Estado de Minas, 9 de junho de 2011 - Primeiro Caderno - Seção: Gerais - Pág. 23

Campanha salarial

Militares aceitam reajuste

Com modificação da proposta pelo governo, categoria aprova em assembleia aumento escalonado, com primeira parcela em outubro. Até 2015, vencimentos devem dobrar
Thobias Almeida e Valquiria Lopes


Os policiais e bombeiros militares aceitaram ontem o reajuste escalonado oferecido pelo governo do estado. A aprovação da proposta do Executivo ocorreu em assembleia no Clube dos Oficiais, no Bairro Prado, Região Oeste da capital, que reuniu cerca de 10 mil pessoas, segundo a organização. O acordo, depois de negociações que se estenderam por três meses, prevê aumentos divididos em seis parcelas, deste ano até 2015, sendo que, já em outubro, os militares terão acréscimo de 10% no soldo (veja quadro).

Com o último reajuste a ser creditado em 2015, segundo as contas dos dirigentes das seis entidades de classe que se sentaram à mesa com representantes do governo, o piso salarial dos militares será de R$ 4.098, mais que o dobro do soldo atual (R$ 2.041). A proposta aceita é válida tanto para os quadros reformados quanto da ativa, além de pensionistas e setores administrativos das corporações.

Os líderes do movimento consideraram que houve avanço sobre a primeira proposta do governo, anunciada segunda-feira. O plano inicial seria conceder aumento de 7% em dezembro, a ser pago em janeiro de 2012. Além disso, representantes dos militares destacaram a ampliação do reajuste, de 10% para 12%, da segunda parcela, a ser paga em outubro de 2012. “A proposta não é a que queríamos, mas chegou o momento de encerrar o movimento, pois chegamos ao limite das negociações. Conquistamos avanços”, declarou Luiz Gonzaga Ribeiro, coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), um dos negociadores.

A assembleia registrou momentos de tumulto, porque parcela dos militares insistia na reivindicação de que o piso de R$ 4 mil fosse pago de uma vez só vez, ainda em 2011, condição considerada pelo governo impraticável, devido à questão orçamentária e à Lei de Responsabilidade Fiscal. “Não podemos provocar uma ruptura institucional. Negociamos até o limite”, disse o vice-presidente da Aspra, Marco Antônio Bahia.

Trânsito fechado Também em campanha salarial, professores da rede estadual, de braços cruzados, pararam o coração de Belo Horizonte no fim da tarde de ontem, quando milhares de pessoas tentavam voltar para casa. Por cerca de uma hora e meia, a Praça Sete, no cruzamento das avenidas Amazonas e Afonso Pena, na Região Central da cidade, permaneceu fechada devido à manifestação do pessoal da educação, aos quais se somaram servidores da Polícia Civil. Com a interdição, carros e ônibus chegaram a dar meia-volta e transitaram na contramão das duas avenidas para fugir do engarrafamento. Nos pontos de ônibus, centenas de pessoas aguardavam ansiosas. O tumulto teve início por volta das 17h30 e terminou às 19h.

“Estou vindo do trabalho, em Lagoa Santa, e ainda tenho que passar em casa antes de ir para a faculdade. Com certeza vou chegar atrasado”, reclamou o estudante Bernardo Andrade, de 26 anos, preso no engarrafamento. No ponto de ônibus a poucos metros, o porteiro Jason Alexandre Silva, de 22, esperava preocupado. “Estou indo para o trabalho e o outro porteiro só vai embora quando chego. Com certeza vou me atrasar”, afirmou.

Até chegar à Praça Sete, as duas categorias já haviam percorrido outros corredores da cidade em passeata. Os professores partiram da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde decidiram pela permanência do movimento grevista por tempo indeterminado. Eles reivindicam a elevação do piso salarial, para R$ 1.597 em jornada de 24 horas.

Desde o início do ano, os profissionais da educação recebem subsídio e não têm salários calculados com base no piso salarial. Em nota, o estado informou que, “mesmo reconhecendo que o novo modelo de remuneração por subsídio oferece ganhos reais para os servidores da educação, o governo de Minas decidiu que vai prorrogar, por mais 60 dias, a contar de 10 de junho, o prazo para o retorno ao sistema remuneratório vigente anteriormente”. Para fazerem a escolha, os profissionais devem se dirigir à superintendência regional de ensino em que estão lotados.

Os policiais civis, que se concentraram na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul, reivindicam 70% de reajuste. Apesar de cobrir o percentual, a proposta do governo, que acena com aumento parcelado até 2015, não foi considerada satisfatória. Porém, de acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social, os servidores não aceitaram a proposta, mas também não a rejeitaram. A secretaria aguarda uma posição oficial da categoria.

Escala para a defesa social
Data
Índice
Outubro de 2011
10%
Outubro de 2012
12%
Outubro de 2013
10%
Julho de 2014
15%
Dezembro de 2014
12%
Abril de 2015
15%