COMUNICADO DA DIRETORIA
Nº 44
24 de agosto de 2009
 
 
SUBSÍDIOS PARA O DEBATE QUE ANTECEDE A AGE DE 27/08
1. HISTÓRICO DO MOVIMENTO
2. ANÁLISE DA PROPOSTA OFICIAL
3. A POSIÇÃO DA DIRETORIA
4. CONTINUIDADE DO MOVIMENTO
 

HISTÓRICO DO MOVIMENTO
Em setembro/2008, ante a constatação de que o “acordo” firmado em 2007 havia se esgotado e não haveria mais nenhum ganho em 2009, iniciamos a discussão e a construção de nossa pauta de reivindicações. Estivemos com o secretário de Fazenda, Simão Cirineu, que afirmou ter um acordo com a categoria, que estava sendo cumprido pela SEF e esperava que a Fiscalização também cumprisse a sua parte.

Naquele momento, a crise econômica não havia se instalado. Portanto, sequer tínhamos a percepção de que a remuneração de 2009 seria menor que a de 2008. Assim, diante do quadro que vislumbrávamos à época, buscamos construir uma pauta de caráter emergencial, enxuta e exeqüível, assentada nos princípios da união da categoria, recomposição salarial, segurança na remuneração e diminuição das desigualdades.

Aprovada na AGE de 6 de novembro de 2008, a pauta foi encaminhada ao governador e discutida com o secretário de Fazenda, em reunião realizada dia 28 de novembro com as diretorias do SINDIFISCO-MG e da AFFEMG. Nessa reunião, o secretário afirmou que havia concedido aumento em torno de 50% em 2007, que os limites da LRF não o permitia, mas prometeu submeter todos os itens de reivindicação à Seplag e retornaria ao Sindicato.

Após um longo período de silêncio, em 11 de fevereiro de 2009, sempre por iniciativa do SINDIFISCO-MG, foi realizada nova reunião com a SEF. Esta foi marcada pela intransigência do “Não, Não e Não”, além de ameaças que, registre-se, estão sendo cumpridas à risca.

Em 19 de março, foi realizada nova AGE que confirmou os rumos do movimento, estabeleceu ações de luta e incluiu o piso salarial como o sétimo item da nossa pauta.

No dia 7 de maio, em reunião realizada com as diretorias do SINDIFISCO-MG e da AFFEMG, o subsecretário da Receita Estadual, Pedro Meneguetti, reconheceu que, em 2009, havia uma perda efetiva na remuneração da categoria e falou, pela primeira vez, sobre a necessidade de uma “Política Emergencial de Remuneração”.

Em 9 de junho, o subsecretário, por meio do OF.SEF.GAB.SRE 534/2009 informou sobre a inviabilidade da pauta da categoria, embora reconhecendo as perdas reais em 2009 e as perdas potenciais em 2010. O SINDIFISCO-MG cobrou, então, que fosse apresentada uma proposta concreta e quantificada. Em resposta, em 19 de junho, por meio do OF.SEF. GAB.SRE 571/2009, o subsecretário apresentou uma posição quantificada,, que ele tratou como “medidas possíveis de serem levadas ao Governo, caso a categoria fiscal, representada pelo SINDIFISCO-MG, assim o defina”.

Confira os ofícios da SRE: OF. 534/2009
  OF. 571/2009

Iniciou-se amplo debate nos locais de trabalho e o Conselho Deliberativo Ampliado (CDA), reunido no dia 2 de julho, decidiu por unanimidade, que a posição quantificada, do subsecretário não atendia à nossa reivindicação. Nessa mesma reunião, foi aprovado o indicativo de uma nova reunião do CDA no início de agosto e a realização de uma AGE no final do mesmo mês.
Ao tomar conhecimento da decisão da categoria, o subsecretário encaminhou, em 17 de julho, o OF.SEF.GAB.SRE 686/2009, no qual afirmava que “a decisão tomada nos impede de buscar a concretização das medidas emergenciais”.

           Confira o ofício da SRE: OF. 686/2009

O CDA voltou a se reunir em 13 de agosto, aprovou a realização de AGE no dia 27 de agosto, precedida de um Ato Público, com o objetivo de avaliar e traçar novos rumos para o movimento.

Na tarde do dia 19, a diretoria do SINDIFISCO-MG se reuniu com as diretorias do Sinffaz e Sindipúblicos, quando foi definida uma pauta comum de reivindicações e união na luta por recomposição salarial.

No dia seguinte, 20 de agosto, o subsecretário chamou a diretoria para uma reunião onde, além dos pontos da pauta, foram abordados, também, as mudanças em curso nos Postos Fiscais, o pagamento da ADE, a promoção por escolaridade adicional prometida para julho, o reposicionamento por tempo de serviço.

O subsecretário deixou claro que as mudanças em curso nos Postos Fiscais com a implementação do Projeto Trânsito são irreversíveis, porque se trata de projeto do secretário de Fazenda, e que seguirão tendo o seu curso normal, independentemente do que for aprovado na próxima assembléia do dia 27. Confirmou o pagamento em atraso do ADE, alegando que não foi realizado até o momento por problemas operacionais da folha de pagamentos.

Pedro Meneguetti deixou claro, ainda, que a promoção por escolaridade adicional, prometida para o mês de julho último, só será paga em janeiro/2010, podendo a relação dos beneficiados ser publicada ainda neste ano. Quanto ao reposicionamento por tempo de serviço, o subsecretário fixou-se basicamente ao modelo, ratificando a promessa de encaminhar o projeto e defendê-lo junto ao Governo, caso a sua proposta seja aceita na AGE.

Para ressaltar as dificuldades do governo em relação à queda da receita e ao serviço da folha de pagamentos, anunciou que, não obstante não existirem problemas de caixa, o governador determinou, a todos os órgãos do Estado, uma política rígida de controle da folha, acrescentando que, até o final de seu governo, não haverá qualquer aumento de salários.

Nessa reunião, a diretoria do SINDIFISCO-MG informou ao subsecretário que, como a posição quantificada, não constituía uma proposta oficial, não seria objeto de apreciação pela AGE.

Em resposta, Pedro Meneguetti afirmou o caráter oficial da sua posição e, na manhã do dia 21 publicou no @fazenda e, posteriormente, encaminhou ao Sindicato o OF.SEF.GAB.SRE 825/2009. Referindo-se às medidas emergenciais apresentadas no OF. 571, o subsecretário afirma que “caso a categoria aprove as referidas medidas na assembléia marcada para o dia 27 próximo, com o retorno imediato a normalidade dos trabalhos, elas serão implementadas”.

           Confira o ofício do Sindifisco: OF. 099/2009
            Confira o ofício da SRE: OF. 825/2009

Confirmado o caráter oficial da proposta, a diretoria do SINDIFISCO-MG, como já afirmou reiteradas vezes, a coloca para avaliação e decisão da categoria na próxima AGE do dia 27 de agosto.

ANÁLISE DA PROPOSTA OFICIAL
A diretoria do SINDIFISCO-MG apresenta à consideração dos colegas sua avaliação sobre a proposta do subsecretário à luz dos princípios constitutivos de nossa pauta de reivindicação.

Princípios da Nossa Pauta
1º – União
2º – Recomposição salarial
3º – Segurança da remuneração
4º – Redução das desigualdades
Nossa Pauta de Reivindicações
1 – Política semestral de correção do valor do ponto.
2 – Alteração do valor do ponto para R$0,75 a partir de janeiro de 2009.
3 – Aceleração da incorporação da conta reserva e acréscimo de 1000 pontos na GEPI.
4 – Alteração da regra de distribuição do plus.
5 – Exclusão do Nível I da Tabela de Vencimentos.
6 – Implantação do adicional por tempo de serviço – qüinqüênio – para todos.
7 – Piso salarial – mecanismo de correção escalonada visando atingir o pisode R$ 15.000,00.

Salientamos que a nossa pauta é resultado de um processo coletivo de construção que envolveu discussões em todos os locais de trabalho. A nossa pauta está fundamentada em princípios que a tornam o nosso maior patrimônio, expressão da integridade do movimento ante as tentativas do governo de nos dividir.

No OF.SEF.GAB.SRE 534/2009, o subsecretário expõe os pressupostos do conjunto das suas medidas emergenciais:
1– Análise da nossa pauta sob a ótica da oportunidade, do impacto financeiro e orçamentário e de suas implicações políticas, encontrando elementos que a tornam inviável em todos esses parâmetros;
2– Queda da arrecadação, limites da LRF, os altos impactos orçamentários e financeiros representados pelos reajustes pleiteados e a evolução positiva dos salários dos servidores da SEF no atual governo, acima da inflação e das demais categorias do Executivo. Mas reconhece a perda salarial em 2009 e as perdas efetivas projetadas para 2010.

A proposta oficial
Construção de uma alternativa representada por medidas emergenciais focadas em evitar perdas no prêmio e na GEPI.

Medidas emergenciais

No OF. 571/09, o subsecretário detalha as medidas emergenciais:
1– Encaminhamento de projeto de lei para alterar a Lei 17.600/08 (do plus), de forma a não haver compensação de valores negativos;
2– Alteração do Dec. 44.568/07 para restringir os ajustes no valor do ponto às variações positivas;
3– Alteração do Dec. 44.568/07 para fixar o valor do ponto em R$ 0,67 a partir de janeiro de 2010;
4– Alteração do Dec. 44.568/07 para fixar o teto da GEPI em 7000 pontos a partir de junho de 2010;
5– Encaminhamento à Seplag de minuta de Decreto de Reposicionamento, estabelecendo o nível II do AFRE como nível base.

QUADRO DE VALORES CONFORME IMPLEMENTAÇÃO DAS MEDIDAS DO OFÍCIO SEF/SRE 571/2009
  Set/09 Dez/09 Jan/10 Março/10 Jun/10
Vencimento inicial 4.245,00 4.245,00 4.245,00   4.245,00
GEPI 3.150,00 3.465,00 3.685,00   4.690,00
Conta reserva 2.520,00 2.205,00 2.345,00   2.010,00
Subtotal 1 9.915,00 9.915,00 10.275,00   10.945,00
ADE 254,70 254,70 254,70   254,70
Subtotal 2 10.169,70 10.169,70 10.529,70   11.199,70
Plus – previsão       7.500,00*  
Total Início Carreira 10.169,70 10.169,70 10.529,70   11.199,70
Início Carreira hoje 10.169,70 10.169,70 10.169,70   10.169,70
Diferença 0,00 0,00 360,00   1.030,00
* Previsão conforme valores fornecidos pela SRE 

Condição para implementação
Retorno imediato à normalidade dos trabalhos (Of.SRE 825).

Nossas considerações sobre a proposta oficial
1– A proposta oficial consolida as perdas salariais de 2009, para ativos e aposentados. Ao aprovar esta proposta, a Fiscalização não terá nenhuma recomposição em 2009, consolidando definitivamente a perda presente. Como consequência, o salário de 2009 dos ativos será, em média, R$ 3.500,00/mês menor que em 2008.

2– Será preciso esperar até 2010 para que as medidas prometidas tenham efeito no contracheque.

3– Para perdas eventuais em 2010, a proposta, a princípio, privilegia a revitalização do plus, o que exclui os aposentados e todos aqueles que, de acordo com as regras restritivas, encontram-se em condição de afastamento legal. A proposta beneficia especialmente parcela de ativos, cuja remuneração já bate no teto.

4– As alterações no Decreto da GEPI que encontrariam ponto de interseção com a nossa pauta têm os seguintes defeitos:

a) quando formulou o atual Dec. 44.568/07, a Alta Administração negligenciou uma regra comum aos decretos anteriores, que se assenta no princípio constitucional da irredutibilidade da remuneração (no nosso caso, já reconhecida pelo Judiciário) e depois do fato consumado nos apresenta uma fatura, como se tivéssemos responsabilidade sobre sua omissão;
b) o aumento do valor do ponto em R$ 0,04 (em 2010) corresponde aproximadamente a 2% (dois por cento) do salário base – AFRE IA, o que não cobre sequer a inflação de 2009, consumando um arrocho salarial inaceitável;
c) o acréscimo de 1000 pontos na GEPI, a partir de jun/2010, é parte de um dos itens da nossa pauta, que consiste em dar mais segurança à remuneração. Financeiramente representa R$ 410,00 líquidos (após descontos de IR e contribuição previdenciária).

A proposta da Alta Administração, no que poderia ser positivo no conteúdo é ridícula no valor. Os dois únicos pontos de convergência com a nossa pauta em sua proposta, seja no valor ou tempo, são insuficientes. Acrescente-se a isto as ameaças de mais perdas. A espada colocada fica por conta de passarmos mais um ano sem o Prêmio de Produtividade, a redução do valor do ponto e o não cumprimento da migração dos 1.000 pontos da conta-reserva para a GEPI prevista no Decreto 44.568/07 (500 pontos em dezembro/09 e 500 em junho/10).

5– Sobre o reposicionamento, o subsecretário apenas se compromete a encaminhar uma minuta de decreto à Seplag, estabelecendo o nível II do AFRE, como nível base. O compromisso restringe-se ao salto no escuro de encaminhar uma minuta, cujos parâmetros são totalmente desconhecidos por nós. O que a princípio, podemos afirmar é que, como se trata de reposicionamento engessado pelas regras dispostas nas leis 15.464 e 16.190, a medida só contempla ativos que migraram da lei 6762/75 para a nova lei 15.464/05, excluindo, além dos aposentados, os AFRE do concurso de 2004/05.

Conclusão
A proposta oficial, com exceção dos 1.000 pontos GEPI e os R$ 0,04, traz o vício da exclusão, contrariando frontalmente princípio basilar de nossa pauta que é a união e a redução da desigualdades. O não atendimento dos itens de nossa pauta que não trazem impacto, ou cujo impacto é mínimo, fica na conta das implicações políticas que eles contêm, pois não foram apresentados argumentos razoáveis para explicar sua recusa.

           Vide oficio do SINDIFISCO-MG (Nº 107) ao subsecretario em 21/08/09

A POSIÇÃO DA DIRETORIA
O arrocho salarial explícito na proposta oficial está no contexto, conforme informação do próprio subsecretário, da determinação do governo de reequilibrar as contas públicas pelo lado da despesa e não pelo incremento da receita, promovendo uma drástica redução na folha de salários.

A aceitação da proposta oficial com a imediata volta à normalidade dos trabalhos pode configurar uma rendição incondicional.

É preciso acumular as forças do movimento para alcançar condições mais favoráveis de negociação, enfrentando inclusive ameaças adicionais que nos atingem diretamente, quais sejam: o aprimoramento da GEPI, a nova ADI, o regimento interno dos Postos de Fiscalização e a atribuição dos gestores.

Ao falar que esta proposta não nos atende, estamos procurando uma solução melhor, e temos condição para isso. Ao construirmos nossa pauta, que atende a todos os segmentos da categoria (por isso ela é nosso maior patrimônio), conseguimos uma grande realização, que foi o de recompor a nossa unidade. É aí que residem a nossa força e a nossa segurança para perseguir a negociação, com o propósito de um desfecho que seja êxitoso para todos.

CONTINUIDADE DO MOVIMENTO
Seja mantendo as bases do movimento, conforme definido na AGE de 19 de março, seja estabelecendo novas estratégias, a continuidade do movimento deve se desdobrar nas três linhas:
          1 – da receita, com ações direcionadas e descentralizadas para PF e DF;
          2– no fortalecimento da coesão interna, mantendo a linha da proteção e do menor risco, com campanhas interligadas e comandos regionais para dar maior agilidade às ações;
          3– na linha da imagem, com campanhas temáticas de esclarecimento e de utilidade pública.

A assembléia deve se constituir num espaço de manifestação sincera, aceitação das diferenças e, sobretudo, a tribuna democrática para os debates calorosos com respeito ao colega, e que esta AGE de 27 de agosto seja motivo de orgulho para todos da nossa categoria, que se fortalece a cada dia. Parabéns para todos nós!

A Diretoria

Campanha Salarial 2009: OPORTUNIDADE A GENTE CRIA!
Abrace esta causa. Caminhe junto com a SUA CATEGORIA, com o SEU SINDICATO.