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Estado
de Minas, 26 de maio de 2011 - Primeiro Caderno
- Seção:
Gerais - Pág. 24
GOLPE
MILIONáRIO
Fraude e sonegação fiscal
Receita Estadual, Ministério Público e PM investigam uso
por padarias e supermercados da capital de software adulterado para sonegar
ICMS. Proprietários podem ser processados
Pedro Ferreira
Um esquema milionário de sonegação fiscal em padarias
e supermercados de Belo Horizonte é investigado pela Secretaria
de Estado da Fazenda, Ministério Público Estadual e Polícia
Militar, que desencadearam ontem a Operação Mr MM. O principal
alvo foi a sede da empresa M.M. Informática, no Bairro Vila Clóris,
Região Norte de BH, acusada de criar e vender o programas adulterados
para sonegação de ICMS. Foram feitas buscas e apreensões
nas casas dos proprietários e em cinco estabelecimentos comerciais.
O subsecretário da Receita Estadual, Gilberto Silva Ramos, disse
que não há estimativas do prejuízo aos cofres públicos,
mas a fraude pode ter ramificações em todo o estado. “O
rombo pode ser milionário no setor de varejo, que representa só nesses
segmentos recolhimento mensal em torno de R$ 250 milhões. Vamos
apurar há quanto tempo a fraude vinha sendo praticada”,
disse Gilberto Silva. O Ministério Público estima que a
sonegação de padarias que usam o software Lince ECF seja
de 50%.
Segundo o promotor Renato Fróes, do Centro de Apoio Operacional
das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica
e Tributária, a M.M. Informática vendia softwares adulterados
para máquinas de emissão de notas fiscais eletrônicas.
O estado, segundo ele, tomou conhecimento da fraude por meio do Ministério
Público do Espirito Santo, onde a empresa tem filial e praticava
a mesma fraude no controle de vendas e de estoque e mercadorias. “Os
programas só podem ser comercializados com autorização
da Secretaria da Fazenda, mas têm uma infinidade de alternativas.
Há um comando que permite ao contribuinte realizar uma venda e
não registrá-la no sistema oficial. Posso fazer uma venda
por caixa 2 e ela não ser informada no sistema de registro. Automaticamente,
não há a tributação”, explicou o promotor.
ADULTERAÇÃO O representante do Ministério Público
informou que a lista de clientes da M.M. Informática está sendo
apurada. Ele explicou que, como a empresa já era investigada no
Espírito Santo, passou a usar outro nome em Minas, MegVan, para
desenvolver e vender os softwares.
Comerciantes que adquiriram os softwares poderão ser processados
pelo crime de sonegação fiscal. Além da sonegação
de ICMS, os sócios da MM Informática, os irmãos
Márcio Eduardo Goulart Júnior e Marcorélio Silva
Valadares, responderão por comércio e divulgação
de programas adulterados.. Ontem, foram dadas buscas e feitas apreensões
nas residências dos empresários, no Bairro Ouro Preto, na
Pampulha. Os dois não foram localizados.
Para o subsecretário da Receita, Gilberto Silva, ainda é pequena
a estimativa de padarias e supermercados que usavam o programa adulterado.
A venda de várias mercadorias nesses segmentos, segundo ele, já são
taxadas por substituição tributária. “Quem
vende para esses estabelecimentos já faz a retenção
do imposto. Mas há outros tributos federais sobre as vendas, como
o PIS e a Cofins”, explicou.
OPERAÇÃO Na manhã de ontem, dois promotores, um
procurador de Justiça, 27 auditores fiscais, dois técnicos
da Secretaria de Estado de Fazenda e 16 policiais militares cumpriram
mandados de busca e apreensão em padarias nos bairros Santa Tereza,
Palmeiras e Cidade Nova. Proprietários e gerentes ficaram surpresos
com a presença de fiscais da Receita e PMs.
No início da tarde , várias caixas com documentos e computadores
haviam sido apreendidos na sede da MM Informática. Funcionários
disseram não saber o que estava acontecendo. Fiscais começaram
a copiar arquivos eletrônicos da empresa ainda pela manhã e
o trabalho iria até o fim da tarde.
No Espírito Santo, segundo o Ministério Público,
a empresa de um dos empresários foi descredenciada e várias
padarias que praticavam a fraude foram autuadas pela fiscalização. “O
sistema comercializado pela quadrilha, denominado Lince ECF, possibilita
a venda de mercadorias sem a emissão do cupom fiscal, mas permite
o controle contábil e de estoques, de modo a que o fraudador tenha
pleno acesso às vendas efetuadas irregularmente”, informou
o representante do Ministério Público de Minas.
EXTORSÃO
As corregedorias das polícias Civil e Militar investigam esquema
de extorsão a comerciantes de um shopping no Centro de BH. Um
policial civil foi preso ontem com R$ 600, que teriam sido levados dos
lojistas. Antes, comerciantes fizeram cópias das notas, o que
confirmou a extorsão. O tenente-coronel Márcio Cassavari,
comandante do 1º Batalhão da PM, disse que a operação
ia prender um militar. “Ele conseguiu escapar e um dos cúmplices
era o policial civil aposentado”, revelou.
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