| INFORME SINDIFISCO-MG
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Nº 335 |
19 de novembro de 2009 |
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EM
AUDIÊNCIA NA ALMG, PRESIDENTE DO SINDIFISCO-MG DEFENDE
EXCLUSIVIDADE DO AFRE NO LANÇAMENTO DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO
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“Que
a investidura seja pela porta da frente, à luz do dia,
pelo concurso público e, não, por janela sombria”
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Auditores
fiscais da capital e interior compareceram hoje (19) pela manhã à Assembleia
Legislativa do Estado para acompanhar audiência pública que
debateu proposta apresentada pelo Sinffaz e Asseminas, de alteração
na Lei 15.464/05, que instituiu as carreiras do Grupo de Fiscalização,
Tributação e Arrecadação da SEF/MG. A audiência
foi promovida pela Comissão de Administração Pública
e conduzida por seu presidente, deputado Délio Malheiros.
Em função do grande público, o debate, marcado para as 10h e que seria realizado no Teatro da ALMG, foi transferido para o Plenário e iniciado às 10h30. Liberados pela Administração, cerca de 400 gestores, vestindo camisetas brancas, chegaram bem no início da manhã à Assembleia e lotaram o espaço reservado para a audiência. Os cerca de 70 auditores fiscais que compareceram à ALMG tiveram que assistir o debate de pé.
Além
dos parlamentares, participaram da audiência os presidentes do SINDIFISCO-MG,
Matias Bakir Faria, e do Sinffaz, Paulo César Marques. Representando
os secretários de Fazenda e de Planejamento e Gestão participaram,
respectivamente, o diretor da SRH, Paulo Márcio Bruno, e o assessor
Carlos Alberto Sicoli. Os advogados José Alfredo Baracho e Aristóteles
Atheniense se apresentaram como representantes da OAB.
Durante o debate, com falas veementes a favor e contra a proposta de alteração da Lei, ficou claro que o tema precisa ser amplamente discutido, inclusive com a participação do Ministério Público, como propôs o SINDIFISCO-MG, para que o resultado das discussões seja sempre em favor do interesse público. O deputado Délio Malheiros afirmou que a discussão não se encerraria ali, uma vez que há teses contrárias sobre a questão, o que impõe que o assunto seja debatido à exaustão.
Leia, a seguir, um resumo das falas apresentadas a favor e contra a proposta de alteração:
A justificativa do Sinffaz
Os advogados Baracho e Atheniense apresentaram ampla defesa da proposta do Sinffaz e Asseminas. Para Baracho, a proposta significa a redefinição de funções de uma das classes do quadro de Fiscalização, Tributação e Arrecadação do Estado – o gestor – e, pela similitude das funções não há violação ao princípio do concurso público. A tese foi apoiada por Atheniense para quem não há impropriedade em lançamento do crédito tributário pelo GEFAZ, uma vez que tanto o AFRE quanto o GEFAZ são agentes fiscais. A proposta do Sinffaz também foi apoiada pelo presidente do Sindicato dos Contabilistas, Balthazar Ronaldo. |
A argumentação do SINDIFISCO-MG O presidente do SINDIFISCO-MG, Matias Bakir, iniciou sua fala apresentando provas de que o advogado José Alfredo Baracho é contratado pelo Sinffaz e, portanto, não poderia se posicionar como representante da OAB. Questionou, ainda, a ausência do Ministério Público no debate e ressaltou que a SEF/MG é uma instituição centenária, que faz parte da história de Minas e que, portanto, qualquer discussão que a envolva deve ser pautada pela ética e compromisso com o povo mineiro. Tal argumentação garantiu, mais tarde, ao assessor jurídico do SINDIFISCO-MG, advogado Humberto Lucchesi, o direito a uma fala em tempo igual ao do advogado representante do Sinffaz. Matias Bakir afirmou que a proposta de alteração na Lei 15.464/05 não é de incremento de arrecadação visando, nada mais, que o lançamento do crédito tributário pelo GEFAZ. Explicou que há uma confusão dos gestores em relação aos conceitos de arrecadação e lançamento do crédito tributário, ressaltando que a fiscalização e o lançamento do crédito tributário são atribuições exclusivas do AFRE, como determinado no artigo 201 da Lei 6763. Em seguida, questionou: “por que o SINDIFISCO-MG está sendo chamado nesta Casa para esta discussão? Se temos o art. 37, inciso II da Constituição de 88, está claro que o ingresso em qualquer cargo público tem que se dar através de concurso público”. Matias Bakir explicou que o Fisco é contrário à proposta porque entende que o Sinffaz cria uma falsa expectativa, na medida em que joga a ilusão para o GEFAZ de um tema inconstitucional e gera desarmonia na SEF/MG. Além disso, é falsa a informação de que isto já ocorreu em 26 Estados da Federação uma vez que não há servidor administrativo autuando em nenhum Estado. Em Minas Gerais, o agrupamento já se deu com a fusão do AFTE e do FTE, em 2005. “Que a investidura seja pela porta da frente, à luz do dia, pelo concurso público e, não, por janela sombria”, encerrou o presidente do SINDIFISCO-MG. O advogado Humberto Lucchesi ressaltou a importância do GEFAZ, mas observou que a carreira é de auxílio e apoio administrativo à Fiscalização, como determinado na legislação. Afirmou, ainda, que o objetivo da proposta do Sinffaz é realizar provimento derivado, ou seja, uma ascensão disfarçada. Alguns auditores fiscais também puderam se manifestar. Um dos colegas frisou que a postura do Fisco é de isenção, imparcialidade e justiça. “O Fisco de Minas nunca foi buscar apoio no Conselho Regional de Contabilistas (CRC), na Federação das Indústrias (Fiemg) ou na Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), a não ser nesta Casa, pois V.Exas. é que defendem o interesse público”. |
As posições da SEF/MG e Seplag O assessor da Seplag disse que a Secretaria está aguardando os debates, propostas e estudos a respeito da questão. O diretor da SRH, que representou o secretário Simão Cirineu, disse que a SEF/MG recebeu a proposta do Sinffaz, está analisando-a sob o ponto de vista de sua conveniência ou não e emitirá um parecer preliminar. Afirmou que a SEF/MG não tomará nenhuma medida que seja ilegal e que ouvirá a Advocacia Geral do Estado. |
O deputado Domingos
Sávio externou sua preocupação pelo fato de existirem
duas versões antagônicas, ressaltando que não há duas
verdades. “Me preocupa muito o que tenho visto, porque tenho recebido os
representantes do Sinffaz e do SINDIFISCO-MG. O GEFAZ diz ‘queremos
trabalhar’, o SINDIFISCO-MG diz que a queda da arrecadação é problema
de estrutura da Fazenda. É preciso clareza na discussão, o
foco é o interesse público, respeitando-se os profissionais.
A Seplag deve se colocar de forma pró-ativa. Não é admissível
que o governo fique sem responder”, afirmou. O deputado também frisou
que é preciso apurar a história de que 26 Estados já implementaram
a proposta, com aumento da arrecadação, versão desmentida
pelo SINDIFISCO-MG.
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