| INFORME
SINDIFISCO-MG |
Nº 206 |
11 de novembro de 2010 |
|
PEDIDO
DE DELEGAÇÃO DE ANASTASIA PASSA NA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO
E JUSTIÇA
|
Servidores
públicos protestam na ALMG e se posicionam contra novo “choque
de gestão”
|
Sob
protesto dos servidores públicos e embate dos deputados da oposição,
o pedido
de delegação do governo do Estado para elaborar leis delegadas alterando a estrutura
do Estado recebeu, na noite de ontem (10), parecer favorável da Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ). O relator da Mensagem 552/10, deputado Sebastião Costa (PPS),
apresentou parecer pela constitucionalidade da matéria na forma do Projeto de
Resolução; os únicos votos contrários foram dos deputados Padre João (PT) e Antônio
Júlio (PMDB).
A diretoria do Sindicato acompanhou, desde cedo, o início da tramitação do projeto na ALMG. A diretoria do SINDIFISCO-MG, juntamente com as lideranças sindicais do funcionalismo (Sind-UTE/MG, Sind-Saúde/MG e outras) e servidores públicos, protestaram contra a delegação ao governador, considerado um “cheque em branco” para Anastasia. O funcionalismo quer debater se há necessidade dessas mudanças, antes que sejam implementadas por meio de leis delegadas.
O Projeto de Resolução delega ao governador atribuição para elaborar leis delegadas até 31 de janeiro de 2011, com poderes para criar, incorporar, transferir, extinguir e alterar órgãos públicos. O governo também poderá criar, transformar e extinguir cargos de provimento em comissão e funções de confiança dos órgãos e entidades do Poder Executivo, bem como gratificações e parcelas remuneratória inerente, alterando-lhes as denominações, atribuições, requisitos para ocupação, forma de recrutamento, sistemática de remuneração, jornada de trabalho e distribuição.
ENTENDA
A TRAMITAÇÃO DO PROJETO
Depois de aprovado pela CCJ, o texto segue para o Plenário, recebe um número para se transformar em um Projeto de Resolução. A matéria retorna às Comissões e, depois, será votada em dois turnos pelo Plenário. Como o governo tem maioria na Assembleia, estima-se que medida deve ser aprovada até o meio de dezembro. |
A
verdade sobre o “choque de gestão”
As lideranças sindicais entregaram aos deputados da CCJ uma “Carta aberta à sociedade
mineira”, denunciando que o “choque de gestão”, implementado em 2003 por meio
de lei delegada, resultou em prejuízos inegáveis ao funcionalismo é a sociedade,
sobretudo a mais carente, que depende dos serviços essenciais prestados pelo
Estado.
“O pedido do governador Anastasia é a confirmação de que o ‘choque de gestão’ não passou de uma grande jogada de marketing, não resultando em nenhuma melhoria para a população. Afinal, se o propalado ‘choque de gestão’ alcançou resultados tão positivos nos últimos oito anos, por que tanta urgência em promover alterações na máquina administrativa? Isso não é uma incoerência?”, questionam as lideranças sindicais.
Ao final da carta, o funcionalismo espera que o Legislativo mineiro se posicione de maneira responsável e independente, não delegando ao governador o poder de executar mudanças sem discussão com a sociedade e servidores. “A experiência tem demonstrado que a ausência de debate em torno de questões que envolvem alterações na estrutura administrativa do Estado resulta em prejuízos para todos os envolvidos, e não apenas para os servidores.”
O presidente do SINDIFISCO-MG, Lindolfo Fernandes de Castro, distribuiu aos parlamentares a revista A verdade sobre o “choque de gestão” em Minas , lançada sem setembro pelo nosso Sindicato. A revista contribui para o debate, com informações, dados e análises, levando o leitor a refletir se o que é divulgado na mídia e nos discursos oficiais corresponde à realidade vivida pela população de Minas Gerais e, principalmente, se o propalado “choque de gestão” deve ser modelo para o País.
Indignação
da Oposição
Durante a fase de discussão, os deputados Antônio Júlio (PMDB) e Padre João
(PT) demonstraram indignação. O deputado Antônio Júlio teceu duras críticas
ao governo Aécio, afirmando que foi um governo para a elite, e também à ALMG,
que atendeu de forma subserviente os interesses da Fiemg (benefícios fiscais
e anistia). Acrescentando, ainda, que a Fazenda completou o resto, concedendo
anistia, via decreto, com endereço certo, faltando pouco para o deputado citar
o CPF dos beneficiários.
O deputado Lafayette de Andrada (PSDB) afirmou que o funcionalismo estava fazendo um “cavalo de batalha”, pois as mudanças não iriam interferir na vida do servidor. Posteriormente tal argumento foi rebatido por Padre João, que ressaltou que se a estrutura do Estado for alterada, bem como remuneração e gratificações, isso vai alterar a vida do servidor. Padre João apresentou, ainda, proposta de Emenda Constitucional – infelizmente rejeitada – para que os projetos de leis delegadas, decorrentes da Resolução, fossem apreciados pela ALMG na forma do artigo 72 da Constituição do Estado.
Mudança
na Fazenda Diante desse quadro, a diretoria do SINDIFISCO-MG convoca a categoria para ficar alerta e atenta a todo o processo na ALMG. “A Reforma Administrativa causou profundas mudanças na Fazenda, inclusive com perda de poder para o fiscal, tais como a criação de AFs sem subordinação às DFs, alterando a remuneração do cargo comissionado, sem estender ao apostilado”, lembra o presidente do SINDIFISCO-MG. Não podemos permitir que isso aconteça mais uma vez em Minas! Vamos nos mobilizar contra mais esse abuso! |