| INFORME
SINDIFISCO-MG |
Nš 150 |
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PROJETO
TRÂNSITO - ANTIGO, SECRETO E INVIÁVEL
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| Categoria reage com indignação ao encaminhamento do processo de discussão das mudanças |
A reunião realizada na última segunda-feira (25) entre o SINDIFISCO-MG, a Comissão dos Postos e a Subsecretaria da Receita Estadual para apresentação do Projeto Trânsito, continua repercutindo entre a categoria. Como o Sindicato divulgou logo em seguida (Informe nº 149), a reunião se resumiu a uma extensa e superficial apresentação em power point, que não esclareceu os pontos mais importantes e, consequentemente, inviabilizou a discussão, tornando inútil qualquer tentativa dos participantes de avançar concretamente na questão. A reação da categoria - e não apenas dos fiscais de postos, o que é muito importante - foi imediata e colocou em xeque as verdadeiras intenções da SEF/MG com as mudanças propostas.
De um lado, a SEF/MG coloca, como novidade, um projeto que está em curso desde a LC 123/07, quando foram criadas as DFTs sem nenhuma discussão, continuando com as remoções ex-ofício de auditores fiscais classificados nos postos fiscais, as opções cegas, a designação de servidores não fiscais para os PFs, inclusive com recebimento de plantão, e outros atos administrativos, como o fechamento de unidades. De outro lado, a Administração vende a idéia de que o projeto é novo, que vai ouvir a categoria, solicitando críticas e sugestões daquilo que ainda não se escreveu nem se apresentou.
Como
o Sindicato já havia informado, os três pontos mais polêmicos
do projeto, o gestor no PF, o banco de horas e o regimento interno dos postos
fiscais, foram adiados para uma discussão posterior, sob os argumentos
frágeis de que as respectivas resolução e minuta ainda
não estão concluídas e, ainda, de que a primeira depende
da Seplag. Ao mesmo tempo em que alegava a incompletude dos documentos, a
Administração insistia em que o SINDIFISCO-MG e membros
da Comissão dos Postos fizessem uma avaliação do projeto
apresentado. "Ora, como avaliar algo que não está concluído?",
foi a pergunta que se fizeram os participantes. A perplexidade foi resumida
em um categórico NÃO. A diretoria do Sindicato e demais participantes
afirmaram à Administração que o Projeto Trânsito
só será avaliado quando for apresentado em sua totalidade e
que as críticas e sugestões da Fiscalização às
mudanças só se darão após ampla discussão
da categoria.
Veja, a seguir, trechos de alguns debates
virtuais que se travaram após a divulgação
do relato pelo SINDIFISCO-MG:
"Há rumores
de que estão em curso alterações na sistemática
de cálculo do banco de horas. Pretende-se fazer com que
as horas relativas a feriados e pontos facultativos nas DF's
não sejam computados para cálculo do banco de horas
dos PF's. Se isto for verdade, os auditores dos postos acabarão
trabalhando mais do que os auditores das DF's. Isto será um
absurdo."
"Note
que somos todos AFRE. O nosso regime de trabalho é de
40 horas semanais. Essa regra é constitucionalmente estabelecida.
Ferir esta regra significa ferir a própria Constituição.
Se a Administração quebrar esta equivalência,
com certeza haverá novas demandas judiciais. Será que
eles não se cansam de criar problemas?"
"A
Constituição Federal de 88 dispõe que a
jornada máxima é de 44 horas. A jornada de 40 horas
dos auditores é estabelecida em decreto estadual e lei
estadual."
"Ouvi
dizer que está sendo discutida uma reformulação
do regimento interno do postos fiscais. Porque nossa classe,
especialmente os AFRE em exercício nos postos fiscais,
não está sendo ouvida ou convidada para participar,
contribuir com esta reformulação? Será mais
um 'pacote fechado', impermeável a sugestões?"
"Qual
o motivo desse tratamento diferenciado? Não é de
hoje que os auditores dos postos são considerados 'de
segunda categoria'. Há 12 anos atrás nosso efetivo
era de três fiscais por plantão e já era
cansativo. Hoje temos, além do incremento no fluxo de
veículos, as STs internas, o DANFE, etc. No último
processo de remoção, dos 20 auditores que estavam
nos postos da nossa região, seis fizeram opção
pela DF e nenhum que estava na DF optou pela DFT. Acho que não é preciso
falar mais nada. E ainda querem reduzir o banco de horas..."
"O
que a Administração procura é criar as condições
de legitimação da sua política. Daí que
a intenção é a piora das condições
de trabalho nos postos, até o ponto em que o fiscal queira
sair de lá e grite aos quatro ventos essa intenção.
Aí, assim como fizeram com o plus, o plano de carreira,
as tabelas, etc, poderão jogar o ônus da estupidez
em uma APARENTE escolha do fiscal. Não há como
escapar dessa armadilha individualmente, mas apenas coletivamente
e para isso precisamos de mobilização. A resistência
necessita de uma força proporcional à má intenção
administrativa. O pior de tudo isso é que o objetivo dessas
alterações é minar uma das mais importantes
armas de luta da classe fiscal: o PF. Dado o tamanho do prejuízo, é urgente
que NÓS estabeleçamos os termos e limites dessa
conversa. Se nos atermos aos entornos pretensamente jurídicos
trazidos pela Administração com a chancela da Advocacia
Geral do Estado, estamos fritos. É hora de bater panelas!"
"Há algo
de muito familiar nesta história. Primeiro o canto da
sereia: normatizar o já normatizado, modernizando-o. Acolher
demandas, ponderadas pelas estratégias de governo, flexibilizando-as.
Em seguida, compartimentalizando as funções, relativizando-as.
Por fim, distribuir responsabilidades com quem não tem
poder de decisão, democratizando-as."
"Afirma-se
que a escala vai permanecer 24x72, mas não se pode entregar
a resolução pois não está completa.
Porém, reafirma-se: que o fiscal de PF é diferente
do fiscal da DF (são regimes de trabalho diferentes),
que ele terá um ganho pela normatização
do banco de 24x72, que ele não tem direito aos feriados
e pontos facultativos e, por fim, que esta decisão não
foi tomada por eles (SRE e Sufis), mas pela categoria, que foi
uma cobrança da AGE. Afinal, democratizam-se todas as
decisões. Como vamos responder? Como não há respeito
com nossos direitos, vamos tratar a busca de eficiência
com respeito? A melhor coisa para esta minuta de resolução é não
tirar direitos. Vamos aguardar a documentação real.
A melhor coisa para a categoria é estar unida.
"No
biênio 2005-06 houve um processo de unificação
na mesma carreira de AFTE e FTE, promovido pelo governo, imperfeito
ainda, pois objeto de demandas judiciais. Agora existirá um
regimento interno do PF? Com qual fundamento? O trabalho fiscal,
dada sua complexidade, estabelece diferenças tanto no
PF quanto na DF, entre si e entre outras esferas, como por exemplo
o CC. Mas esses trabalhos propriamente exigem regimento próprio?"
| A
experiência de cada auditor fiscal poderia significar muito
no processo de discussão das mudanças propostas pela
SEF/MG. |
Elaborado
pela Assessoria de Comunicação do SINDIFISCO-MG
Jornalista responsável: Marcela Souza