INFORME SINDIFISCO-MG

Nš 133

18 de abril de 2007
 


SECRETÁRIO GARANTE AO GOVERNADOR QUE SITUAÇÃO ESTÁ SOB CONTROLE
  Terça-feira marcada pela repressão e arbitrariedade

Apesar das ameaças e tentativas de coação da Administração, a categoria demonstrou, ontem (17), coesão, firmeza e resistência, paralisando, mais uma vez, as atividades em todo o Estado. Nesta quarta (18) e quinta-feira (19), os Postos Fiscais prosseguem com a paralisação e as Delegacias Fiscais e demais unidades com o black out silencioso, além das ações direcionadas.

Acompanhe o dia de ontem, marcado pela repressão, através do relato do presidente do SINDIFISCO-MG, Lindolfo Fernandes de Castro.

"A paralisação geral desta terça-feira foi marcada pela arbitrariedade e truculência do governo em mais dois episódios: a ameaça de fechamento do Posto Fiscal de Itabirito; a garantia do Cirineu ao governador de que a situação na Fazenda está sob controle. Mas como assim? Não seria o contrário: descontrole total? Vejamos, então, como foi o dia de ontem.

Segui a mesma rotina dos dias de paralisação geral. Pela manhã, após a liberação dos comunicados no Sindicato, fui às DFs 1,3 e 4, iniciando o "arrastão amistoso", no qual chamamos os colegas para descerem até o hall para discussão do movimento. Como não poderia ser diferente, discutimos as medidas de retaliação, mais especificamente as OS punitivas (4A, 2F... letras que irão ficar na parte triste de nossa história): Quem assinou? Quem não assinou? Quais as conseqüências? Qual a diferença de não assinar e assinar mas permanecer no movimento?

À tarde (14h), fui para as DFs 2 e 5, onde debatemos as mesmas questões. Logo após, saí do bairro São Francisco em direção à Contagem, enfrentando congestionamento no Anel Rodoviário e sol forte. Ao chegar à DF/Contagem, deparo-me com os servidores em estágio probatório, que sempre deram um tom especial ao movimento, trabalhando, porque foram submetidos à coação, constrangimentos e assédio moral. Inclusive, esses colegas reclamaram da sobrecarga de trabalho, afirmando que estavam sem almoçar porque receberam 30 empresas para diligência e omissos, coisas sem importância no contexto de um trabalho fiscal sério, mas que foram ordenadas com o claro intuito de mostrar ao Cirineu que estava tudo em ordem. Diante desse fato, não tive como retornar à DF/BH e pedi, então, ao Modesto (diretor) para fechar o dia naquela Unidade.

Por volta das 17 horas, retorno para o Sindicato, para verificar pessoalmente como foi a paralisação nos Postos Fiscais. Depois de congestionamentos, sol, vários telefonemas, reuniões, notícias boas e ruins, começo a ligar para os PFs da Metropolitana, cujo pessoal bravo enfrentou todo tipo de pressão e arbitrariedade: 'Assina! Vou fechar o Posto se você não assinar!'. Mas os nossos corajosos colegas dos PFs não se entregam! Resistem!

Às 21h20, recebo um telefonema de uma colega do PF/ Igarapé, preocupada com o Posto de Itabirito, cujo chefe havia feito uma convocação para os servidores se apresentarem na DF, pois esse Posto Fiscal seria fechado (como ocorreu na Zona da Mata). Conversei quase 40 minutos com eles sobre a situação do movimento e fiquei com orgulho de ter colegas como eles, mas pude sentir a pressão, decepção e revolta que estavam sentindo.

Então veio a tristeza, decepção e o questionamento: por que tamanha truculência de colegas nossos? A resposta veio logo: um colega que tem um amigo na assessoria do governador lhe informou que o Cirineu havia garantido para o governador que o movimento esta sob controle. Isso não é novidade, o Pedro, Gilberto e Cia. devem ter prometido no 'beija-mão' que o controle da situação. Vejam só: para se manter no poder, nosso colegas entregam a categoria e se aproveitam dos pontos fracos de alguns para fazer chantagem e coação. Se eles abrem esse precedente perigoso de se render ao governo para permanecer no cargo, podem criar cultura de achar normal prometer para as Associações de Contribuintes, Fiemg, etc. a liberação de benefícios fiscais ilegais. Ora, cargo comissionado não é para punir colega, mas uma conquista da categoria. Mais uma vez perdi o sono diante de tanto absurdo; aproveitei para escrever, como desabafo, esse relato."

OFÍCIO PARA O GOVERNADOR

Diante da informação de que o secretário garantiu que "o movimento está sob controle", a diretoria encaminhou ofício (024/07) ao governador Aécio Neves, expondo o verdadeiro caos que se transformou a Fazenda e reiterando o pedido de audiência.

         Leia o Ofício 024/07

Elaborado pela Assessoria de Comunicação do SINDIFISCO-MG
Jornalista responsável: Valéria Mercadante