Hoje
em dia, 29
de janeiro de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Minas - Pág.
32
Movimento cobra punição
para mandantes
Auditores
foram assassinados em emboscada durante fiscalização
de rotina em fazendas de Unaí
Da
Redação
Cerca
de 150 pessoas realizaram, na manhã desta sexta-feira (28),
em frente ao prédio do Tribunal Regional Federal, no Bairro Santo
Agostinho, em Belo Horizonte, uma manifestação contra a
impunidade no caso da chacina de Unaí. Eles cobram o julgamento
dos acusados de matar, há sete anos, os auditores Nelson José da
Silva, João Batista Lages e Erastótenes de Almeida Gonçalves,
e o motorista Aílton Pereira de Oliveira. Os quatro homens, que
seriam os mandantes do crime estão soltos, enquanto os cinco acusados
de serem os executores continuam presos.
No dia 28 de janeiro de 2004, as vítimas foram assassinadas em
uma emboscada durante fiscalizações de rotina em fazendas
de Unaí, no Noroeste de Minas. Os irmãos Antério
e Norberto Mânica, dois dos maiores produtores de feijão
do país, são acusados de planejar o crime. Na época,
eles eram investigados por exploração indevida de trabalhadores,
com multas que ultrapassavam R$ 2 milhões.
Os familiares das vítimas e representantes dos auditores fiscais
esperam que o processo, que está no Supremo Tribunal Federal (STF),
retorne para a 9ª Vara da Justiça Federal, em Belo Horizonte,
até o final de fevereiro. A defesa entrou com mais de 30 recursos à decisão
que apontou os indícios de autoria por parte dos acusados e as
circunstâncias qualificadoras do crime, como motivo torpe e cometido
em emboscada. Essas medidas vinham adiando o julgamento.
Helba Soares, esposa de Nelson José da Silva, acredita que o
histórico de impunidade pode mudar nos próximos meses. “É uma
dor que não sara. Só o julgamento em primeira instância
pode amenizar um pouco isso. Com o poder e dinheiro que eles têm
tudo é possível, mas voltando o processo para BH fica mais
fácil conseguir punir os culpados”.
Os manifestantes soltaram cinco mil balões brancos durante o
ato, representando a esperança de que o julgamento seja realizado
em breve. “Nos anos anteriores, escolhemos balões pretos.
Queríamos expressar o sentimento de impunidade, mas, agora, acreditamos
que pode ser diferente”, conta a presidente do Sindicato Nacional
dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Rosângela Rassy.
Para ela, outra preocupação constante é a falta
de segurança ainda enfrentada pelos auditores. “A fiscalização
não mudou nos últimos sete anos. O governo ainda precisa
oferecer o suporte, principalmente na área rural. A Polícia
Federal não tem efetivo para acompanhar todas as operações,
continua tudo do mesmo jeito”, afirma.
O vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores
do Trabalho (ANPT), Carlos Eduardo Lima, também defende a melhora
do apoio aos auditores e espera que essa seja uma das prioridades da
Secretaria de Inspeção do Trabalho. “Esse crime em
Unaí choca até hoje. A parceria é essencial para
que todos consigam agir contra o trabalho escravo”.
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