| INFORME
SINDIFISCO-MG |
Nº 165 |
31 de agosto de 2010 |
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FISCO
MINEIRO REUNIDO NA ABERTURA DO V Conefisco
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Confira
os destaques dos pronunciamentos e a palestra magna da Profa. Misabel Derzi
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“Este
Congresso passa a ser tradição do SINDIFISCO-MG e já se
consolidou como espaço fértil para o surgimento e troca
de ideias
entre a nossa categoria. E, nesse contexto de eleições, o momento é propício
para a realização do V Conefisco, uma vez que estamos no
meio de
um debate eleitoral e o tema central
do nosso Congresso “Carga tributária brasileira: excessiva ou injusta?” é de
grande importância, pois aflige toda a sociedade brasileira. Teremos, ainda,
várias outras questões que serão debatidas aqui, que estão
na pauta do nosso dia a dia.”
Com essas palavras, o presidente do SINDIFISCO-MG abriu, na noite de ontem (30), no auditório da Associação Médica de Minas Gerais, em Belo Horizonte, o V Conefisco – Congresso Estadual do Fisco Mineiro, e deu as boas vindas a todos os participantes, convidando-os a desfrutar da oportunidade de integração e crescimento conjunto.
Confira
também: Entrevista do presidente do SINDIFISCO-MG para a
Rádio Itatiaia
Compondo a mesa de abertura do V Conefisco, estavam o secretário
de Estado de Fazenda, Leonardo Colombini, representando o governador do Estado,
Antonio Augusto Anastasia, o secretário adjunto Pedro Meneguetti e o
presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital
(Fenafisco), Rogério Macanhão, além de Lindolfo de Castro
e o vice-presidente do SINDIFISCO-MG, Christiano dos Santos Andreata.
Na plateia, além de auditores fiscais da capital e do interior, prestigiaram a abertura do evento, o presidente da Casa do Jornalista, Eduardo Nunes Campos, e a coordenadora geral do Sindi-UTE, Beatriz Cerqueira, que foi homenageada pelo presidente do SINDIFISCO-MG. Lindolfo de Castro destacou a capacidade de liderança da sindicalista, à frente de uma greve de 40 dias de uma categoria valorosa.
Surpreendida pela homenagem, Beatriz Cerqueira afirmou: “Cada um de nós tem atribuições específicas, mas temos de ser respeitados e valorizados pelo Poder Público, e esta é uma bandeira única do funcionalismo”.
Após a solenidade de abertura, a professora Misabel Derzi, presidente da Associação Brasileira de Direito Tributário e ex-procuradora geral do Estado, ministrou a palestra magna com o tema “Reforma Tributária e Justiça Fiscal”.
Confira, abaixo, os destaques da noite de abertura.
Críticas
ao modelo econômico – Lindolfo de Castro
O presidente do SINDIFISCO-MG criticou o modelo econômico brasileiro,
de transferência de renda do trabalho para o capital financeiro, no qual
75% da carga tributária incide sobre o consumo e a mão de obra
e, por outro lado, em torno de 25% a 30% do que é arrecadado (cerca
de R$ 1,1 trilhão) vai para custear a dívida (juros e amortizações). “Temos
também um modelo de Estado Robin Hood às avessas, que retira
dinheiro de pobres para dar aos ricos”, enfatizou.
Lindolfo de Castro reiterou, ainda, que o fiscal tem, a cada dia, o seu poder coercitivo diminuído ou arranhado, sem boas condições de trabalho e sem autonomia funcional, além de enfrentar agora uma tentativa de invasão de atribuições na SEF/MG. “Devemos esclarecer a sociedade de que a classe fiscal é que legalmente tem a competência para o lançamento de tributos, sob pena de nulidade do ato”, destacou.
“Nós, sindicalistas, não podemos nos restringir somente a questões corporativas, é necessário fiscalizar e exigir que o dinheiro arrecadado seja destinado à melhoria de vida do povo brasileiro, principalmente das camadas mais carentes. Por isso lutamos pelo Estado do bem estar social de direito, que preste serviços públicos de qualidade, sobretudo nas áreas sociais, e distribua renda”, finalizou
Sistema
tributário com justiça fiscal – Rogério Macanhão
O presidente da Fenafisco destacou a preocupação do evento com
questões que afetam a sociedade como um todo, sem esquecer as questões
do Fisco. Macanhão aproveitou o V Conefisco para antecipar o
lançamento da revista “Visão Fenafisco”, cujo foco central da
primeira edição é a construção de um novo
sistema tributário nacional focado no desenvolvimento e na justiça
fiscal. A revista, de periodicidade trimestral, será lançada
oficialmente no dia 1º de setembro em Brasília, e distribuída
para toda a categoria na próxima semana.
Carga
tributária em benefício da sociedade – Leonardo Colombini
O secretário de Estado de Fazenda agradeceu o convite em seu nome e
do governador, demonstrando satisfação em participar da abertura
do V Conefisco. Colombini considerou o momento eleitoral adequado para
discussão do tema “Carga tributária brasileira: excessiva ou
injusta?”, afirmando, entretanto, ser difícil responder a essa pergunta.
“O país precisa discutir essa questão. É necessária uma reforma tributária que tenha uma carga que não pode ser injusta. Mas muito mais importante é que a sociedade cobre que a carga tributária seja revertida em seu benefício. O Estado, de forma ampla (federal, estadual e municipal), só existe para buscar recursos e retorná-los em benefício para a sociedade”, pontuou o secretário de Fazenda.
O
papel de Minas na reforma tributária – Misabel Derzi
A professora e doutora em Direito Público iniciou sua palestra agradecendo
a boa Administração Tributária de Minas Gerais, que ela
considera como modelo no País. Misabel Derzi observou que o tema do
evento demonstra a preocupação dos auditores fiscais com a justiça. “Os
senhores demonstram que não são apenas cobradores de tributos,
mas têm um ideal e persistem nele, preocupados com a justiça fiscal”.
A professora afirmou que acordos, convenções e presunções são práticas antigas, que existem desde a época do Brasil colônia, no início do século XVIII. “Essas técnicas estão em nossa origem e, por trás de tudo isso, reinava a desconfiança.”
Misabel Derzi pontuou que a reforma tributária que pretendemos fazer é difícil, pois a desconfiança profunda se mistura com a deslealdade e a insegurança. “Os interesses da União, Estados e Municípios são divergentes; o que bloqueia é a desconfiança entre os entes. E federalismo é lealdade, é confiança”, destacou. Ela lembrou, também, que a última e grande reforma tributária no sistema brasileiro foi em 1965, com a Emenda Constitucional nº 65.
“Qualquer reforma tributária que se pense no Brasil não terá êxito sem as Administrações Tributárias, sem os senhores. Precisamos de integração entre as Administrações Tributárias, e Minas Gerais tem essa responsabilidade. Uma palavra define nosso Estado: liberdade com integração.”
Durante sua palestra, a professora foi enfática em destacar a confiança, como a base da vida em todos os aspectos, e o seu papel principal: reduzir a complexidade. “Em todo sistema jurídico se encontra a confiança. As sociedades contemporâneas são muito complexas e utilizam a confiança. O problema é a desconfiança, que é um desvalor e que tem, também o mesmo papel de reduzir a complexidade, só que ainda mais drástico. O problema é quando a técnica da desconfiança (fraude, sonegação) passa por cima da técnica da confiança.”
Ela destacou a confiança na Administração Tributária, com lealdade entre as partes. “Tudo resulta de procedimentos, com tratamentos diferenciados: um tratamento de cidadão para o contribuinte padrão, o pagador de tributos; um tratamento duro para o sonegador contumaz, repetido.”
“É preciso haver integração das Administrações Tributárias, restabelecer a confiança entre os entes. Para os senhores, predigo uma atuação maior para tornar o nosso sistema correto, justo, com equidade. Não fujam do seu papel de buscar a Justiça, por um sistema correto, que seja revertido em educação, saúde para a população”, finalizou a professora Misabel Derzi.
O V Conefisco prossegue hoje (31/8) e amanhã (1º/9), com debates de questões tanto de interesse específico da categoria quanto de interesse mais amplo. |