O
Tempo, 26 de fevereiro de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção:
Política
- Pág. 9
Crédito
consignado
Cade
apura monopólio do BB
Banco
tem até 16 de março para enviar esclarecimentos
sobre contratos
QUEILA ARIADNE
Punição. Se BB não entregar explicações
no prazo, estará sujeito a multa de R$ 5.000 ao dia
Cerca de 40 dias depois de o Banco Central soltar uma circular proibindo
os bancos de firmarem novos contratos de exclusividade na oferta
de crédito consignado para servidores públicos, agora é a
vez do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) entrar
no combate à prática. O órgão determinou
ao Banco do Brasil (BB) que envie, até o dia 16 de março,
informações a respeito da denúncia de que a
instituição financeira teria cometido práticas
anticompetitivas em operações de crédito consignado
de diversos Estados e municípios. Caso não responda
dentro do prazo, o banco estatal terá que pagar multa diária
de cerca de R$ 5.000.
Com essa solicitação, o Cade passa a ingressar efetivamente
em um processo que já dura oito meses. "O fim da exclusividade
em novos contratos feitos a partir de janeiro já foi resolvido
com a circular do Banco Central. Agora, essa atitude do Cade de investigar
faz parte da nossa luta para derrubar a exclusividade em contratos
assinados no passado, antes da proibição do BC",
explica o advogado que representa a Federação Interestadual
dos Servidores Públicos Municipais e Estaduais (Fesempre),
Vicente Bagnoli.
Na sessão plenária da última quarta-feira,
o conselheiro relator, Vinícius Carvalho, questionou os colegas
sobre a possibilidade de tornar público o caso, que até o
momento estava sendo tratado como confidencial pela autarquia.
O Cade deseja
discrição porque, oficialmente, não
há qualquer processo instaurado até o momento. A ação
de Carvalho em relação ao BB, no entanto, se encaixa
como um procedimento de averiguação preliminar. Na
avaliação informal de alguns conselheiros, o Cade "reconheceu
a sua competência e com a decisão instaurou o caso".
Para o procurador-geral do conselho, Gilvandro Vasconcellos, no entanto,
ainda é cedo dizer que o órgão está chamando,
com a solicitação de Carvalho ao BB, a questão
para si.
O tratamento
delicado dado a esse processo tem uma explicação. É que
a denúncia foi feita pela Fesempre em junho do ano passado à Secretaria
de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça.
Ocorre que a SDE se recusou a realizar a instrução
do caso, porque um parecer da Advocacia Geral da União (AGU)
afirmou que o órgão não seria o mais adequado
para tratar de casos provenientes do setor financeiro, o que caberia
ao BC. O Cade também entrou em contato com o BC há dois
meses, mas até o momento não recebeu retorno. (Com
agências)
Minas Gerais
MP
revogou exclusividade da instituição O Banco do Brasil é a instituição financeira
que tem mais contratos de exclusividade na concessão de crédito
consignado a Estados e prefeituras. Em dezembro de 2009, o BB chegou
a pagar R$ 320 milhões ao governo de Minas para ter condições
diferenciadas na concessão do empréstimo com desconto
em folha. Entretanto, após recomendação do Ministério
Público do Estado, o decreto que regulamentaria o acordo foi
revogado. Segundo o governo, os R$ 320 milhões não
foram devolvidos porque o acordo incluía outros pontos que
foram cumpridos. O MPE também atuou fortemente e conseguiu que várias
prefeituras cancelassem os contratos de exclusividade com o BB e
outros bancos. (QA) |