Jornal Correio, 18 de Abril de 2006

Caminhoneiro atravessa pista e é morto por Van
PEDRO POPÓ *

Vítima carimbaria guia de transporte de soja no posto fiscal da BR-365

VALTER DE PAULA
Morte na pista: a Van ficou parada na pista aguardando pela chegada da perícia

O caminhoneiro Adilésio Manoel de Borba, 39 anos, morreu ontem, por volta do meio-dia, ao ser atropelado quando atravessava a pista da BR-365, na altura do km 637, a 10 quilômetros de Uberlândia. Ele carimbaria uma guia de transporte de soja, que pretendia entregar a uma empresa esmagadora de grãos a dois quilômetros do local do atropelamento.

Adilésio viajava em direção a Uberlândia, estacionou o caminhão e se dirigiu ao posto fiscal da rodovia. A Van, placa HAN-3417, de Uberlândia, conduzida por João Batista Filho, 44 anos, que fazia o mesmo trajeto, não parou quando ele atravessava. Adilésio teve morte instantânea. O corpo foi trasladado ontem à tarde para o Paraná.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, as causas do acidente serão apuradas por meio de inquérito policial. O condutor da Van compareceu à Delegacia de Acidentes de Trânsito e prestou depoimento. Nos próximos dias, o delegado Adeuvaldo Ribeiro Neves vai ouvir as testemunhas: caminhoneiros e funcionários do posto fiscal.

O policial rodoviário Ernane informou que Adilésio havia carregado o caminhão, com 30 mil quilos de soja, numa fazenda às margens da MG-497, entre Uberlândia e Prata, pela manhã. Ele passaria no posto fiscal para carimbar a guia de transporte para regularizar a descarga. Adilésio era de Palotina (PR) e sempre fazia o mesmo itinerário.

Funcionários do posto fiscal reclamaram da falta de redutores na pista, em frente ao lugar. Um deles disse que os veículos trafegam pelo lugar em alta velocidade, aumentando o risco de acidentes e atropelamento de pessoas que se dirigem ao estabelecimento. O posto fica às margens da BR e é separado da pista apenas pelo pátio.

Sem querer se identificar, o funcionário pediu ao DNIT a instalação imediata de uma lombada eletrônica no local. "É a única maneira de se evitar o que aconteceu hoje", disse ele. Apesar do perigo que existe em frente ao posto, o atropelamento foi o único fatal registrado nos últimos dois anos. Porém, é comum a ocorrência de batidas no local.

Embora Adilésio tivesse se dirigido ao posto para carimbar a guia, mesmo se quisesse ele não conseguiria. No horário, os funcionários não atenderam nenhum caminhoneiro por estar em paralisação por reposição salarial. Nesta semana, eles vão ficar, todos os dias, oito horas com as portas fechadas, retornando o atendimento somente no fim da tarde.

*Repórter Especial