COMUNICADO DA DIRETORIA
Nº 14
2 de abril de 2009
 
MODELO ATUAL DA SEF/MG LEVARÁ O ESTADO À FALÊNCIA
Nosso movimento não objetiva apenas a recomposição salarial

Apesar de estarmos em Campanha Salarial, não há como não perceber que o nosso movimento é conseqüência de uma causa maior, estrutural, que é o esgotamento do modelo atual de gestão da Receita Estadual, com graves distorções na carreira de Auditor Fiscal da Receita Estadual. Denunciar este esgotamento é necessário, pois a capacidade da SEF/MG de intervir com eficácia, dentro dos princípios básicos de política tributária, principalmente em momentos como este de crise financeira e econômica, está seriamente prejudicada. Há um equívoco na forma de tratar o profissional de campo, diretamente envolvido na fiscalização e em contato com os contribuintes, seja nas Delegacias Fiscais ou nos Postos Fiscais.

Vem-se adotando um modelo de gestão que privilegia em demasia os cargos em comissão, que contam com valorização profissional e remuneratória não extensivas, na mesma medida, aos fiscais de campo. Diariamente, os fiscais de cargo efetivo recebem demonstrações de que não estão sendo valorizados pela instituição. Os exemplos são vários: remuneração não condizente com o cargo, insegurança e fragilização da estrutura remuneratória, que não se estende aos afastamentos para tratamento de saúde, férias, aposentadorias , etc... , promoções casuísticas, em que não se considera o efetivo tempo de trabalho e a história profissional do fiscal.

Diante deste estado de coisas, o que se vê é o recém-concursado, que hoje conta com uma remuneração bem menor que a do mercado, desanimar-se e optar por buscar concursos em outros estados ou na Receita Federal. Também são comuns os casos de colegas que já poderiam estar aposentados, mas que continuam trabalhando, pois o percentual de perdas remuneratórias na aposentadoria é muito grande.

A atual direção, que há mais de oito anos é responsável pela condução do gerenciamento da SEF/MG, promoveu, deliberadamente, nas sucessivas reformas de estrutura da Secretaria o enfraquecimento e o esvaziamento da atividade fiscal, ocorrendo uma verdadeira pulverização de competências para outras categorias, muitas destas, inclusive, tornando-se independente da intervenção do fiscal.

A política de gestão da SEF não envolve o fiscal na elaboração do planejamento e na formatação das ações e decisões, tornando este fiscal um simples tarefeiro, controlado por relatórios, planilhas e sistemas de acompanhamento.

Ao primeiro sinal de arrefecimento na economia, obtivemos, como resposta, uma significativa queda nos níveis de arrecadação, fato que deixa claro que as Unidades responsáveis pelo planejamento fiscal (Sufis, Saif, Sutri) simplesmente tomaram, ao longo desses anos, partido do bom desempenho da economia, sendo incapazes de compreender a dinâmica da atividade econômica e sequer propor um programa de ação que, sob os aspectos tributários e fiscais, respondesse por um crescimento sustentável da receita.
A evidência notória da falta de rumo da Alta Administração se deu, recentemente, quando todo o corpo fiscal foi convocado para tomar conhecimento das medidas emergenciais para fazer frente à queda da arrecadação. As propostas apresentadas beiraram o risível, quer pela sua inconsistência, quer pela total falta de efetividade e impacto sobre a arrecadação. Chamá-las de ingênuas seria um elogio, pois, de fato, não passaram de uma farsa, já que, até então, nada mudou

Acreditar que é possível administrar o fiscal como se o seu trabalho fosse braçal e, não, intelectual, controlando-o através de planilhas e acompanhamento do seu tempo nas repartições, tem-se demonstrado pouco produtivo, para se dizer o mínimo. Alavancagem de receita não se faz com medidas mirabolantes. A garantia de uma arrecadação condizente com o potencial econômico de um Estado está diretamente vinculada ao funcionamento de uma estrutura de fiscalização com competências e atribuições compatíveis e, principalmente, com um corpo fiscal suficientemente motivado e qualificado para assumir e executar suas funções.

Sabemos da gravidade do momento e receamos suas conseqüências mas, no contexto do atual modelo de gestão, não há como, de maneira verdadeira e permanente, ter uma atuação eficaz no combate à sonegação, dentro dos princípios tributários.

Pretendemos, nesse movimento reivindicatório, abrir portas para uma verdadeira negociação, em que consigamos encaminhar a solução dos problemas institucionais, conseguindo remuneração em valor e em qualidade compatíveis com o mercado, para que o profissional da Receita Estadual opte pela permanência na instituição, com todas as conseqüências favoráveis dessa decisão.

Nesse sentido, é importante poder contar com o apoio dos prefeitos das cidades mineiras. Para tanto, precisamos da relação de fiscais ativos e aposentados que tenham contato pessoal e direto com prefeitos do interior, para que os procurem, levando cópia do ofício do SINDIFISCO-MG, enviado anteriormente pelos Correios, e argumentem em favor do nosso movimento, solicitando que atuem junto ao governador e deputados para que atinjamos nossos objetivos.

A Diretoria