O Tempo, 26 de fevereiro de 2011 - Primeiro Caderno - Seção: Política - Pág. 4

Imposto de renda

Oposição vai insistir em 5,91%

Governo já decidiu enviar medida provisória com correção de 4,5%

Depois da disputa sem sucesso por um aumento maior do salário mínimo, a oposição já se prepara para travar outra batalha com o governo, embora saiba que não tem chances de sair vitoriosa. Dessa vez a discussão se dará pela correção do imposto de renda. O governo da presidente Dilma Rousseff já bateu o martelo e vai enviar ao Congresso a proposta de 4,5% de reajuste da tabela. Em reunião, ontem, em Brasília, líderes do PSDB na Câmara acertaram que vão buscar anexar o projeto do líder da bancada, Duarte Nogueira (PSDB-SP), que propõe uma correção de 5,91%, mesmo valor da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano passado, à medida provisória que deverá ser envida pelo governo na próxima semana. Se não conseguirem, os tucanos vão propor uma emenda à proposta do governo, com o reajuste de 5,91%.

"O que queremos é um cálculo justo. Não podemos admitir essa proposta menor do que o justo. Estamos buscando com essa ação compensar as perdas decorrentes da inflação do ano passado. O cálculo do governo é prejudicial por contemplar um valor inferior ao da inflação", afirma o líder da minoria na Câmara dos Deputados, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG).

Segundo Duarte Nogueira, o governo do PT tem abusado na cobrança de impostos da pessoa física. "O governo vem sistematicamente se apropriando da correção do imposto de renda, abaixo da inflação, para, com isso, acabar cobrando mais impostos do cidadão. Isso nós não podemos aceitar. Vamos lutar por uma correção maior", afirma o deputado.

Aliados. No início da próxima semana, o PSDB vai procurar os outros partidos da oposição. A legenda acredita que o governo não vai conseguir o mesmo apoio da base como o que obteve na votação da proposta do salário mínimo. "Aquela era a primeira votação e a nossa primeira grande batalha nessa nova legislatura", afirma Abi-Ackel.

O primeiro partido a ser procurado pelos tucanos vai ser o DEM, que não deve apresentar dificuldades em apoiar o PSDB. A legenda também vai conversar com o PPS, mas o partido agora está alinhado ao PV na Câmara, que assumiu uma postura de independência. "Estamos conversando. Vamos articular para mostrar que a nossa proposta é viável e mais justa", disse Abi-Ackel.