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Tempo, 23 de janeiro de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção:
Política
- Pág. 5
Sigilo
Minas é o único
Estado do Brasil que omite despesas
Legislações de 2004 e deste ano garantem ao governo
mineiro o direito ao "silêncio" Minas Gerais e outros cinco Estados que pagam pensões vitalícias
a ex-governadores não repassam informações detalhadas
sobre os benefícios pagos. Entretanto, o governo mineiro é o único
que se recusa a informar qualquer dado a respeito do tema. O Estado
argumenta que leis de 2004 e deste ano impedem que sejam divulgados
os salários de pensionistas sem a autorização
expressa do próprio beneficiado.
A lei deste ano, usada como justificativa, foi assinada
pelo governador Antonio Anastasia (PSDB) no último dia 13. A norma trata de
consignação em folha de pagamento de servidores inativos
ou na ativa.
O governo mineiro afirma que, apesar de serem agentes
políticos,
ex-governadores se transformam em "servidores públicos
inativos" quando passam a ser beneficiários da pensão.
Portanto, se enquadrariam na legislação. "Nós
cumprimos a norma", disse Anastasia, ao ser questionado sobre
o assunto.
O benefício, em Minas, foi criado em 1957 e ainda está em
vigor. A aposentadoria é do mesmo valor do atual salário
do governador: R$ 10.500. Já as viúvas têm o
direito de ganhar metade desse valor.
Segundo Anastasia, somente se houver autorização do
próprio ex-governador que desfruta de aposentadoria vitalícia,
a informação será divulgada. "Sou professor
de direito e, como tal, tenho que cumprir as leis. Enquanto a lei
tiver essa determinação, ficamos numa situação
muito delicada quando os governantes começarem a descumpri-las",
afirmou o governador.
O deputado eleito Newton Cardoso (PMDB), e os senadores
eleitos Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS) não recebem
o dinheiro. O senador Eduardo Azeredo (PSDB) está incluído
na lista de beneficiários desde 2003. Os demais ex-governadores
de Minas Gerais ainda vivos - Rondon Pacheco, Francelino Pereira
e Hélio Garcia - não informaram se solicitaram, ou
não, a aposentadoria.
"Caixa-preta". O conselheiro federal da Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB), Mário Lúcio Quintão, afirma
que o benefício representa uma verdadeira "caixa-preta". "É uma
farra. Isso quebra o princípio de isonomia entre os cidadãos",
afirma Quintão. (Com Folhapress)
Questionamento
Supremo. A OAB nacional entrou com uma ação de inconstitucionalidade,
no Supremo Tribunal Federal, por meio da qual questiona as aposentadorias
aos ex-governadorias. A OAB defende a extinção do benefício
em todo o país.
Caso a caso
Transparência é limitada em outros Estados Outros Estados também impõem resistências à divulgação
de dados referentes ao pagamento de aposentadorias a ex-governadores.
Entretanto ? com exceção de Minas Gerais ?, ao menos
informações básicas, como o impacto dessa despesa
no orçamento, são repassadas.
No Maranhão, a assessoria da governadora Roseana Sarney (PMDB)
informou que ela recebe, por mês, cerca de R$ 24 mil. O montante
se refere à aposentadoria, já que ela governou o Estado
entre 1996 e 2004. Ao solicitar o benefício, Roseana teve
de abrir mão do atual salário.
A assessoria do governo de Rondônia informou que ex-governadores
têm direito a uma aposentadoria vitalícia de R$ 20 mil,
que pode ser acumulada com ganhos relativos a outros cargos públicos.
Em Mato Grosso, até ex-governadores interinos recebem o benefício.
No Paraná, nove ex-governadores recebem R$ 24,8 mil. O pagamento
inclui o 13º salário. (Da Redação)
Conta alta
Benefícios. Os Estados brasileiros gastam R$ 30,5 milhões
por ano com o pagamento de aposentadorias para ex-governadores. Com
esse valor, seria possível, por exemplo, construir 800 casas
populares.
Ceará
Benefício é o dobro do salário O
caso de maior desproporção entre os valores líquidos
pagos em aposentadoria a ex-governadores é o do Ceará.
O benefício vitalício dos ex-mandatários cearenses
equivale a quase o dobro do salário pago ao atual governador
do Estado, Cid Gomes (PSB), que é de R$ 13,2 mil. Isso porque
a lei que estabeleceu a aposentadoria equiparava o benefício
ao salário de um desembargador do Tribunal de Justiça
do Ceará, que, em valores atuais, que é de R$ 24,2
mil.
Lei extinta. Hoje, quatro ex-governadores e a viúva de um
ex-governador são beneficiados no Ceará, segundo a
assessoria imprensa do governo do Estado. Os valores pagos mensalmente
a cada um não foram revelados. Apesar do peso dessa despesa
no orçamento cearense, a farra foi podada. Desde 2007, a concessão
de novos benefícios foi extinta. Entretanto, quem já havia
garantido o direito a receber aposentadoria ou pensão, ainda
continua inserido na lista de beneficiários.
O único ex-governador cearense que comentou a polêmica
foi Tasso Jereissati (PSDB-CE). O senador garante que não
recebe a aposentadoria. (Da Redação) |