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Tempo, 29 de janeiro de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção:
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- Pág. 19
Choque
de gestão?
Publiquei em minha primeira coluna
deste 2011 em O TEMPO texto apontando a aberração político-administrativa que vigora
atualmente no Estado: o artifício das leis delegadas que vem
sendo usado pelo governador Antonio Anastasia. Os mineiros começam
agora a sentir os primeiros efeitos dessa distorção.
As leis delegadas permitem ao governador
legislar em uma série
de temas. Além do fato de ser uma prática dos governos
do PSDB em Minas, elas significam dispensar a aprovação
da Assembleia, justamente o Poder apropriado para fazer o debate
e representar a sociedade na discussão das leis. É como
se Anastasia estivesse unificando os Poderes Executivo e Legislativo,
quando a Constituição determina que eles têm
atribuições distintas.
A mais recente proeza do governador
mineiro foi criar, via lei delegada, mais de mil cargos comissionados
para os próximos quatro
anos. São precisamente 1.314 cargos cujo preenchimento se
dá sem concurso público. Em 60% dos casos, a nomeação é imediata.
Após três semanas à frente do Palácio
da Liberdade (mantenho o nome da antiga sede do governo porque
liberdade é algo arraigado ao DNA mineiro), Anastasia já inchou
a máquina pública de Minas.
O acréscimo de funcionários sem concurso na máquina
representa 7% no total de cargos comissionados no Estado. Será que
a decisão integra a política de choque de gestão
criada pelo ex-governador, agora senador eleito Aécio Neves?
Infelizmente, a prática de preencher cargos sem concurso público,
elevar os gastos com propaganda à custa do erário e
governar por decreto (ou leis delegadas) são marcas da gestão
Aécio. Mas também dos governos tucanos como um todo.
O choque de gestão, apresentado ao país como fórmula "miraculosa" de
governar, é na verdade uma combinação entre
a demissão de quadros públicos, a contratação
de serviços terceirizados - o que desvaloriza importantes
carreiras do Estado e transforma os funcionários públicos
em vilões da má gestão - e o corte de gastos
e de investimentos, principalmente nas áreas sociais. O quadro
se completa com a propaganda excessiva.
A "fórmula" tucana foi adotada em São Paulo,
ainda que com outro nome, pelo ex-governador José Serra, é mantida
pelo atual, Geraldo Alckmin, e foi assumida orgulhosamente pela ex-governadora
Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. É levada para todos os
locais onde os tucanos governam.
É
preciso pressionar o governador a abandonar o uso das leis delegadas
e a administrar o Estado como os demais governadores: aprovando propostas
nas assembleias legislativas. Fazer valer o princípio da separação
dos Poderes que a Constituição determina é,
sem dúvida, a melhor opção.
Situações como essas comprovam a urgência na
aprovação das reformas política e administrativa,
para que o preenchimento de cargos de confiança seja feito
somente com funcionários de carreira. Exatamente como o PT
defende desde 1988, quando dos debates da Constituição
brasileira. |