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Estado
de Minas, 19 de maio de 2011 - Primeiro Caderno
- Seção:
Opinião - Pág. 6
EDITORIAL
Uma nova previdência
Governo não pode perder o tempo certo para fazer reforma
O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, surpreendeu
os membros da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal,
ao propor não apenas o debate em torno da Reforma da Previdência,
e já ofereceu alternativas de mudança, a começar
pela substituição do fator previdenciário. Adotado
na primeira tentativa de reforma nos anos 1990, o fator é um redutor
do valor da aposentadoria para o caso de o trabalhador completar o tempo
de contribuição antes da idade mínima de 60 anos,
para as mulheres, e 65, para os homens. A regra foi implantada como um
inibidor das aposentadorias de pessoas que ingressaram mais jovens no
mercado de trabalho formal. Para evitar a questão dos direitos
adquiridos, a proposta de Garibaldi Alves dá um tratamento para
os que já estão contribuindo e outro para os futuros trabalhadores.
Para os novos, ficaria definida simplesmente uma idade mínima,
que poderia ser a de 60 anos para mulheres e 65 para homens, abaixo das
quais não seria concedido o benefício.
O fim do fator previdenciário é, de fato, mais importante
para as pessoas que já trabalham e, principalmente, para os que
estão perto de se aposentar. Para esse caso, a proposta do governo,
anunciada pelo ministro da Previdência, é a retomada da
fórmula 85/95, que chegou a ser proposta ao Congresso Nacional
em 2009, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
depois de longa negociação com centrais sindicais. A fórmula
permite a aposentadoria integral quando a soma do tempo de contribuição
com a idade alcançar 85 para as mulheres e 95 para os homens.
É sabido que governante algum consegue levar com êxito
projetos de reformas importantes, como o da Previdência Social,
sem contar com a força do apoio popular de que naturalmente desfruta
nos primeiros seis meses de mandato. No quinto mês desde sua posse,
a presidente Dilma Rousseff conta ainda com bom cacife político
para provocar as mudanças que são indispensáveis à administração
das contas públicas. E as da Previdência já representam
necessidade de cobertura pelo Tesouro Nacional de algo como R$ 100 bilhões
por ano.
Menos comentado, o déficit provocado pelas aposentadorias do
funcionalismo federal já é maior do que o dos milhões
de benefícios mal pagos pelo Regime Geral aos aposentados da iniciativa
privada. A pressão organizada e concentrada em Brasília
desses funcionários tem sido um desafio a todos os governantes.
Para esses casos, o ministro também desenterrou projeto antigo,
mas que até hoje ninguém conseguir fazer andar: a criação
de um regime de previdência complementar, a ser pago pelo servidor
com ajuda do governo, inspirado nos fundos de pensão mantido pelas
empresas estatais.
Não importa que o governo não tenha detalhado propostas.
O que não pode ser perdida é a anunciada disposição
de enfrentar o problema. A questão previdenciária não é privilégio
de país pobre ou emergente. Pelo contrário, tem provocado
discussões e até conflitos em praticamente todo o mundo.
As nações mais bem-sucedidas não deram mais do que
pequenos passos. Mas o que não é responsável é não
dar passo algum. O Brasil não pode mais continuar como está:
produz déficits comprometedores de um lado e paga aposentadorias
miseráveis de outro.
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