para aquelas casadas e, ou com filhos. Em nível individual a idade pode acentuar os efeitos
negativos do trabalho em plantões, pois ela mesma é, seguidamente,
associada a alterações dos ritmos circadianos, a distúrbios do
sono e a depressão psíquica. O trabalho deixa marcas nos indivíduos. Algumas são bem visíveis e identificáveis. Algumas marcas, porém, só são observáveis por olhos mais aguçados: não são devido a um tipo específico de atividade, mas a forma de organização do trabalho, que são o pano de fundo de inúmeras atividades. São marcas de desgaste, físico e mental, e aparecem não sob a forma de doenças específicas, mas, sim, de agravamento de doenças, de maior suscetibilidade a agentes nocivos, de cansaço, de sofrimento mental, de envelhecimento precoce. É o que acontece com quem trabalha em plantões. Por tudo o que foi dito até aqui, é fácil compreender que o trabalhador plantonista está, em relação ao trabalhador diarista, numa condição fisiológica e psicológica de inferioridade: mais cansado, mais estressado, mais vulnerável a agressões. Para aprofundar o assunto, pesquisas precisam ser realizadas, nossas situações concretas de trabalho analisadas por especialistas em Ergonomia e Medicina do Trabalho, os interessados chamados a dar suas respectivas opiniões. O envolvimento dos trabalhadores na definição da organização dos plantões não constitui somente uma condição democrática fundamental de participação das pessoas que irão sofrer conseqüências das decisões tomadas, mas constitui o único modo de compreender o exato valor da situação e, conseqüentemente, aceitar o plantão e ter, portanto, uma melhor tolerância ao trabalho em horários não usuais. Só assim, com conhecimento de causa, podemos chegar a compromissos que privilegiem as melhores soluções. O objetivo do artigo é o de suscitar discussão sobre o trabalho em plantões, chamar a atenção para o problema, trazer dados técnicos para reflexões, pois existe ainda um grande desconhecimento e preconceitos em relação ao trabalho em plantões. Excluindo este e o segundo parágrafo, o texto é fruto exclusivo de cópia quase literal da bibliografia citada. Foram introduzidas algumas mudanças ou adaptações. O termo "plantão" foi usado em substituição ao termo "turno". Observa-se que os turnos estudados, acima eram de 6, 8 ou 12 horas, não existindo nenhum estudo relacionado a turno de 24 horas, apenas uma referência à plantões médicos. Bibliografia
ricardo.araujo@fazenda é AFRE, tendo trabalhado nos Postos Fiscais de Extrema, Sete Lagoas, Juatuba e na 5º DF/BH. Atualmente está no PF Nova União. |