LOCUÇÃO: Bom dia. SINDIFISCO diz que ajuste fiscal do governo se deu em cima do arrocho salarial da categoria. Os fiscais de tributos de Minas Gerais lançaram, nesta quarta-feira, uma cartilha na qual mostram exatamente isso. O documento diz, ainda, que os servidores do Executivo foram o principal alvo desse arrocho salarial. Segundo o presidente do SINDIFISCO, Lindolfo Fernandes, a categoria não consegue reajuste salarial, perdeu benefícios e as condições de trabalho estão cada vez mais precárias.
LINDOLFO: Nós queremos, justamente, mostrar o lado perverso do modelo econômico que existe hoje – de transferência de renda do trabalho para o capital, do modelo de Estado do Robin Hood às avessas, que tira dinheiro do pobre para dar aos ricos e do modelo tributário injusto –, para esclarecer a população nesse momento, para que ela exija dos candidatos uma alteração nesse modelo.
Porque o que aconteceu com esse reajuste, na realidade, foi um congelamento da folha de pagamentos, um aumento da tributação em cima dos trabalhadores – que hoje bancam 80% da carga tributária – e a redução nos investimentos sociais que, em 2002 eram em torno de 70% da receita corrente líquida e, hoje, caíram para 42%. Ou seja; o aumento da receita, que foi de 61%, não foi revertido para melhoria do serviço público, com aumento de salário, aumentando-se o investimento na saúde, educação, segurança e etc e, sim, para ajustar o Estado para pagar os juros da dívida.
LOCUÇÃO: Lindolfo Fernandes acrescenta, que a dívida do estado com a União cresceu mais que em outros estados.
LINDOLFO: Em 98, quando o governador Eduardo Azeredo pagou a dívida, ela era R$ 18 bi. O Estado pagou R$ 22 bilhões nesse período e a dívida, hoje, está em 42 bilhões. É uma das maiores dívidas do país. Se compararmos com a receita real líquida do período, veremos que o endividamento de Minas Gerais, hoje, está em torno de 3,2 %, enquanto que a média brasileira de endividamento dos estados, segundo estatística do Ipea, é 2,2%.
REPÓRTER: Vocês questionam, também, os benefícios fiscais oferecidos pelo governo de Minas?
LINDOLFO: Sim. Os benefícios fiscais nada mais são do que a transferência de renda do setor público para o setor privado, engrossando o lucro das empresas. Com relação a esses benefícios que o governo anunciou recentemente, a sociedade não viu isso na redução dos preços, como o do pãozinho e outros bens e itens da cesta básica. Os benefícios fiscais em Minas Gerais estão em torno de 40%. O governo aumentou isso, mudou a metodologia, porque o SINDIFISCO vinha questionando. Não há o mínimo de transparência por parte do governo no tratamento dessa questão.
LOCUÇÃO: o
presidente do SINDIFISCO insiste que,
de 2002 a 2004, os servidores do Executivo perderam 17% do salário.
Ele ressalta que, no mesmo período, outras categorias conquistaram
ganhos, como o Ministério Público e o Judiciário.
LINDOLFO: A Reforma Administrativa
do governo Aécio foi o corte mais violento sobre o direito dos servidores:
reduziu qüinqüênio, adicionais por tempo de serviço,
tirou a política salarial de alguns setores, acabou com o apostilamento,
tirou a estabilidade de setores estratégicos. Foi uma reforma muito
violenta para os trabalhadores e cujos reflexos podem ser vistos claramente
nesta cartilha, quando se analisa a folha de pagamentos.
REPÓRTER: Com o lançamento dessa cartilha, dessa campanha pelo SINDIFISCO, o que vocês pretendem exatamente?
LINDOLFO: Nós pretendemos mostrar um outro lado da propaganda oficial, da eficiência do “Choque de Gestão” do governo, mostrando que é um governo que tira dinheiro de pobre para dar para rico e que não distribuiu renda. E que esse “Choque de Gestão”, na realidade, foi mais para acentuar essa concentração de renda.
LOCUÇÃO: 7h e 5min. O governador evita responder denúncias do SINDIFISCO. Na avaliação de Aécio Neves a população tem condição de acompanhar os fatos e reconhecer a realidade.
Aécio: De questões políticas eu não trato. Minas caminha como as pessoas percebem, caminha muito bem, obrigado. E quem se lembra do que era Minas Gerais três anos atrás, do ponto de vista, inclusive, de remuneração, certamente sabe o que nós fizemos em Minas Gerais. Hoje, é o contrário. Todos recebem adequadamente e em dia, e o Estado continuará progredindo nos salários, a partir de suas condições.