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Tempo, 19 de maio de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção:
Economia
- Pág. 8
Reforma
tributária.Estados que sofrerem prejuízos
com a mudança seriam compensados, disse Anastasia
Governo estuda mudar ICMS para acabar com guerra fiscal
Ideia é igualar a alíquota
para itens importados e chegar a 2% em 2014
Brasília. Os governadores das regiões Sul e Sudeste
do país estiveram ontem em Brasília para uma reunião
com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Na pauta, a reforma tributária,
ou pelo menos o início dela, com a chamada reforma fatiada,
ponto a ponto, em vez de um grande pacote. A maioria dos governadores é favorável à redução
da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS) para importados.
O ministério estuda um projeto de lei para equilibrar a cobrança
de ICMS para importados nos Estados e, assim, evitar a guerra fiscal
entre as unidades da federação. A ideia é reduzir
o imposto de forma gradual até chegar a 2% em 2014.
Os governadores também debateram mecanismos de compensação
de eventuais perdas que os Estados venham a sofrer em virtude da
reforma, assim como a renegociação da dívida
que as unidades da federação mantêm com a União.
Os critérios de partilha dos recursos do Fundo de Participação
dos Estados (FPE) também entraram em pauta.
O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), afirmou que
a reunião serviu para que o ministro Mantega apresentasse
ideias que já estão em estudo no Conselho Nacional
de Política Fazendária (Confaz). "A intenção é reduzir
a alíquota do ICMS interestadual num percentual entre 2%
e 4%", explicou.
De acordo com o tucano, o diálogo com os governadores foi
necessário porque os Estados possuem perfis econômicos
diferentes - o que gera repercussões distintas em cada realidade
tributária. "Foi uma primeira conversa", resumiu
o governador, antes de declarar que todos os presentes concordaram "com
a tentativa de melhoria nas regras do ICMS".
Anastasia contou que "o governo federal assumiu um compromisso
de colocar uma forma de compensação" aos Estados
que sofrerem prejuízos por causa das modificações
na regra atual. Essa "compensação" viria
de um fundo próprio, a ser criado pelo governo, ou por meio
do Fundo de Participação dos Estados.
Com relação a esse suposto fundo de compensação,
Anastasia disse que o "contorno" dele ainda não
foi apresentado, "até porque os Estados não têm
conhecimento ainda para ver quais seriam as perdas e ganhos".
O governador afirmou também que "os Estados já estão
muito onerados", e que, por esse motivo, a reforma tributária
não pode gerar perda de receita. "O ICMS é praticamente
o único tributo que sustenta os Estados", defendeu. Sobre
a proposta em si, Anastasia respondeu: "nem agradou, nem desagradou".
Reivindicação
Estados cobram que haja "troco"
Brasília.Os governadores são unânimes em dizer
que a proposta de reduzir o ICMS dos importados é aceitável,
desde que não prejudique ninguém. "Não é impor
perdas para um e ganhos para outros, ela (a reforma) deve ser neutra.
Desde que haja compensação para quem perde arrecadação,
não há problema. Mas não é possível
você impor perda de arrecadação para vários
Estados", afirmou o governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin (PSDB).
De acordo com o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, "a
ideia inicial é positiva: uma resolução que
permita, desde que haja aquiescência dos Estados, uma alíquota
que atenda a todos, e que, ao mesmo tempo, impeça a guerra
fiscal predatória".
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), lembrou que
a dívida que os Estados mantém com a União
também poderá servir como "eventual mecanismo
de compensação num processo de iniciação
da reforma tributária".
O governador do Paraná, Beto Richa, afirmou que o Estado quer
analisar as medidas compensatórias que o governo vai apresentar. "Tendo
medidas compensatórias, acho que é algo que dá pra
discutir", disse Richa.
Mais
tempo. O vice-governador de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira,
defendeu que, caso haja alguma redução, ela não
seja feita de imediato. "Isso não pode acontecer em
dois, três ou quatro anos. O período mínimo é de
dez anos; 2% trará prejuízo para Santa Catarina".
(TF com agências)
Entenda a proposta para equilibrar o imposto
Situação
atual
Alguns Estados reduziram sua alíquota de ICMS sobre artigos
importados para elevar o fluxo em seus portos e arrecadar mais. Esses
Estados forçam os demais a reduzir também. Especialistas
apontam que essa competição reduz a arrecadação
de modo geral.
Objetivo da mudança
Equilibrar a cobrança de ICMS para importados nos Estados
e, assim, evitar a chamada guerra fiscal entre as unidades da federação.
Ideia
Reduzir o imposto sobre importados gradualmente até chegar
a 2% em 2014
Proposta
Nos Estados onde hoje se cobra 12% de ICMS, o imposto cairia para
8% em 2012, 4% em 2013 e, finalmente, 2% em 2014.
Já nos Estados onde a cobrança do ICMS é de
7%, o tributo cairia para 4% em 2012, e para 2% em 2014.
Fonte: governo federal
Reforma é saída
para melhorar exportações, afirma Pastore
Rio de Janeiro. O governo precisa investir na reforma
tributária
para estimular as exportações, segundo o professor
da USP e ex-presidente do Banco Central, Affonso Pastore. De acordo
com ele, essa é a saída para impulsionar o crescimento
do país, na ausência de uma política para aumentar
a poupança.
Pastore participou ontem do XXIII Fórum Nacional, na sede
do Banco Nacional de Desenvolvimento econômico e Social (BNDES),
no Rio de Janeiro. "Eu não vejo a política fiscal
do governo voltada para aumentar poupança. Não está no
cardápio. O que tem que fazer é no lado tributário,
para tentar aumentar as exportações", afirmou.
O ex-presidente do BC defende que o ICMS passe a ser coletado pelo
princípio do destino e não na origem, além
de ter uniformidade de alíquotas. Outra exigência
seria promover desonerações tributárias, como
os encargos na folha de trabalho, além de diminuir os impostos
de setores como energia elétrica e controle de capital,
para gerar crescimento e competitividade.
JUROS. Os juros altos não são a única razão
para a desvalorização do dólar frente ao real.
A queda na percepção de riscos macroeconômicos
provocou um aumento na demanda por ativos brasileiros, segundo Pastore.
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