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"A
paralisação geral desta terça-feira foi marcada
pela arbitrariedade e truculência do governo em mais
dois episódios: a ameaça de fechamento do Posto
Fiscal de Itabirito; a garantia do Cirineu ao governador de que
a situação na Fazenda está sob controle. Mas
como assim? Não seria o contrário: descontrole total?
Vejamos, então, como foi o dia de ontem.
Segui
a mesma rotina dos dias de paralisação geral. Pela
manhã, após a liberação dos comunicados
no Sindicato, fui às DFs 1,3 e 4, iniciando o "arrastão
amistoso", no qual chamamos os colegas para descerem até
o hall para discussão do movimento. Como não poderia
ser diferente, discutimos as medidas de retaliação,
mais especificamente as OS punitivas (4A, 2F... letras que irão
ficar na parte triste de nossa história): Quem assinou? Quem
não assinou? Quais as conseqüências? Qual a diferença
de não assinar e assinar mas permanecer no movimento?
À
tarde (14h), fui para as DFs 2 e 5, onde debatemos as mesmas questões.
Logo após, saí do bairro São Francisco em direção
à Contagem, enfrentando congestionamento no Anel Rodoviário
e sol forte. Ao chegar à DF/Contagem, deparo-me com os servidores
em estágio probatório, que sempre deram um tom especial
ao movimento, trabalhando, porque foram submetidos à coação,
constrangimentos e assédio moral. Inclusive, esses colegas
reclamaram da sobrecarga de trabalho, afirmando que estavam sem
almoçar porque receberam 30 empresas para diligência
e omissos, coisas sem importância no contexto de um trabalho
fiscal sério, mas que foram ordenadas com o claro intuito
de mostrar ao Cirineu que estava tudo em ordem. Diante desse fato,
não tive como retornar à DF/BH e pedi, então,
ao Modesto (diretor) para fechar o dia naquela Unidade.
Por
volta das 17 horas, retorno para o Sindicato, para verificar pessoalmente
como foi a paralisação nos Postos Fiscais. Depois
de congestionamentos, sol, vários telefonemas, reuniões,
notícias boas e ruins, começo a ligar para os PFs
da Metropolitana, cujo pessoal bravo enfrentou todo tipo de pressão
e arbitrariedade: 'Assina! Vou fechar o Posto se você não
assinar!'. Mas os nossos corajosos colegas dos PFs não se
entregam! Resistem!
Às
21h20, recebo um telefonema de uma colega do PF/ Igarapé,
preocupada com o Posto de Itabirito, cujo chefe havia feito uma
convocação para os servidores se apresentarem na DF,
pois esse Posto Fiscal seria fechado (como ocorreu na Zona da Mata).
Conversei quase 40 minutos com eles sobre a situação
do movimento e fiquei com orgulho de ter colegas como eles, mas
pude sentir a pressão, decepção e revolta que
estavam sentindo.
Então
veio a tristeza, decepção e o questionamento: por
que tamanha truculência de colegas nossos? A resposta veio
logo: um colega que tem um amigo na assessoria do governador lhe
informou que o Cirineu havia garantido para o governador que o movimento
esta sob controle. Isso não é novidade, o Pedro, Gilberto
e Cia. devem ter prometido no 'beija-mão' que o controle
da situação. Vejam só: para se manter no poder,
nosso colegas entregam a categoria e se aproveitam dos pontos fracos
de alguns para fazer chantagem e coação. Se eles abrem
esse precedente perigoso de se render ao governo para permanecer
no cargo, podem criar cultura de achar normal prometer para as Associações
de Contribuintes, Fiemg, etc. a liberação de benefícios
fiscais ilegais. Ora, cargo comissionado não é para
punir colega, mas uma conquista da categoria. Mais uma vez perdi
o sono diante de tanto absurdo; aproveitei para escrever, como desabafo,
esse relato."
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