Discurso de posse – SINDIFISCO-MG - 2009:

“Se eu fosse descrever o meu sentimento nesse momento, diria que é uma mistura de alegria, orgulho, preocupação e responsabilidade:

• Alegria por ter me candidatado a presidente três vezes e ter sido eleito em todas elas;
• Orgulho por ter o reconhecimento da categoria pelos serviços prestados ao longo desses anos;
• Preocupação por saber a gravidade dos problemas que a categoria está enfrentando;
• Responsabilidade porque todos anseiam por soluções a curto, médio e/ou longo prazo.

Mas, o que deve abordar um presidente no discurso da sua posse? Acho que devemos agradecer o apoio recebido e reafirmar nossos compromissos.

Agradecimentos

Tenho que agradecer a muita gente, mas não dá para citar todos os nomes. Então, mencionarei algumas pessoas e peço que todas as outras sintam-se, desde já, lembradas e homenageadas.

Agradeço minha família, minha esposa e meus filhos, por juntos dividirmos o nosso tempo em prol de uma causa coletiva. Sei que estou em débito com minha esposa. Segundo ela, eu quebrei o compromisso de não me candidatar mais para me dedicar à causa familiar... Celinha, desculpe-me se quebrei esse compromisso. Mas sei que você sabe da minha paixão pelo sindicalismo e reconhece a relevância desse tema, a importância do coletivo, tanto que você e meus filhos estão aqui comigo.

Quero homenagear e agradecer, também, os ex-diretores que, mesmo não sendo da diretoria que hoje toma posse, foram fiéis a um projeto e trabalharam comigo.

Agradeço, especialmente, ao pessoal da diretoria eleita, por topar esse desafio, e a tantas outras pessoas que voluntariamente trabalharam por nós...

Compromissos:

Temos em nossa instituição um cenário de marasmo e descrédito, onde se percebe, a olhos nus, que a ADMINISTRAÇÃO não consegue atrair os funcionários para iniciativas que poderiam aprimorar nossa capacidade de trabalho.

E por que isso? Porque a auto-estima da categoria está em baixa. Porque não temos um piso salarial compatível com a importância do cargo do auditor fiscal; porque há uma distância (fosso) salarial intransponível entre os que ingressaram recentemente na instituição e os que se encontram próximos do final de carreira; porque houve quebra de paridade entre ativos e aposentados; porque nossa remuneração está ameaçada de decrescer no presente e no próximo ano.

Como dissemos ao longo da nossa campanha, enfrentaremos os problemas supracitados, sabendo que não basta conseguir aumento de salários, é preciso corrigir algumas distorções:
• é preciso conseguir um piso compatível com a importância da nossa função;
• devemos combater esse descolamento da remuneração do ativo em relação aos aposentados, incorporando a conta reserva;
• temos que reenquadrar e/ou reposicionar os colegas na carreira;
a Gepi deve passar a fazer parte da base de cálculo do Qüinqüênio e do Adicional de Desempenho (ADE).

O prêmio de produtividade é assunto da Administração. Discutiremos somente a sua distribuição para aposentados, licença maternidade e tratamento de saúde.

Lembrando que, no médio e longo prazo, temos a luta pela nossa autonomia funcional, orçamentária e financeira. A proposta é a união de todos em torno de medidas efetivas que revertam o presente quadro e reconstituam nossa categoria como um corpo fiscal só.

Na primeira semana de nossa gestão, agiremos no sentido de tentar reabrir o diálogo com o governo e buscar uma contraproposta que contemple pelo menos alguns itens acima, além do aumento da Gepi: piso e transformação da Conta Reserva em Gepi.

O que a categoria deve esperar da nossa gestão?

Um sindicato de luta, sem atropelo de fases. Vamos procurar, exaustivamente, conversar, dialogar e negociar, mas não abriremos mão da razão de ser de uma entidade sindical: a mobilização e a luta! Entendemos que mobilização/luta e diálogo não são coisas conflitantes e podem ocorrer concomitantemente.

Desde minha primeira campanha para presidente do SINDIFISCO-MG, tenho reafirmado que uma categoria é valorizada, fundamentalmente, pela importância do seu trabalho e pelo reconhecimento que tem por parte da sociedade. Contudo, na luta por seus direitos, o Fisco deve também ser capaz de lançar mão da sua capacidade de organização e mobilização, o que está associado, de forma inequívoca, à LUTA sindical. Assim, buscaremos o profissionalismo e o fortalecimento das nossas ferramentas de luta. Proponho, desde já, que toda vez que dissermos um NÃO, essa recusa signifique uma forte ofensiva em nossa luta, evitando assim, sair de assembleias sem discutir formas de avançar nas negociações. Proponho, também, rever a posição de risco mínimo. Hora de reivindicar é hora de reivindicar, forte; hora de trabalhar é hora de trabalhar, e bem, até para fazer a diferença.

Viva a democracia e a luta dos trabalhadores!

Obrigado!