COMUNICADO DA DIRETORIA
Nº 03/05
25 de janeiro de 2005


REMOÇÃO: mais um problema da estrutura implantada
no início do governo Aécio

SINDIFISCO de olho na democracia e transparência do processo

A Reforma Administrativa, implantada no governo Aécio Neves, criou, problemas crônicos, que se refletem até no momento atual com o processo de lotação/remoção.

Desde o início, a Diretoria do SINDIFISCO assumiu o compromisso de acompanhar todo o processo de remoção e mobilizar os colegas para que os critérios sejam objetivos, democráticos, transparentes e justos.

Conforme consta da Resolução 2.883, de 27 de novembro de 1997, artigo 4º, para efetivação das movimentações, são considerados tempo e avaliação de desempenho.

A remoção
Segundo informações da SUFIS/SRH, será feito um ranking com a pontuação de todos os servidores, que farão sua opção através de requerimento, indicando três unidades. 220 vagas serão disponibilizadas no total e a relação das unidades/vagas ainda será divulgada.

Os problemas
A Resolução 3.548, de 30.08.04, estabelecia os QECM (Quadros Específicos de Cargos Mínimos). Já havíamos alertado para um problema que poderia causar injustiças: o servidor que teria condições de ser removido, poderia perder seu direito por causa do QECM.

Em reuniões com a Administração (SRH, SUFIS e outros), buscando preservar o interesse público e os direitos dos servidores, lutamos para que fosse mantido o acordo inicial e conseguimos a alteração. No dia 18 de janeiro, foi publicado no Minas Gerais a Resolução 3.619 determinando, no artigo 4º, que nesse processo de remoção não será observado o QECM.
Com o fim dos QEC nas AFs, a lotação nas Superintendências Regionais e a classificação nas Delegacias Fiscais, não está claro qual será o critério de alocação dos servidores nas Delegacias e Postos Fiscais.
Os avisos e resoluções recentes criaram um clima de insegurança na fiscalização. Como ter a lotação nas mãos do Superintendente Regional e/ou Delegados Fiscais, podendo no futuro estar sujeito a arbitrariedades e as mais variadas ingerências políticas? Embora acreditamos que os atuais colegas que ocupam os cargos não teriam este comportamento!
Além disso, houve dúvidas dos servidores interessados no processo de remoção de que seriam prejudicados pela permanência dos fiscais residentes. Para esclarecimento da categoria, o SINDIFISCO realizou uma reunião, com a presença dos fiscais de Contagem e Betim, com o diretor da SUFIS, Gilberto Ramos, que garantiu que as vagas dos fiscais residentes não retirariam vagas da remoção.

Transparência, democracia e justiça
O processo de remoção, com critérios subjetivos, não garante os princípios fundamentais enumerados acima. Veja por que:

O processo é obscuro: ao fazer uma opção por uma Superintendência e devida Delegacia Fiscal (DF), o servidor deveria saber, previamente, onde será seu exercício, se em Posto Fiscal ou DF.

Não há justiça e democracia: ao fazer a opção via requerimento, indicando três opções, se não houver vaga em nenhuma das opções, o servidor não terá seu pedido atendido, entretanto outro servidor com classificação inferior no ranking poderá ser contemplado na sua frente.

Falta de transparência: o processo deveria ser pessoal e ao vivo, com um painel indicando as vagas, e os servidores sendo chamados, um a um, de acordo com sua classificação no ranking de pontuação. Isto porque se o fiscal está na cidade "X" e escolhe "Y", automaticamente será aberta uma vaga na cidade "X" que pode interessar a outros servidores. Salientamos, ainda, que os funcionários de Postos Fiscais serão lotados nas Superintendências, com classificação nas Delegacias, não tendo garantia de onde será seu local de exercício, ou seja, são obrigados a fazer o que chamamos de "opção no escuro".

Aviso 113, de 18 de janeiro de 2005
Os problemas para os Fiscais Residentes
Havia um compromisso informal da Administração de, ao extinguir o QECM das AFs, garantir a permanência dos fiscais residentes - que são os que estavam lotados nas AFs que tiveram os QECM extintos - em suas AFS de origem. Entretanto, com a Resolução 3.619, que alterou a Resolução 3.548, e o Aviso 113, os servidores que trabalhavam nas antigas AFs seriam obrigados a fazer opção para a Delegacia mais próxima, sem nenhuma garantia de que permaneceriam nos seus atuais locais de trabalho.

O local de trabalho e residência do servidor é tão importante quanto o seu salário e outros direitos e isto pode refletir no futuro de nossa vida profissional, pessoal e familiar. Uma carreira típica de Estado, com poder de polícia, deve ter o mínimo de garantia do local onde vai exercer sua função.

Após reuniões, o SINDIFISCO obteve o compromisso da SUFIS de que, apesar da publicação da nova Resolução, sairia uma norma, com prazo indeterminado e devida publicidade no diário oficial, com a manutenção do acordo que permitia que os funcionários residentes permanecessem nas devidas unidades, desde que residissem naquelas cidades e exercessem suas funções nessas unidades desde 2003.

RESULTADO: Saiu publicado, hoje, no Minas Gerais, COMUNICADO da SUFIS garantindo a permanência dos fiscais residentes.

Veja o que a Administração queria:

MEMO.CIRCULAR
GAB/SRE/SEF/Nº 017/2005 Em 14.01/2005

De: Pedro Meneguetti
Para: Superintendências Regionais, SUFIS e SRH
Assunto: Resolução Quadro Específico de Cargos - QEC Fiscalização

... Informamos que, mesmo com a publicação da nova Resolução, será permitida a permanência de fiscais nas AF, desde que tais servidores tenham residência nesses municípios e tenham atuada nessas unidades desde 2003. Ressaltamos, entretanto, que todos os servidores fiscais terão classificação em Delegacias Fiscais, sendo que o exercício em Postos Fiscais e Administrações Fazendárias se dará por meio de Ordem de Serviço a ser expedida pelo Superintendente Regional.


Agora, confira como ficou:

Minas Gerais, 25 de janeiro de 2005 - Caderno I, pág. 26

Secretaria de Estado de Fazenda
Superintendência de Fiscalização
Diretor: Gilberto Silva Ramos

COMUNICADO

O Diretor da Superintendência de Fiscalização - SUFIS comunica aos servidores fiscais que se encontravam classificados em AF e residindo no município de localização da respectiva AF em 14 de fevereiro de 2003, e que manifestarem a opção de que trata o Aviso 113/05, que, sendo de seu interesse, poderão permanecer em exercício nas AF de origem, mediante Ordem de Serviço do Diretor da SUFIS, porém, atendendo às necessidades de controle fiscal em toda a área de abrangência da Delegacia Fiscal de classificação, inclusive Postos Fiscais.
Secretaria de Estado de Fazenda, em Belo Horizonte, 24 de janeiro de 2005.

Discussão coletiva
Diante do exposto, o caminho é a discussão e luta coletiva para:

Para que seja garantido através de norma mais consistente (resolução) o compromisso acordado com os fiscais residentes na época da Reforma Administrativa. Sabemos que existe potencial de receita sonegada nos diversos locais e que os fiscais residentes trabalham não só com os contribuintes de seu município, mas de uma região de circunscrição daquela Delegacia.
Para que, aos funcionários que estão em Postos Fiscais obrigados a fazer opção para DF, sejam dados garantia de permanecer no mesmo local.
Para que todos os funcionários interessados no processo de remoção sejam reunidos para acompanhar escolha por escolha - uma remoção para um local, abre uma outra vaga -, evitando que funcionários com ranking inferior passem na frente. Dessa forma, estariam garantidos os princípios de objetividade, democracia, justiça e transparência.
Por último, para que o servidor tenha as garantias mínimas de lotação, classificação e exercício, não sendo submetido a arbitrariedades e ingerências políticas e econômicas.

Apesar dos avanços obtidos - formalização da permanência dos fiscais residentes (COMUNICADO da SUFIS, de 24.01.05) e retirada do QEC mínimo na primeira remoção (Resolução 3.619/05, de 14.01.05) -, vamos continuar nossa mobilização e discussão, lutando para reverter este processo e a nossa lotação/exercício não ficar nas mãos de Delegados/Superintendentes.

Fiscais interessados no processo de remoção: façam reuniões, discutam a questão, levantem problemas, sugestões, reivindicações e enviem para o Sindicato, pois iremos fazer novas reuniões com a Administração para conseguirmos que o processo atenda aos princípios de justiça, democracia e transparência.

A Diretoria