Estado de Minas, 20 de janeiro de 2005 - Primeiro Caderno - Seção- Política - Pág. 6
MINAS
- Gratificação para servidores
Rafael Pedrosa
Instituto Estadual de Florestas e Secretaria da Fazenda pagaram primeira
parcela do salário extra em dezembro. Experiência faz parte de
acordo
assinado com Secretaria do Planejamento
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Euller
Júnior
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Humberto
Candeias explica que média das gratificações equivale
a 120% do salário
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O Instituto Estadual de Florestas (IEF) distribuiu, em dezembro de 2004, R$ 645,6 mil entre seus 835 funcionários da ativa. Até março, mais R$ 168,8 mil devem ser distribuídos, totalizando um acréscimo de R$ 814 mil na folha de pagamento de seus servidores. O salário extra é uma novidade no governo estadual, implantada, por enquanto, apenas no IEF e na Secretaria de Estado da Fazenda. É a gratificação por produtividade, benefício concedido com base no cumprimento de metas de redução de despesas e aumento de receita.
De acordo com o diretor-geral do IEF, Humberto Candeias, os servidores do órgão receberam em média uma gratificação equivalente a 120% de seu salário-base. Esse percentual varia de acordo com alguns critérios, entre os quais o valor da remuneração. Quem tem remuneração maior, recebe mais. Um supervisor, por exemplo, que tem um salário-base de R$ 1.550, recebeu um prêmio de R$ 2,1 mil, afirmou Candeias.
Apenas os órgãos que assinarem um acordo de resultados com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) podem conceder a gratificação por produtividade. O IEF foi o primeiro a fechar acordo, no início do segundo semestre de 2004. A Secretaria da Fazenda também assinou. Os servidores fazendários receberam o benefício em dezembro, mas a secretaria não divulgou os valores distribuídos. A Seplag não revelou se pretende ampliar a experiência a outros órgãos este ano, nem explicou por que escolheu o IEF e a Fazenda para testar a novidade. Acho que a Seplag quis fazer um teste, para avaliar os resultados. Tenho certeza que, a essa altura, o balanço é muito positivo, afirmou Candeias.
No caso do IEF,
as multas ficaram de fora do cálculo da gratificação por
produtividade. Multa não é receita. O ideal é que
não exista multa alguma, que não haja infrações,
explicou Candeias. Para o cálculo da gratificação, são
consideradas as taxas florestais, calculada sobre a produção florestal
plantada ou nativa, e os recursos diretamente arrecadados (RDAs), que incluem
taxas de registro, cadastramento, e reposição florestal. Segundo
o acordo de resultados assinado pelo IEF, seriam destinados aos funcionários
da ativa 10% da ampliação de arrecadação da RDA,
comparando-se 2004 e 2003, e 4% da ampliação da arrecadação
da taxa florestal, no mesmo período.
Órgãos têm de cumprir as metas
A receita própria do Instituto Estadual de Florestas (IEF), relativa aos itens que entram no cálculo da gratificação por produtividade, registraram um aumento de quase 50% em 2004. Para o diretor-geral Humberto Candeias, o índice prova o sucesso dos acordos de resultados, que permitem o pagamento dessas gratificações.
No caso do IEF, entram no cálculo da gratificação as taxas florestais e os recursos diretamente arrecadados (RDA), que incluem taxas de cadastramento e reposição florestal, entre outras. Segundo números do IEF, o total arrecadado das taxas florestais, em 2002, foi de R$ 12 milhões. No ano seguinte, passou para R$ 17 milhões. Em 2004, ano que se refletiria na gratificação, a arrecadação quase dobrou, saltando para R$ 30 milhões. A RDA também cresceu, menos expressivamente. Passou de R$ 11 milhões, em 2002, para R$ 17 milhões, em 2003. Fechou 2004 em R$ 20,5 milhões.
Parte dos resultados apresentados pelo IEF, relativos a 2004, ainda estão sendo avaliados pela Seplag. Por esse motivo, nem todos os recursos destinados à gratificação foram distribuídos. Candeias prevê que não haverá problemas, e o restante será pago até março. O acordo de resultados estipulou também dez metas para o órgão. Ultrapassamos todas as metas, com exceção do licenciamento ambiental, onde só atingimos 70%. É que avaliamos mal a demanda, afirmou.
PRODUTIVIDADE
A criação da gratificação por produtividade,
apelidada de plus na Secretaria da Fazenda, dividiu os servidores.
O presidente do Sindicato dos Fiscais da Receita Estadual (SINDIFISCO), Lindolfo
de Castro de Castro, revela que alguns servidores beneficiados chegaram
a ameaçar deixar o sindicato, caso a medida fosse criticada. Outros,
como os aposentados, são hostis à medida, uma vez que ela só
atende os funcionários da ativa, e não se incorpora ao salário
para cálculo dos benefícios previdenciários. Na Receita
Federal e no Ceará isso também foi feito, mas eles destinaram
parte dos recursos para os aposentados, afirmou Castro.
O SINDIFISCO critica a exclusão dos aposentados e dos licenciados da gratificação por produtividade, mas evita opor-se frontalmente à medida. Não podemos ser contra melhorias remuneratórias para qualquer de nossos membros, ponderou Lindolfo de Castro . Ele defende que, ao invés da nova gratificação, teria sido melhor se o governo tivesse reajustado a Gratificação de Estímulo à Produtividade Individual (Gepi) dos servidores fazendários, que está congelada desde dezembro de 2002.