Hoje em Dia, 9 de junho de 2011 - Primeiro Caderno - Seção: Minas - Pág. 9

Civil rejeita proposta, PM e Bombeiros chegam a um acordo

Protestos de três categorias profissionais por melhores salários transformaram o já complicado trânsito do Centro de Belo Horizonte em um verdadeiro caos
Renata Evangelista - Repórter (*) - 8/06/2011 - 18:54. Última Atualização: 19:25

A quarta-feira (8) em Belo Horizonte foi marcada por manifestações, protestos, impasses e caos no trânsito. Mais de 12 mil policiais civis, militares, delegados, agentes penitenciários e servidores da rede estadual de Educação decidiram fazer assembleias para cobrar aumento de salário e melhoria nas condições de trabalho.

Os policiais militares e bombeiros aceitaram a proposta oferecida pelo Governo estadual, mas o impasse entre os policiais civis e delegados continua. Eles rejeitaram a proposta de reajuste de 7% apresentada pelo Governo. Por sua vez, os professores da rede estadual decidiram entrar em greve por tempo indeterminado.

Os servidores da rede estadual, os policiais civis e alguns representantes da PM e dos bombeiros se concentraram na Praça 7 e pararam o trânsito nas principais vias do Centro da capital. Apesar do tumulto e da confusão, não houve uso de força pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar, que acompanhou a manifestação.

Impasse

Cerca de 3 mil policiais civis, de mais de 40 cidades mineiras, se reuniram na Praça da Liberdade, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de BH. Eles rejeitaram a proposta de reajuste de 7% apresentada pelo Governo e exigiram a equiparação salarial entre agentes penitenciários, inspetores e peritos, e entre delegados e defensores públicos. Também participaram da assembleia aproximadamente 700 agentes penitenciários. Após recusarem a proposta, os manifestantes desceram a Avenida João Pinheiro e seguiram rumo à Praça 7, no Centro da capital.

Acordo

Já os policiais militares e bombeiros, que se concentraram no Clube dos Oficiais, no Bairro Prado, Região Oeste de BH, chegaram a um consenso e, após votação tumultuada, decidiram aprovar a proposta de reajuste de 74% ao longo de quatro anos. Mais de 8 mil integrantes da categoria participaram da assembleia.

A proposta de reajuste prevê 10% para os militares e bombeiros em outubro deste ano; 12% em outubro de 2012; 10% aplicados em outubro de 2013; 15% em julho de 2014; 12% em dezembro de 2014; e 15% em abril de 2015.

Greve

Professores da rede estadual de Educação decidiram permanecer em greve por tempo indeterminado. Cerca de 2 mil trabalhadores se reuniram no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e voltaram a reivindicar aumento do piso salarial da categoria. Na sequência, o grupo também se deslocou para a Praça 7.
(*) Colaboraram Celso Martins, Thiago Lemos e Pedro Rotterdan

Professores da rede estadual continuam parados

De acordo com a coordenadora do Sind-UTE-MG, Beatriz Cerqueira, as aulas só serão retomadas após o Governo atender o pedido de aumento
Thiago Lemos- Repórter - 8/06/2011 - 21:11

Professores da rede estadual de ensino decidiram nesta quarta-feira (8) permanecer em greve por tempo indeterminado. Cerca de dois mil trabalhadores da educação se reuniram no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e voltaram a reivindicar aumento do piso salarial da categoria. De acordo com a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE-MG), Beatriz Cerqueira, as aulas só serão retomadas após o Governo atender o pedido de aumento.

Em negociação salarial desde fevereiro deste ano, os professores exigem que a base salarial, que atualmente é de R$ 369, passe para R$ 1.597. Segundo o sindicato, este é o valor previsto pela Lei nº 11.738/2008, que instituiu o Piso Profissional Nacional (PSPN) para trabalhadores de nível médio com jornadas de até 24 horas semanais. Eles pedem também o fim do modelo de pagamento por subsídios, que começou a ser praticado pelo governo este ano.

Além da continuidade do movimento de greve, durante a assembleia, ficou decidido que o sindicato entrará, na próxima sexta-feira, com representação no Ministério Público Federal e Estadual para cobrar a aplicação da Lei em Minas. Na quinta-feira (9), os representantes da classe participam de uma audiência pública na Assembleia Legislativa.

As informações sobre o piso salarial são contestadas pela Secretaria Estadual de Educação. De acordo com o órgão, o valor do piso nacional estipulado pelo Ministério da Educação (MEC) é de R$ 1.187, e não R$ 1.597. Este último valor teria sido obtido através de um cálculo não oficial da Confederação Nacional dos Trabalhadores. Além disso, a quantia seria para jornadas de 40 horas semanais.

A secretaria informa que com o novo sistema de remuneração adotado pelo Estado, o valor básico pago para a categoria ficou em R$ 1.122 para 24 horas. Até o ano passado, o salário-base da categoria era de R$ 369 com acréscimo de vantagens. Em alguns casos, o valor de R$ 1.122 não era atingido. Conforme o sindicato, 50% das escolas no Estado aderiram à paralisação. Uma nova assembleia será realizada no dia 16 de junho.

Polícia Civil rejeita proposta e mantém greve

Eles exigem equiparação salarial entre agentes penitenciários, inspetores e peritos e entre delegados e defensores públicos
Pedro Rotterdan

Duas faixas em inglês com os dizeres “Brazilian Police On Strike” (Polícia brasileira em greve) e “World Cup 2014 your safety is not Guaranteed” (Copa do Mundo de 2014, sua segurança não está assegurada) foram usadas pelos policiais civis que protestaram nesta quarta-feira (8) por melhores salários. Os policiais rejeitaram a proposta de reajuste de 7% em 2011 apresentada pelo Governo do Estado e exigem equiparação salarial entre agentes penitenciários, inspetores e peritos e entre delegados e defensores públicos.

Os mais de 3 mil policiais civis, de cerca de 40 cidades mineiras, e 700 agentes penitenciários participaram da manifestação, que começou por volta das 14 horas, na Praça da Liberdade, no Funcionários. Depois de recusarem a proposta, os policiais desceram a Avenida João Pinheiro e protestaram contra os funcionários do Detran, que não aderiram ao movimento.

De acordo com o presidente do Sindipol, Denilson Martins, os policiais vão pedir ao Governo do Estado que o Detran seja desvinculado da Polícia Civil e seja transformado em um órgão administrativo. Ainda segundo ele, o movimento exige concurso imediato para aumento do efetivo. “Estamos tentando negociar, mas o Governo não nos recebe. Parece que estão tentando nos enrolar”, afirmou o sindicalista.

Os manifestantes também decidiram continuar com a paralisação por tempo indeterminado até que a situação seja resolvida. Eles afirmam que foram enganados quando tiveram a garantia de que o salário deles seria o quarto maior do Brasil.

“Acabaram as obras da Linha Verde e da Cidade Administrativa e nada de o reajuste chegar. O governo prega choque de gestão e investimentos, mas a segurança continuar precária” disse Martins. Os policias civis pedem que o salário de R$2.043 passe para R$ 4.000, imediatamente, o que representaria 74%, e não de forma parcelada,como o Governo de Minas propôs.

Policiais militares aceitam reajuste de 74%

Proposta do Governo foi aprovada em assembleia no Clube dos Oficiais, mas descontentamento foi grande
Celso Martins

A assembleia dos policiais militares e bombeiros, nesta quarta-feira (8), no Clube dos Oficiais, no Bairro Prado, Região Oeste de Belo Horizonte, foi marcada por protesto, vaias e desencontro de informações. A proposta de reajuste de 74% foi aprovada em uma votação tumultuada com a presença de cerca de 7 mil pessoas.

No início da noite, a direção da Associação dos Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros (Aspra) não se entendia para informar se o reajuste havia sido aprovado. “Formalmente a proposta foi aprovada, mas sabemos que houve um descontentamento de um grupo de militares. Vamos reunir com as entidades que representam os militares para fazer uma avaliação do resultado da assembleia”, declarou o diretor da Aspra, Luiz Gonzaga Ribeiro. Com o impasse na assembleia, cerca de três mil militares saíram em passeata até a Praça 7, sem a presença das entidades que representam os policiais.

A proposta prevê reajuste salarial de 10% para os militares e bombeiros para outubro deste ano, 12% em outubro de 2012, 10% aplicados em outubro de 2013, 15% para julho de 2014, 12% em dezembro de 2014 e 15% em abril de 2015. A proposta apresentada no início da semana previa 7% para dezembro deste ano, com as demais parcelas até 2015. O deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT), que intermediou as negociações com o governo, foi chamado de “traidor” ao defender a proposta de aumento de salário. “Não é o reajuste ideal, mas foi o máximo que o governo alegou que poderia conceder”, disse.

Os militares e bombeiros queriam salário de R$ 4 mil para soldados. Atualmente eles recebem R$ 2.043. Com os 74% de reajuste, em 2014 o soldado vai receber R$ 4.100.

Manifestações de professores e policiais deixam trânsito de BH ainda mais caótico

Apesar dos protestos marcados para ocorrer a partir das 16 horas, o BPTrans informou que não preparou nenhum esquema especial para desafogar o trânsito
Renata Evangelista

As assembleias dos professores da rede estadual e dos policiais civis prometem deixar o trânsito ainda mais caótico no Centro de Belo Horizonte. As duas categorias se reúnem na tarde desta quarta-feira (8) para reinvindicar aumento salarial e melhorias nas condições de trabalho.

Apesar dos protestos marcados para ocorrer a partir das 16 horas, o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar informou que não preparou nenhum esquema especial para desafogar o trânsito na capital.

Os professores da rede estadual se encontram no Pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no Bairro Santo Agostinho, Região Oeste de BH. Nesta quarta-feira, eles dão início à greve por tempo indeterminado. Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação (SindUte) do estado, cerca de 5 mil professores devem participar da assembleia e 60% devem aderir a greve. A categoria reivindica, entre outros benefícios, piso salarial inicial de R$ 1.597, conforme determina a lei.

Por volta das 16 horas, eles seguem em passeata até a Praça 7, onde se encontram com os policiais civis, agentes penitenicários e delegados. Conforme o Sindicato dos Delegados de Polícia de Minas Gerais (SindepoMinas), ônibus de várias cidades mineiras estão chegando na Praça da Liberdade, onde acontece a concentração dos profissionais. Após a assembleia, eles devem seguir para a Praça 7, com nariz de palhaço e apitos.

Os delegados do Estado exigem a criação de um subsídio pelo qual o salário inicial de um delegado de polícia, hoje em R$ 5.700, seja equiparado ao de um defensor público, na faixa de R$ 8 mil.

Na última segunda-feira (6), os policiais militares e civis e os bombeiros não aceitaram o reajuste salarial de 72% até 2015, oferecido pelo Governo de Minas Gerais. Conforme a assessoria de Imprensa do Governo, o aumento entraria em vigor a partir de dezembro deste ano, quando os salários seriam reajustados em 7%. O restante seria em outubro de 2012 (10%), agosto de 2013 (13%), junho de 2014 (15%), dezembro de 2014 (12%) e abril de 2015 (15%). O reajuste linear, aumento sobre aumento, seria de 97% nos quatro anos e beneficiaria ativos, inativos, pensionistas e funcionários civis.

(*) Colaborou Iêva Tatiana