O
Tempo, 15 de fevereiro de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção:
Política
- Pág. 3
Contas
públicas.Executivo gasta
48,61% com servidores, enquanto legislação federal prevê teto
de 46,55%
Governo de Minas descumpre Lei de Responsabilidade Fiscal Anastasia
argumenta que os pagamentos de aposentados não contam
no cálculo
MATHEUS JASPER NANGINO O
governo de Minas gasta, atualmente, 48,61% da sua receita com
a folha de pagamento de servidores, enquanto a Lei
de Responsabilidade
Fiscal (LRF) prevê que, se o montante ultrapassa 46,55%, o
Estado fica proibido de aumentar vencimentos, contratar servidores
ou criar cargos.
O Executivo atingiu esse patamar após ter concedido, no ano
passado, aumento de 10% para funcionários e de reestruturar
o plano de carreira dos servidores da educação. Somado
a esse aumento de despesas, o governador Antonio Anastasia (PSDB)
publicou, no último dia 22 de janeiro, a Lei Delegada de número
182, que cria 1.312 novos cargos comissionados - o que, segundo prevê a
LRF, não poderia ser feito, haja vista que o Estado já gasta
mais de 46,55% de seu orçamento com a folha de pessoal.
O governo de Minas admite que gasta 48,61%, porém não
reconhece que todo esse montante se refere a despesas com pessoal.
Amparado por uma portaria, editada no ano passado, o Estado alega
que os gastos com aposentados e pensionistas, estimados em R$ 4 bilhões
por ano, não precisam ser incluídos no cálculo. "Tivemos
uma modificação da portaria mudando os critérios.
Então, a partir do dia 1º de janeiro, pela mudança,
que é a retirada dos aposentados, nós estamos cumprindo
a LRF", afirmou, ontem, Antonio Anastasia. Seguindo essa nova
metodologia empregada pelo governo mineiro, o comprometimento do
Estado com pessoal atingiria 37,16%.
A assessoria do Tesouro Nacional, porém, informou que, para
o fechamento dos cálculos de despesas, com vistas à LRF,
aposentados e pensionistas devem ser incluídos na lista de
pessoal. Novamente questionada pela reportagem, a assessoria de imprensa
do governo reiterou que se baseia na portaria que exclui, no entendimento
do Estado, os gastos com aposentados e pensionistas de seu orçamento
com a folha de pessoal.
Lei federal. Especialistas em direito econômico ouvidos por
O TEMPO, no entanto, afirmam que nenhuma portaria tem valor maior
que uma lei federal. Segundo eles, o artigo 18 da própria
LRF é claro ao rogar que as aposentadorias fazem parte dos
gastos com pessoal. "Entende-se como despesa com pessoal: o
somatório de gastos do ente da Federação com
ativos, inativos e pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos,
funções ou empregos, com qualquer espécie remuneratória",
diz o artigo 18 da LRF.
Questionada mais uma vez, a assessoria de imprensa
da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão divulgou nota afirmando
que "Minas encerrou o exercício financeiro de 2010 com
R$122,58 milhões" disponíveis em caixa, "algo
que não ocorria há pelo menos duas décadas".
Segundo a secretária da pasta, Renata Vilhena, o objetivo é fazer
com que o Estado não volte ao déficit fiscal.
"
Este é o resultado da política de controle dos gastos
públicos implementada pelo governo de Minas, nos últimos
oito anos, e que impõe equilíbrio fiscal no planejamento
e na execução das ações governamentais",
argumenta.
Orçamentos
Outros quatro Estados estão com restrições Descontrole em contratações e na concessão
de reajustes aos servidores levaram outros quatro Estados a ultrapassarem
o limite de gasto com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF).
Além de Minas, os outros Estados que hoje convivem com o
limite da LRF são Paraíba, Goiás, Rio Grande
do Norte e Alagoas. Porém, há outros, como Paraná,
Acre e Tocantins, que estão próximos de chegar a esse
limite.
A situação mais grave, hoje, é na Paraíba.
O governador Ricardo Coutinho (PSB) herdou uma folha de pagamento
que consome 55,41% da receita corrente líquida, de acordo
com informações do jornal "Folha de S. Paulo".
Outro Estado com problemas no caixa é o Rio Grande do Norte,
onde os gastos com pessoal consomem 48,8% da receita, que é de
R$ 5,3 bilhões mensais. (Da Redação)
Secretariado
Tucano
define metas para as áreas sociais
O governador do Estado, Antonio Anastasia (PSDB), reuniu ontem
parte do seu secretariado, ligada principalmente à área social,
para determinar que ações conjuntas entre as pastas
sejam fomentadas no seu governo. "Não estamos mais na época de realizar projetos
isolados e que não se articulam. O grande objetivo dessa reunião,
que foi uma mensagem muito clara do governador, é de que precisamos
de articulação, parceria e integração
para que o nosso objetivo de combater miséria e superar a
pobreza em Minas Gerais seja algo concreto e factível",
afirmou o assessor do governador para assuntos sociais, Marcelo Garcia.
Anastasia recebeu, também ontem, o líder do PSDB na
Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira (SP), e os deputados
mineiros da bancada tucana, e afirmou que o governo do Estado vai
contar com os parlamentares "para as demandas importantes para
Minas". "Vamos trabalhar sempre integrados e não
há dúvida de que os projetos importantes terão
o respaldo da nossa bancada", afirmou. (MJN)
Requerimento
Governista se junta à oposição O deputado estadual governista sargento Rodrigues (PDT) foi o
24º parlamentar
a assinar requerimento do bloco de oposição da Assembleia
Legislativa de Minas para apresentação da proposta
de emenda à Constituição (PEC) estadual, que
prevê a revogação das leis delegadas. São
necessárias 26 assinaturas. Os outros 23 nomes foram de deputados
da oposição. "Assinei o requerimento porque acho muito importante um debate
sobre o assunto. Uma das questões essenciais é discutirmos
até que ponto as leis delegadas são boas para o Parlamento",
afirmou Rodrigues.
Hoje, o bloco se reúne para acertar detalhes da pauta da
visita da secretária estadual de Planejamento e Gestão,
Renata Vilhena, no próximo dia 1 ° de março, à Assembleia.
A secretária foi convidada para dar explicações
sobre as leis delegadas.
De acordo com Rogério Correia (PT), líder da oposição,
haverá vários questionamentos, o que inclui, além
das leis delegadas, a criação do Escritório
de Prioridades Estratégicas do governo. Para ele, trata-se
de uma estrutura paralela, ligada diretamente ao governador, "com
objetivos políticos e eleitoreiros". Segundo o líder
da maioria, deputado Luiz Humberto (PSDB), "ninguém melhor
do que Renata Vilhena" para dar explicações sobre
as leis delegadas. "Faz parte do trabalho da oposição
questionar, mas a secretária está pronta a responder",
afirmou. (Renata Matta Machado) |