O
Tempo, 2 de março de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção:
Política
- Pág. 3
Imposto. Presidente revela que governo federal está realizando
um diagnóstico sobre o orçamento
da saúde
Governo faz estudo para avaliar a volta da CPMF, diz Dilma
É
a primeira vez que petista admite fazer discussões sobre a
recriação do tributo
Rio de janeiro. O fantasma da criação de um novo imposto
voltou a ganhar força. A presidente Dilma Rousseff (PT) admitiu
ontem iniciar um debate sobre o retorno de uma contribuição
exclusiva para a saúde, nos moldes da extinta Contribuição
Provisória sobre a Movimentação Financeira
(CPMF), caso faltem recursos para o setor.
Durante participação no programa "Mais Você",
da TV Globo, Dilma falou sobre a possível volta da CPMF enquanto
cozinhava uma omelete. "Essa conversa é feita da forma
errada. Para ver se precisa ou não precisa de CPMF, a gente
tem que saber para quê", afirmou. "Estamos fazendo
um diagnóstico de como é o atendimento no Brasil. Se
faltar dinheiro, vamos abrir a discussão com a sociedade",
disse Dilma, sem estipular prazo para a conclusão do estudo.
É a primeira vez que ela fala abertamente sobre o tema, desde
que a recriação da CPMF voltou à tona, após
encontro de governadores do Nordeste, na semana passada, em Sergipe.
Na conversa com a apresentadora Ana
Maria Braga, Dilma buscou deixar claro que, apesar de um novo imposto
não estar descartado,
a prioridade do governo é resolver a carência de verbas
para a saúde com a "otimização da gestão".
Caso se conclua que, ainda assim, falta dinheiro para o setor, aí sim
o governo levaria à frente a ideia de recriar uma contribuição
nos moldes da CPMF.
Recursos. Enquanto a volta da CPMF é discutida, a análise
de valores destinados à saúde trazem uma conclusão:
o fim do imposto do cheque não afetou o crescimento de repasses
para o setor.
De 2003 a 2007, quando a taxa era
cobrada, o orçamento do
Ministério da Saúde cresceu 6% ao ano. Nos três
anos seguintes - de 2008 a 2010 -, quando a CPMF já estava
extinta, o crescimento anual foi maior: uma média de 6,4%.
Na entrevista exibida ontem, a petista
voltou a defender a política
de valorização do salário mínimo. Dilma
reafirmou que, em 2012, o salário será de R$ 616. Ontem,
Dilma cumpriu agenda oficial em Irecê, na Bahia.

|