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Estado
de Minas, 28 de maio de 2011 - Primeiro Caderno
- Seção:
Política - Pág. 8
Minas
quer juro da dívida pública igual
ao da União
Após pagar duas vezes mais taxas que o governo
federal, estado conta com mudança na correção de
seus débitos
Amanda Almeida
O governo de Minas quer pagar à União, por sua dívida
de R$ 54,84 milhões, parcelas com as mesmas taxas de juros que
incidem sobre títulos da dívida interna federal. O secretário
de Estado da Fazenda, Leonardo Colombini, alega que, só no ano
passado, os juros que incidiram sobre a dívida do estado com o
governo federal foram o dobro das taxas pagas pela própria União
por seu passivo. “A forma de cobrança é injusta.
Quando houve a renegociação da dívida dos estados
com a União, em 1998, ela se endividou para salvá-los,
mas hoje paga juros bem mais baixos do que os estados pagam a ela”,
disse Colombini. Nessa sexta-feira, ele apresentou o balanço fiscal
de Minas do primeiro quadrimestre do ano e pediu a renegociação
do indexador da dívida do estado.
Para socorrer os estados, que não tinham limite de endividamento
antes da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), criada em 2000, a União
renegociou a dívida deles em 1998. “Na época, pareceu
vantajoso. Mas, 13 anos depois, estamos vendo que os indicadores não
eram bons para o estado”, afirma Colombini. Os contratos de empréstimos
com o governo federal preveem o reajuste das parcelas pelo IGP-DI, índice
de inflação da Fundação Getulio Vargas, mais
juros fixos de 7,5%. Segundo Colombini, no ano passado a taxa final foi
de 19%, enquanto a variação da Selic, que incide sobre
a maior parte dos títulos da dívida federal, ficou em 9%. “Vamos
pagar o que devemos. Só não queremos que ela continue crescendo
nessa curva absurda”, diz o secretário.
Depois de recusar várias vezes a renegociação do
indexador, alegando que mudanças ferem a LRF, o governo federal
sinalizou, na semana passada, que pode rever as taxas na reforma tributária,
disse Colombini. “Se a correção não mudar,
vamos ter uma situação muito difícil no futuro.
Hoje, conseguimos pagar as parcelas da dívida. Mas, em 2028, vamos
ser obrigados a pagar os resíduos (juros acumulados desde 1998)
em dez anos, e o valor chegará a comer 25% da receita do Estado.
Isso é inviável”, comenta.
Balanço
A receita corrente líquida do estado foi de R$ 34,77 milhões
nos últimos 12 meses, com crescimento de 16,95%, em relação
ao primeiro quadrimestre de 2010. O governo de Minas, no entanto, não
tem expectativa de que o aumento se mantenha no mesmo ritmo. “Acreditamos
que teremos 12% de crescimento em 2011. A queda no consumo, por conta
da inflação, diminuirá o ritmo”, diz Colombini.
O ICMS, principal imposto recolhido pelo Estado, puxou o crescimento,
com 14,79% de aumento. A dívida total do Estado é R$ 61,4
milhões, correspondendo a 173,12% da receita.
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