COMUNICADO DA DIRETORIA
Nº 40/07
22 de março de 2007


DESPENCA ARRECADAÇÃO DIRETA DE ICMS NOS POSTOS FISCAIS

  A queda de arrecadação de combustíveis é de R$ 30 milhões ao mês

Há notícias de que os superintendentes, alguns delegados e chefes, nas reuniões realizadas para tentar convencer a categoria a aceitar a proposta do governo, têm utilizado argumentos falaciosos e insinuado que o auditor fiscal não interfere na receita. O objetivo está claro: é mais uma tentativa de desmobilizar a categoria e enfraquecer nosso movimento.

A linha adotada pela Administração é a mesma praticada pelo INDG, ou seja, busca transformar o auditor fiscal em gerente de banco. O raciocínio é simples e, ao mesmo tempo, perverso: quando a receita de determinado segmento aumenta, mesmo havendo sonegação nesse setor, ele não é fiscalizado. Por outro lado, quando a receita de um determinado segmento cai, a fiscalização é imediatamente direcionada para esse setor, ainda que ele não tenha sonegado.

Evolução da Receita de ICMS em valores correntes
MÊS
Valor em
Mil R$
Variação %
Mês/Mês
-Anterior
Valor em
Mil R$
Variação %
Mês/Mês
-Anterior
2005
 
2006
 
Outubro
1.264.914
(4,1)
1.489.919
2,2
Novembro
1.294.342
2,3
1.489.780
-0-
Dezembro
1.326.498
2,4
1.501.102
0,7
Ano - 2006
 
Ano - 2007
 
Janeiro/06
1.381.717
4,2
1.556.193
3,6
Fevereiro/06
1.260.997
(8,73)
1.472.000
(-5,4)

O que salvou a receita de jan/07 foi o comércio varejista, um dos setores onde há um alto índice de sonegação. Porém, se a compararmos a jan/06, o crescimento desse setor foi de apenas 2,82%, não refletindo nem a variação pela inflação, podendo-se concluir, portanto, que houve queda real, reflexo de nosso movimento. A receita de dez/06 desse setor, já havia caído 2,31% em relação a dez/05, já refletindo o movimento iniciado em novembro.

Na receita de fevereiro, R$ 40 milhões referem-se à autuação antiga que foi quitada. Ou seja, não fosse por isso, a receita de fevereiro teria despencado em função do movimento. Como se vê, o desempenho da receita foi irrisório e não é possível que a Administração continue insistindo na tese de crescimento para tentar desmoralizar o nosso movimento. Os gerentes, portanto, estão dando "um tiro no pé". Se eles acham que a fiscalização não interfere, não estão, indiretamente, demonstrando sua incompetência?

VEJA A FORÇA DO MOVIMENTO TAMBÉM NOS PFS

A arrecadação direta (DAF) dos Postos Fiscais e volante também tem despencado em função do nosso movimento, como pode ser comprovado no quadro abaixo:

DAFs
ANO Q. Acumulada Q. Mensal VALOR TOTAL MÉD. MENSAL
2005 (12 meses) 37.316 3.110 120.018.797,60 10.001.566,47
2006 (9 meses) 18.011 2.001 69.805.980,00 7.756.220,00
Janeiro/2007   370   600.000,00
Fevereiro/2007   +/-350   600.000,00

A média mensal de DAFs emitidos caiu significativamente em função do movimento reivindicatório. De 10 milhões mensais em 2005, caiu para 600.000,00 em janeiro e fevereiro de 2007. Ressalte-se que houve, também, movimento (tabelas) no primeiro semestre de 2006, razão pela qual ele não foi usado como parâmetro, pois houve queda também.

RECEITA DE DEZEMBRO/2006

Demonstrativo da receita de ICMS dezembro em
relação ao mesmo período de anos anteriores

2003
2004
2005
2006
8,15%
26,81%
11,12%
13,16

A seguir, os setores que, em dez/06, registraram as maiores quedas em relação ao mês anterior:

DEMONSTRATIVO DA REDUÇÃO DE ICMS POR SETOR - MÊS DE DEZEMBRO EM RELAÇÃO A NOVEMBRO/2006

Setor
% de Redução
Minerais
(6,02)
Cimento
(3,04)
Siderurgia
(3,18)
Combustíveis
(2,40)
Açúcar-de-cana
(60,41)
Medicamentos
(0,21)
Cigarros
(0,60)
Transportes
(7,23)
Comunicações
(0,36)
Agropecuária -outros
(15,61)
ICMS Importação
(4,42)
ICMS ST Antecipada
(4,49)
ICMS Outras Notificação
(9,07)
ICMS ST Notificações
(53,95)

A QUEDA DE ARRECADAÇÃO DE ICMS NO SETOR DE COMBUSTÍVEIS É DE R$ 30 MILHÕES AO MÊS

Como se vê a maioria dos setores que tiveram quedas sofrem interferência da fiscalização. Para se ter uma idéia das perdas tome-se, como exemplo, o setor de combustível que, em função do movimento, vem deixando de arrecadar algo em torno de R$ 25 a 30 milhões ao mês.

Queda mensal no setor de combustível

11/2006
12/2006
01/2007
(2,07%)
(2,40%)
(0,90%)

O Projeto Combustível está com perda acumulada em torno de R$ 30 Mi, somente nos meses de janeiro e fevereiro de 2007. A receita vem acumulando queda desde de novembro em relação ao mês anterior.

Combustível - Desempenho do Projeto
 
Ano 2006 - Real
2006 - Realizado
Diferença
 
Setembro
322.848.788
341.829.675
18.980.888
105,9%
Outubro
326.868.389
341.010.511
14.142.122
104,3%
Novembro
326.592.849
335.645.243
9.052.394
102,8%
Dezembro
320.384.836
323.700.163
3.315.327
101,0%
 
Ano 2007 - Real
2007 - Realizado
   
Janeiro
342.726.179
330.367.057
(12.359.122)
96,4%
Fevereiro
330.283.133
311.890.684
(18.392.450)
94,4%

Gráfico do Desempenho do Projeto Combustível
(em relação ao mesmo período do ano anterior)


Fonte: Matriz ICMS - SUFIS

Em relação aos setores que apresentaram crescimento, é preciso esclarecer que têm potencial para crescimento muito superior ao registrado durante os meses de movimento. Ou seja, não basta apenas constatar o crescimento, é preciso verificar se ele está dentro do esperável e/ou aceitável.

RECEITA DE JANEIRO/2007

Valor da receita de ICMS (principal) : R$ 1.561.343.864

DEMONSTRATIVO DA RECEITA DE ICMS DE
JANEIRO DE 2007 POR SETOR
Setor
Arrecadação
%
Evolução Mês
- Anterior %
Indústria
49,68
(0,51)
Comércio
22,65
21,90
Serviços
27,41
(3,54)
Agropecuária
0,21
49,27
Outras Atividades
0,06
198,27
TOTAL
100,00
3,67%

Em janeiro de 2007, a SEF/MG - provavelmente com o objetivo de desmoralizar o nosso movimento - fez questão de anunciar que a receita foi recorde. Pode até ter sido um dos maiores valores correntes, mas em termos de evolução, ou seja, crescimento percentual, não foi um dos maiores. Na verdade, o que salvou a receita foi o comércio varejista, incrementado pelas compras de dezembro (13º salário), que vão refletir na receita de janeiro. Importante lembrar que o comércio varejista é o setor que tem maior índice de sonegação. Como o movimento está fazendo com que o Estado deixe de combater a sonegação, não há como negar que hajam perdas.

Veja a seguir a evolução da receita de janeiro em relação ao mesmo mês do ano anterior:

EVOLUÇÃO DA RECEITA DE ICMS 01/2007
EM RELAÇÃO A JANEIRO DO ANO ANTERIOR
2003
2004
2005
2006
2007
20%
21%
23%
11%
12%

EVOLUÇÃO DA RECEITA DE ICMS 01/2007
EM RELAÇÃO AO MÊS ANTERIOR
2003
2004
2005
2006
2007
(3,6%)
7,65%
4,40%
4,16%
3,67%

A receita de ICMS de jan/07 cresceu apenas 3,67% em relação ao mês anterior (dez/06) e 12% em relação a janeiro do ano anterior. Foi um dos piores desempenhos registrados nos quatros anos de governo Aécio, conforme se pode verificar no quadro acima.

A seguir, os setores que apresentaram queda em jan/07:

DEMONSTRATIVO DA REDUÇÃO DE ICMS POR
SETOR - MÊS JAN/07 EM RELAÇÃO A DEZ/06
Setor % de Redução
Minerais (20,81)
Cimento (11,57)
Siderurgia (15,57)
Veículos/Automotores (16,98)
Combustíveis (0,90)
Aves (2,81)
Leites e Derivados (13,39)
Energia Elétrica (6,12)
Indústria -outros (8,58)
ICMS ST Antecipada (5,29)
ICMS ST - Entradas (10,95
ICMS outros - Débitos Extemporâneos (67,43)

Fazer análise da receita não á uma tarefa simples. É necessário considerar vários fatores, verificando, por exemplo, se não há trabalho antigo que foi quitado no mês em análise. Daí a necessidade de fatiar a receita (setor/tempo) crescimento econômico por setor - PIB (faturamento, aumento de vendas tributadas, etc), aumento de preço, inflação, beneficio fiscais, carga tributário ( aumento ou diminuição). Não dá para querer simplificar o raciocínio na tentativa de fazer crer que o trabalho fiscal não interfere na composição da receita. Todos os dados apresentados anteriormente comprovam essa interferência e, portanto, é inútil tentar provar o contrário, como vem fazendo a SEF/MG.

Como se vê, superintendentes, delegados e chefes, antes de se prestarem ao papel de repetir o discurso da Administração como se fosse verdade, deveriam, pelo menos, se dar ao trabalho de consultar os dados disponíveis no site da Receita, poupando aos outros e a si mesmos do constrangimento da desinformação.

A Diretoria