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Estado
de Minas, 19 de maio de 2011 - Primeiro Caderno
- Seção:
Política - Pág. 3
TRIBUTOS
Pressão
total para atrair investimento
Prefeitos
do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha se juntam a campanha por
sanção e prorrogação do prazo de validade
da MP que prevê incentivos para indústria automotiva
Luiz Ribeiro
Lideranças políticas mineiras desencadearam um movimento
de pressão no Congresso para que sejam prorrogados os efeitos
da Medida Provisória 512, que concede incentivos fiscais a empresas
automotivas que se instalarem no Nordeste, Norte e Centro-Oeste e em
165 municípios do semiárido mineiro. A presidente Dilma
Rousseff (PT) decide pela sanção ou veto da norma hoje.
O prazo para concessão dos benefícios termina amanhã.
A campanha, que vinha sendo liderada pelo senador Aécio Neves
(PSDB-MG), ganhou ontem a adesão de prefeitos e empresários
do Norte de Minas, que acionaram os deputados estaduais para entrar na
briga, o que será feito hoje, em visita do líder do PT
no Senado, Humberto Costa, à Assembleia Legislativa.
Deputados estaduais governistas e de oposição recolheram
assinaturas dos pares para entregar ao senador, durante uma visita à Casa
para falar de Reforma Política. A mobilização veio
com um abaixo-assinado de 150 prefeitos do Norte mineiro e do Vale do
Jequitinhonha, que entregaram manifesto aos parlamentares pelo empenho
na prorrogação dos benefícios para a área
mineira da Sudene. Querem que o prazo da MP assinada pelo ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva se estenda até 31 de dezembro.
Isso porque a inclusão dos mineiros só veio no fim de abril,
com a confirmação de um substitutivo apresentado pelo senador
Aécio Neves.
Em pronunciamento ontem no Senado, Aécio Neves cobrou do governo
federal a sanção da MP, destacando a importância
da medida. Ele lembrou que houve um compromisso de Humberto Costa de
que seriam feitas gestões junto à presidente Dilma para
que ela não vete a expansão da área de abrangência
da medida e amplie sua vigência até o fim do ano. “Lutamos
para que fosse estendido até o fim do ano o prazo que termina
no dia 20 de maio para apresentação de projetos. A proposta
que foi aprovada estendia a região geográfica, mas não
ampliava o prazo. Houve, entretanto, o compromisso da liderança
do governo de trabalhar pelo aumento do prazo”, cobrou Aécio.
No pano de fundo da discussão está a disputa por novos
empreendimentos. Quando baixou a Medida Provisória 512, em novembro
de 2010, o ex-presidente Lula facilitou a ida para Pernambuco de nova
fábrica da Fiat Automóveis, disputada por Minas Gerais.
A MP concedeu a isenção do Imposto de Importação
para máquinas e equipamentos e de parte do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI). Agora, o estado entrou na briga por uma nova
montadora da BMW.
A princípio, os dispositivos da Medida Provisória valeriam
somente até dezembro de 2010, atendendo as regiões Nordeste,
Norte e Centro-Oeste. O senador Aécio Neves se mobilizou e solicitou
extensão do benefício a 165 municípios do Norte
de Minas e do Vale Jequitinhonha, que fazem parte da área da Superintendência
do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Aécio também solicitou
que o prazo de validade fosse ampliado para até dezembro de 2011.
Mas, o relator da Medida Provisória, deputado Moreira Mendes (PPS/RR),
fixou em 20 de maio o fim do prazo para concessão dos incentivos
fiscais., alegando que enfrentou resistência de lideranças
governistas. “Se colocasse o prazo até dezembro, ocorreria
uma discussão enorme e nada seria aprovado.”, afirmou o
relator.
Pela legislação, a presidente não pode alterar
o texto da Medida Provisória após a apreciação
pelo Congresso. Mas, para atender o apelo das lideranças de Minas,
seria buscada uma alternativa, incluindo a prorrogação
dos incentivos fiscais como emenda em outra medida provisória
ainda em votação no Congresso. A solução
teria sido proposta pelo líder Humberto Costa. (Colaborou Leandro
Kleber)
ENTENDA O CASO
A Medida Provisória 512 foi editada em novembro pelo então
presidente Luiz Inácio da Silva, concedendo benefícios
fiscais federais a empresas do setor automotivo que apresentassem projetos
para se instalar nas Região Norte, Nordeste e Centro-Oeste do
país. O prazo para a apresentação dos projetos termina
em 20 de maio
Os incentivos foram usados pela Fiat Automóveis, com sede em
Betim, Minas Gerais, para investir R$ 3 bilhões na instalação
de unidade em Pernambuco, em projeto anunciado no fim de 2010
Neste ano, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) propôs a inclusão
dos 165 municípios da Área Mineira da Sudene e do Espírito
Santo no texto
da MP
O texto foi aprovado pelo Congresso, que acolheu o pedido
do senador tucano, estendendo os incentivos aos municípios mineiros do Norte
e Nordeste e dos vales do Jequitinhonha e do Mucuri. A proposta depende
agora da sanção da presidência da República
De acordo com a MP, entretanto, as empresas de automóveis teriam
até 20 de maio para apresentar seus projetos de investimentos
industriais nas áreas atendidas. Por isso, há forte para
que a presidente Dilma Rousseff estenda o prazo até o fim do ano
Reposição
de perdas do ICMS
Rosana Hessel
Brasília – Os governadores dos estados das regiões
Sul e Sudeste saíram da reunião de ontem à tarde
sobre Reforma Tributária com o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
sem um acordo. Pelo menos, um consenso havia no discurso dos convidados:
para reduzirem as alíquotas do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS), o governo federal deverá apresentar
medidas compensatórias com garantias seguras e que sejam feitas
de forma automática.
Entre os que participaram do encontro, o governador de
Minas Gerais, Antonio Augusto Anastasia, saiu otimista da reunião com Mantega. "Naturalmente
cada estado tem um perfil econômico diferente e isso repercute
de maneira distinta em cada realidade tributária. O governo federal
assumiu o compromisso nessa proposta também, de colocar uma forma
de compensação muito mais automática, objetiva e
concreta do que aquela que hoje ocorre, por exemplo, em relação à Lei
Kandir (que isenta os exportadores do pagamento do imposto). Isso foi
o primeiro passo de uma conversa", afirmou.
O governo federal pretende, com a reforma, diminuir alíquotas
de ICMS interestadual de 12% para 2% até 2016. Os governadores
alegam que precisam de um período maior, de até 12 anos,
para que essa redução ocorra de forma menos abrupta para
os seus respectivos cofres. No entanto, nenhum deles aceitou a redução
chegue a 2%. O mínimo a que conseguiriam chegar seria 6%. Além
de Anastasia, participaram da reunião os governadores Renato Casagrande
(ES), Tarso Genro (RS), Beto Richa (PR), Sérgio Cabral (RJ), Geraldo
Alckimin (SP) e o vice-governador Eduardo Moreira (SC).
Para o governador mineiro, os estados não podem mais aceitar
perda de receitas. As propostas apresentadas pelo ministro, segundo ele,
ainda estão sendo debatidas. “Não houve deliberação
nem decisão”, afirmou. O governador tucano defende a composição
de uma alíquota que atenda todos os estados.
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